21.11.08

the smell of fresh oil still on my fingers

I retired. To mend cars. Probably for the rest of my life. As I see it, part of the art of being a hero is knowing when you don't need to be one anymore, realizing that the game has changed and that the stakes are different and that there isn't necessarily a place for you in this strange new pantheon of extraordinary people. The world has moved on, and I'm content to watch it from my armchair with a beer by my side and the smell of fresh oil still on my fingers.

Hollis Mason, Under the Hood // por Alan Moore e Dave Gibbons, Watchmen

Esta parece-me uma citação tão boa como outra qualquer para assinalar o meu regresso ao mundo dos vivos. É retirada da biografia de um super-herói reformado - Nite Owl - cujo nome por detrás da máscara é Hollis Mason. A biografia fictícia de um herói fictício, ambos pertencendo ao mundo de Watchmen, a graphic novel escrita por Alan Moore e desenhada por Dave Gibbons para a DC Comics em 1987. Watchmen não é banda desenhada. Não é literatura. Não é, por aquilo que já li (ainda não acabei), uma graphic novel no sentido convencional do termo, como o são, por exemplo, The Sandman, V for Vendetta ou Hellblazer. Nem tão-pouco é uma história de super-heróis, como aquelas que a Marvel ou mesmo a DC habituaram milhões de leitores. Watchmen é, não uma história de super-heróis, mas uma história sobre o conceito de super-heróis menos os super-poderes. De seres humanos perfeitamente normais, com os seus vícios e as suas virtudes, que, mascarando-se, encarnaram uma personagem para combater o crime nas cidades norte-americanas. De uma América onde a realidade e a ficção do período da Guerra-Fria se cruzam de forma espantosamente verosímil. Narrada de forma não-sequencial, com os vários capítulos daquilo que para simplificar chamarei (erradamente, reconheço) de banda desenhada divididos por aquilo a que (mais uma vez, erradamente para simplificar) chamarei de prosa.

A crítica recebeu Watchmen com surpresa - e com um enorme aplauso. A revista Time definiu Watchmen como "one of Time Magazine's 100 best novels" - feito inédito para algo que a esmagadora maioria das pessoas classificaria, simples e erradamente, de banda desenhada. Venceu, no ano da sua publicação, o prémio Hugo (um dos mais conceituados prémios de ficção científica). E as recensões que se seguiram elogiaram-lhe o estilo, as personagens, a densidade da narrativa (que deixa muitos romances de autores consagrados a milhas). Sem dúvida, leitura recomendada (e eu mesmo ainda não acabei de ler).

E fica a pergunta, tão adequada aos dias de hoje: who watches the watchmen?

jc 

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