27.2.12

Krug

Muito houve quem se tivesse rejubilado com postas-de-pescada que, descontextualizadas e lidas por putos de cinco anos, até parecem fazer de um keynesiano um neo-liberal de fato-e-gravata Hermès. O que Krugman diz é que: já que a Europa parece querer assumir a austeridade como rumo então o melhor é fazer as coisas à homem e  descer os salários portugueses 30%. O problema é que muitos dos rejubilados se esquecem da parte em que se diz que a desvalorização é em termos relativos face ao nível salarial alemão. O mesmo é dizer que, caso a Europa quisesse mesmo resolver os desequilíbrios inter e intra-estaduais dentro da zona euro, uma combinação de um certo expansionismo salarial alemão combinado com uma necessária contração nos estados desequilibrados possibilitaria um deslizar benigno na recessão para todo o conjunto da união. Do ponto de vista da teoria dos jogos, assumir uma política unilateralista e atomizada, implica que se caia num típico dilema do prisioneiro, em que o equilíbrio não é aquele que maximiza o retorno individual de cada agente.

Por outro lado,  uma união monetária óptima pressupõe respostas coordenadas que possibilitem fazer face aos choques assimétricos como são os desta crise (ou destas crises). Porém, ao contrário do que seria desejável, a Alemanha, enquanto incumbente, tem-se furtado a assumir o papel de distribuidora da massa monetária dos lugares onde ela abunda, expatriando-a para aqueles em que escasseia. Não o fazer implica desestruturar todo o processo de união monetária, forçando a que os ditos choques assimétricos sejam corrigidos como se corrigem os canhotos que à força se obriga a serem destros.

Outra das falácias que Krugman refuta na entrevista desta noite à RTPi é a de se dizer que o aumento ciclópico dos juros da dívida portuguesa é consequência da megalomania do Estado Social português. Basta, convocando um ligeiro esforço de concentração nalgumas mentes menos expeditas, olhar para o peso das prestações sociais em países como a Suécia para concluir que metade dos posts que se publicam sobre estes assuntos na blogoesfera portuguesa são escritos com os pés.

Referências: «European Crisis Realities»; «WWS 594E, Economics of the Welfare State: Class # 3».













jtf    

0 Comments:

Post a Comment

<< Home