25.7.10

Menos com menos não dá mais

Kruzes Canhoto, em comentário a este post:

E esqueceu-se o Luís de mencionar que, com este regime, um rico pode partir mais vidros do que um pobre. O que é uma chatice.

É, de facto, uma chatice. Como é uma chatice um pobre ter de recorrer ao Serviço Nacional de Saúde e esperar sete horas numa sala de espera por causa de um traumatismo craniano, enquanto um rico vai a um hospital privado e tratam dele como deve ser. Como é uma chatice um rico poder ir ao supermercado e comprar um vinho de 50 euros para acompanhar o jantar, enquanto o pobre, se tiver sorte, compra um Porta da Ravessa Tinto. Como é uma chatice um rico andar em Lisboa com um Mercedes e um pobre não conseguir ir além do passe mais básico Carris+Metro. Podia continuar, mas, muito francamente, estou a divagar. O que está em causa não é um miúdo rico poder pagar um vidro e um pobre não. O que está em causa é, sim, haver uma punição para quem parte um vidro, seja rico ou pobre. Disparate seria não haver punição, como defendia o Luís. Pior ainda seria haver punição para um rico e não para um pobre, sendo a declaração de IRS o único critério a prevalecer. Isso não seria justiça, nem nada que se lhe assemelhasse.

É verdade que quem é rico pode dar-se a luxos com os quais quem é pobre nem sequer sonha. Essa é, aliás, uma definição possível de se ser rico. Sempre foi assim. Sempre será assim. Não há outra forma. É injusto que assim seja? Talvez. Mas enquanto ricos e pobres pagarem da mesma forma pelos erros que cometem, então ainda resta um módico de justiça do qual convém não nos esquecermos. Pode-se argumentar que não pagam da mesma forma, pois quem tem dinheiro tem possibilidades de "se safar". Mas corrigir isso com discriminação seria apenas juntar mais um erro à equação - e como as regras da matemática não se aplicam à vida social, menos com menos não dá mais.

john

2 Comments:

Blogger Kruzes Kanhoto said...

E olhe que o Porta da Ravessa não é nenhuma zurrapa...

O meu comentário apenas pretendia ser irónico porque, obviamente, parece-me do mais elementar bom senso obrigar quem danifica seja o que for a pagar por isso. Não posso estar mais de acordo relativamente à opinião que tem publicado acerca do tema.

6:23 PM  
Anonymous john said...

Não é nenhuma zurrapa, mas já conheceu melhores dias... e peço desculpa pela interpretação errada. Há dias em que demoro a processar a ironia. É do calor (desculpas, desculpas).

1:57 AM  

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