21.10.12

Manuel António Pina (1943 - 2012)















Dizem por aí que morreu um dos maiores poetas portugueses. Corrijo, um dos maiores portugueses. Uma das pessoas que eu mais admirava; e admiro. Não só no que a poesia representa, mas na forma como se opta viver: convicto, livre e mestre sublime da arte da inquietude. Secretamente, sempre pretendi que o universo do Pina fosse o meu universo. É difícil continuar a acreditar em tudo isto. É difícil. Manuel António Pina, onde quer que esteja, eu sei que a poesia vai acabar, e que os poetas vão ser colocados em lugares mais úteis. Por exemplo, observadores de pássaros (enquanto os pássaros não acabarem). Um senhor míope atendia devagar ao balcão; perguntou: «que fez algum poeta por este senhor?». Eu respondo-lhe: tudo, fez tudo.

Estamos cada vez mais sozinhos.

jtf

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