29.9.11

A nódoa de nêspera

Agradou-me, em Junho, a escolha de Nuno Crato para Ministro da Educação. Apesar de as coisas naquele sector não estarem a correr de feição, ainda não queimei todas as minhas expectativas, espero que Crato venha fazer um mandato que, em termos gerais, seja positivo. No entanto, a mais recente polémica em redor dos prémios aos melhores alunos não deixa de ser uma nódoa de nêspera: por mais que lavemos, nunca vai sair da camisa. Não creio que seja necessário dar aos cem melhores alunos de cada ano lectivo um prémio de quinhentos euros, pois não será decerto por aí que se recompensa o mérito individual de cada um. No entanto, o prometido é devido; se o Ministério da Educação quer ser considerado pessoa de bem, deve comportar-se como tal; e pessoas de bem não fazem uma promessa que decidem quebrar a dois dias, com a suprema hipocrisia de dizer uma bacorada como achamos melhor que os 500 euros que estavam atribuídos a cada aluno sejam atribuídos a projectos de escola, a projectos de apoio aos alunos e não devemos estar simplesmente a distribuir dinheiro. Há qualquer coisa nesta infeliz declaração do ministro que me faz voltar a Ayn Rand, mas não é esse o ponto agora: entre os cem melhores alunos do país, não há nenhum com os tomates no sítio para se levantar e dizer "Senhor Ministro, meta os quinhentos euros no cu"?

john

Adenda: Por outro lado, este triste episódio pode ter um carácter altamente educativo.

Luís Menezes Leitão, no Delito de Opinião: Mas há que reconhecer que com esta decisão o Ministério da Educação acaba de prestar um grande serviço pedagógico aos alunos. Ficaram desde já a saber que é este o Estado Português com que terão de conviver em adultos: um Estado que a todo o tempo pode desrespeitar os seus compromissos, cortar unilateralmente os salários aos seus funcionários, as pensões aos seus pensionistas e aumentar retroactivamente os impostos que cobra. Os alunos podem assim desde já habituar-se a que é este o país em que vivem e pensar em emigrar para o estrangeiro. Só essa lição vale mais que o prémio.

João Miranda, no Blasfémias: Ao que parece o Estado vai faltar ao prometido e não vai pagar os prémios aos melhores alunos do secundário. É bom que esta geração de estudantes se vá habituando. Não será a primeira vez que o Estado os vai enganar ao longo da vida.

0 Comments:

Post a Comment

<< Home