29.10.10

Ironia rural-virtual

Não sei se o fenómeno já abrandou ou não, dado que bloqueei por completo a aplicação, mas recordo-me da euforia - perdão, do histerismo - em redor do Farmville, um joguito do Facebook que tem como objectivo a "gestão" de uma quinta virtual. E que histerismo: boa parte das pessoas que conheço estavam doidas com o jogo, e com as respectivas colheitas de milho ou do raio que parta. Eu, que me entretenho com jogos de computador e de consolas há anos, acho piada ao fenómeno. Sobretudo porque a esmagadora maioria das pessoas que joga (ou jogou) Farmville - e sim, estou a generalizar - seriam as mesmas a considerar os videojogos (darei como exemplo o World of Warcraft, já que o joguei durante cinco anos, até Maio último) como algo infantil, geek e vagamente idiota. Coisa de adolescentes com problemas de acne, óculos de fundo-de-garrafa, poucas aptidões sociais, vida sexual inexistente - esse estereótipo. Mas o Facebook democratizou a coisa, e agora as moças mais in até já falam entre si das beringelas por colher, da madeira para troca, e passam horas a cuidar de quintas feitas de pixels. Nunca joguei Farmville - nasci no campo, e se é para me dedicar a actividades agrícolas prefiro a real thing -, mas gosto do fenómeno. Pode ser que um dia o meu Night Elf Priest de nível 80 do Warcraft ou a minha frota de Battlecruisers do Starcraft 2 tenham real valor de engate.

john

2 Comments:

Blogger João Teago Figueiredo said...

Post Excelente. Um abraço

1:12 PM  
Blogger João Campos said...

Obrigado! É que o tema é interessante. Quem sabe se não passei já do geek de serviço ao gajo mais popular da escola?

(não que eu esteja a estudar, mas admitamos isso para a ideia fazer mais sentido)

1:22 PM  

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