O Diabo
Não é irrelevante considerar que o destino que as coisas têm é circunstância filha do que se fez, mas também do que não se fez. Muito há quem queira discutir a situação com os olhos do unilateralismo, baias temporais e um ou outro vernáculo de casas-de-pasto menos recomendáveis. Como diria Régio: não vou por aí.
A Economia, tantas vezes esquecida como ciência social que é, nunca se coloca à consciência humana como um ser ou não ser polarizado, interpelador e dual. Coloca-se sim, como um ser muito ou ser pouco. Isto é dizer: o diabo está no grau. Deste modo, a questão verdadeiramente relevante não é a de saber se países externamente desequilibrados como Portugal devem ou não ser apedrejados pela tão nomeada austeridade; é, isso sim, saber determinar com precisão o ponto a partir do qual o remédio mata o doente. E isso é, precisamente, o confronto democrático em estado puro.
Ora, encher a boca com a doutrina de bairro que diz que tudo é inevitável, para além de consubstanciar uma contradição nos próprios termos, já que é impossível conviver em habitat democrático plural com políticas inevitáveis e inescapáveis; é, também, a redução da economia (e bem assim da própria sociedade onde os agentes daquela se movem) ao diminuído estado de opção medicinal sem que se lhe meça a dose. Quando, no fundo, a ciência está na quantidade e na combinação.
jtf









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