27.1.09

Abrir buracos.

É sempre divertido quando acontece: estamos a conversar com alguém, e a conversa salta, sem que o nosso interlocutor saiba, para algo que nos é querido. Qualquer coisa. Começa-se a falar de música, de cinema, de profissões, marcas de chocolate, enfim, estão a perceber a ideia. E a pessoa com quem falamos começa subitamente a falar do tal subtópico que nos é querido. A nossa banda preferida. O nosso filme preferido. A profissão da nossa mãe ou do nosso pai (ou mesmo a nossa). Vêm-me à memória dois casos. Um em que uma grande amiga minha começou numa autêntica killing spree verbal contra a profissão do meu pai. Com um entusiasmo extraordinário. Tratou-os a todos de cabrões para baixo. E eu ouvi, e sorria pacificamente. Quando ela finalmente parou para recuperar o fôlego, disse-lhe apenas "o meu pai é ....". A cara da pobre rapariga foi inesquecível - estivéssemos nós num campo de terra, e ela teria escavado um buraco até à Nova Zelândia com as mãos. O outro caso foi numa conversa com uma amiga sobre música, quando ela disse, de forma um pouco mais brusca, que só atrasados mentais poderiam gostar da música da minha banda preferida. Ao que respondi "são a minha banda preferida sabes". E fez-se um silêncio extremamente embaraçoso para ela, e extremamente divertido para mim. E assim se aprende uma lição: cuidado antes de dizer mal de alguma coisa. Às vezes essa coisa vinga-se mesmo sem o saber.

john

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