29.11.10

O tempo, o tempo

Está frio, que o Inverno aproxima-se. E, pelo prelúdio, parece que vai ser fresquinho. Entretanto, as leituras prosseguem a bom ritmo: depois do polémico e febril A Clockwork Orange, de Anthony Burgess, regresso a Philip K. Dick com um curioso registo autobiográfico intitulado A Scanner Darkly. É curioso: a única vez que fui ao Indie Lisboa foi em 2007, precisamente para ver a adaptação cinematográfica deste livro, num filme realizado por Richard Linklater e com Keanu Reeves, Robert Downey Jr. e a grande Winona Ryder no elenco. Aliás, nem lá fui pelo filme, que desconhecia por completo; a sugestão, se bem me lembro, foi da minha então namorada, e ou foi pela animação do filme ou pelo Keanu Reeves (desculpa o lapso de memória, mas não dá para tanto, como sabes). É um filme bastante bom, não sendo uma obra-prima; já o livro, se os dois primeiros capítulos servem de amostra, vai ser uma vertigem.
Ontem, no rescaldo do jogo do Benfica com o Beira-Mar (ou vice-versa, se quiserem ser rigorosos), Jorge Jesus entalou um jornalista na flash interview com uma classe desmesurada - aquele "então tchau" merece lugar nos anais do futebol nacional. Escusado será dizer que o rapaz que diz ser jornalista estava mesmo a pedi-las - aliás, o disparate que disse serve para ilustar parte daquele desafio da semana passada, sobre as causas pelas quais o jornalismo português anda frequentemente ao nível da sarjeta, ainda que não seja a sarjeta que o Ministro da Malhação, perdão, da Defesa, Augusto Santos Silva descreveu em ocasião igualmente memorável. E como o tema é bola, hoje o Barcelona cilindrou o Real Madrid em futebol, e Sérgio Ramos cilindrou o genial Messi e o boi almiscarado Puyol de uma penada. Na tasca onde vi o jogo, muitos regozijavam-se pela derrota do clube orientado por Mourinho, e, quais sibilas, vaticinaram-lhe logo o fim de carreira. Vamos à estrebaria do Público Online - a saber, a caixa de comentários deste artigo - e o tom é idêntico. Ninguém me tira da cabeça que um dos grandes males do país, porventura o seu maior mal, é o desprezo a que votamos os nossos melhores; como não sou exactamente um patriota, não me aquece ou arrefece (era bom que me aquecesse, que, porra, está frio) que a malta por cá não torça por clubes onde portugueses jogam e são bem sucedidos; já agora, também não é por isso que invariavelmente torço pelos clubes orientados por José Mourinho; mas confesso que me faz espécie o desejo que tanto português nutre pelo fracasso do homem. Vão ter mais uma desilusão neste ano, coitados. Mas não aprendem: Mourinho tem um palmarés invejável, e já provou por mais de uma vez ser um dos melhores treinadores do mundo. Esta goleada é pesada, mas não deverá fazer mossa. Só para concluir o tópico desportivo: a equipa lá da aldeia perdeu no Sábado, em casa, em jogo a contar para uma competição do género "Taça do Distrito de Beja" (não sei se é assim que se chama, mas deve ser equivalente) por duas bolas a uma, sendo que o golo que marcámos valia dois ou três, e fomos roubadinhos pelo árbitro, claro está. Foi um jogo muito divertido: houve minis com fartura, houve amendoins, e houve uma dose de insultos ao árbitro e ao fiscal de linha como eu não ouvia desde criança. Ainda não foi desta que voltei a ver uma espera nos balneários, mas se os jogos continuarem a decorrer aos sábados, pode ser que ainda tenha sorte até ao final da época.
Entretanto, e para acabar a crónica de hoje, tenho a dizer o seguinte ao colega de blogue João: ver o Prós e Contras quando a Fox está a passar excelente sétima temporada de House devia ser crime - quanto mais não seja, pela perda de tempo evidente, e pela tortura que é a Fatinha no pequeno ecrã. Isso faz-te mal, caro amigo.

john

Adenda: por lapso da minha parte, não mencionei dois acontecimentos realmente importantes no dia de hoje. O primeiro, a morte de Irvin Kershner, nome que possivelmente não dirá muito a muita gente, mas que fica para a história como o realizador de um dos melhores filmes de sempre, de ficção científica e não só: Star Wars - Episode V: The Empire Strikes Back. O segundo, a morte de Leslie Nielsen, um dos senhores que mais me fez rir no cinema (mais que ele, só a trupe dos Monty Python e o Bruce Campbell). Dia aziago, este.

2 Comments:

Blogger João Teago Figueiredo said...

Quanto à fox e ao house, só posso dizer que tens toda a razão. Nada mais.

Grande Abraço,
jtf

1:15 PM  
Blogger João Campos said...

Apressa-te, que esta temporada está mesmo muito boa :)

Abraço

8:19 PM  

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