18.10.10

Ontem à noite, o Prof. Marcelo, qual oráculo de Bellini, anunciou pomposamente ao país - e sem disfarçar uma pontinha de vaidade... -, via TVI, a recandidatura de Cavaco Silva à presidência da República. A generalidade dos "comentaristas" políticos do burgo apressaram-se a (tres)ler no anúncio uma forma de pressão especificamente dirigida a Passos Coelho, no sentido de o comprometer pública e politicamente com a aprovação do OE 2011. Parece-me uma análise despropositada. Com efeito, se há coisa de que Cavaco Silva e Marcelo Rebelo de Sousa não podem ser acusados é de maquiavelismo e taticismo político. Todos se lembram da (in)capacidade que o primeiro revelou a gerir "tabus" - quase tanta como a comer bolo-rei... -, e a forma assumidamente acidental como a sua carreira política foi sendo gerida e protagonizada (a começar pelo célebre congresso da Figueira da Foz do "PPD-PSD"). Quanto ao segundo, ainda ninguém se esqueceu da forma desastrada como conduziu o processo da "nova AD", nem dos seus mergulhos eleitorais no Tejo. Não, não me parece que Cavaco e Marcelo se tenham articulado para condicionar politicamente o assunto OE. Pela minha parte, estou convencido que Marcelo se limitou a embarcar numa (genial...) manobra publicitária da TVI. É que alguns minutos mais tarde começava mais uma gala da "Secret Story - Casa dos Segredos", nova coqueluche do voyeurismo típico da estação de Queluz. "Hic et nunc", Marcelo quis revelar o "segredo de Cavaco". Pessoalmente, achei pouco. Gostei mais de saber que a Catarina é a "toupeira" da Voz...

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