vou tentar dar-te algumas respostas, joão, apesar de não ter sido metido ao barulho no teu post:
1) não conheço os números, mas confio nos teus: terão encerrado 150 maternidades desde o ínicio dos anos 90. certo; nunca, porém, o encerramento de maternidades foi "bandeira" de nenhum ministério da saúde - que me lembre, claro.
2) conheço vários casos de nascimentos em ambulâncias, e até em sítios menos confortáveis, muito antes desta legislatura. não sendo óbvias para as populações as razões que ditam o encerramento das maternidades, o povo faz a simples soma de dois mais dois, e atribui a um efeito - o nascimento em ambulâncias, as mortes, etc - uma causa - o encerramento de certos serviços de saúde. na ausência de explicações, todos tendemos a procurar uma, esteja certa ou errada.
3) a coordenação entre bombeiros e inem sempre foi, para recorrer à expressão certa, uma merda. simplesmente nunca foi colocada em evidência da forma que o foi agora.
4) encerrar todos os serviços - maternidades, urgências, o que quer que seja - que não tenham um x de utilizações anuais pode ser uma boa medida no papel, mas quando é transposta para a realidade tem que ter em conta alguns factores. nomeadamente, a geografia.
5) não creio que algum ministro da saúde tenha sido competente. e poderia alargar a crítica a outros ministérios. correia de campos, no entanto, colocou-se a jeito com algumas declarações feitas à comunicação social.
no fundo, joão, a queda de correia de campos deveu-se aos media, que amplificaram até ao exagero as sucessivas polémicas, e ao autismo que grassa no governo. a saúde no país é um caos, e não é necessário sair de lisboa para constatar este facto - poderia contar as várias histórias que tenho do sns para ilustrar esta ideia. a verdade é que os portugueses têm andado a comer e a calar há muito tempo. a corda tinha que rebentar por algum lado, e rebentou precisamente pela saúde. não levantámos cabelo na história da licenciatura. com o aumento do iva, agachámo-nos. com o referendo ao tratado, colocámo-nos de quatro. mexeram na (falta de) saúde, e fomos aos arames. era mais ou menos previsível.
a remodelação, porém, peca por ser curta. a educação continua e continuará na lama (e onde pára a tlebs?), e transcende-me o facto de mário lino continuar alegremente no seu lugar, sobretudo após a conferência de imprensa para a decisão de alcochete. sócrates prometeu ao país as reformas de que este necessitava. ainda não vi nada, se queres saber.
esperaria uma remodelação e 2009, mas uma a sério. não votarei no partido socialista, como não votei nas últimas eleições - isso é mais do que certo. mas para trocar sócrates por menezes, sinceramente, prefiro vender o país a espanha.
jc









0 Comments:
Post a Comment
<< Home