Eu não sou eu, sou o outro
Aprendi que olhar bem para os olhos de outra pessoa poderá ser uma acção arriscada para indivíduos menos prevenidos como eu. Há dias, enquanto falava com uma das mulheres mais interessantes que já conheci, atrevi-me a inspeccionar os seus olhos. Mal meu que deveria ter ficado quieto, não pela revelação óbvia que me assomou ao estacar-me naqueles olhos de mel, mas porque poderia assim evitar mais uns anos (quem sabe?) a realidade inadiável, seriam mais uns anos de ilusão tão benéfica para inibir a minha cada vez maior visão misantrópica do que me rodeia e que me tem agoniado socialmente.
O que eu vi naqueles olhos de mel? Tão-somente a confirmação de que nunca me vou sentir realizado, de que a minha acérrima posição relativista e desenquadramento perante os cânones de vida sociável me levará a um sufoco existencial de bradar aos céus, mais ainda porque já envelheci totalmente, não o avanço do tempo no corpo (o aumento da entropia não nos deixará escapar) mas a ideia de mim. Tenho a límpida noção que envelheci totalmente aos quinze anos, altura em que novas leituras e filosofias me fizeram nascer (ou morrer) para o mundo.
Hoje tive um exame da faculdade que me correu bem. Em contraste com os sorrisos dos meus colegas, eu dificilmente resisto em manifestar o meu generalizado desânimo perante a universidade, apesar de estar num curso que me completa e agrada. Olho para eles e sorrio da minha figura. Pobres deles que não sabem o velho que sou.
Hoje tive um exame da faculdade que me correu bem. Em contraste com os sorrisos dos meus colegas, eu dificilmente resisto em manifestar o meu generalizado desânimo perante a universidade, apesar de estar num curso que me completa e agrada. Olho para eles e sorrio da minha figura. Pobres deles que não sabem o velho que sou.
fs









1 Comments:
Assino por baixo, apesar de o meu "envelhecimento precoce" ter apenas chegado aos 23 anos.
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