A Europa e a Consciência do Vazio II
A velha Europa cristaliza-se. Imobiliza-se na inércia genética daqueles que querem conservar as coisas conforme foram paridas; imutáveis ou, em rigor, mutantes apenas ao ritmo dos pequenos passos. Tão pequenos que se revelam demasiadamente lentos para fugir à tempestade. A questão central é saber até que ponto poderão fazer parte do mesmo clube membros de tão desigual tez. A resposta é ambígua e aparentemente difícil. Há quem ache, como Groucho, que não faz sentido «pertencer a um clube que nos aceite como sócio». No entanto, a teoria do «euro purificado», decantado dos elementos mais coxos, esbarra nos dilemas típicos da teoria-dos-jogos e da medicação para a hipertensão: efeitos secundários. Mas, como tudo isto é um jogo de soma-zero, a divisão entre uns e outros prejudicaria tanto «uns» como «outros»; e em magnitudes só ao alcance dos deuses mais poderosos. Paralelamente, há dificuldades práticas por debelar: onde começar e onde parar o casting. Ora, mesmo rejeitando a cisão, é fundamental saber se é possível ter uma união monetária federal mantendo políticas fiscais/orçamentais estaduais e atómicas; mesmo com mecanismos supra-nacionais de fiscalização e monitorização. Dificilmente se concluirá pelo sim ou pelo não; a dúvida é sistemática. Surgem, de igual modo, dificuldades de ordem conceptual no funcionamento da união, e que põem o problema de saber como é que mecanismos de supervisão orçamental inter-governamentais, operam sobre o instrumento mais importante dos intentos federalizantes como é a moeda única. Mecanismos estes, em que a opção pelo tónus inter-governamental é veementemente enfatizada pelas mais proeminentes vozes bávaras, em especial o ministro Schäuble.
Aqui chegados, a Europa cristaliza-se e paralisa de movimentos. Move-se em paralelas e pouco avança. Imobiliza-se com a inércia empedernida dos acidentados.
Está na hora da Europa dos grandes passos.
jtf









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