27.1.09

Das conversas na web 2.0

Não consigo compreender porque as conversas pela internet - mais concretamente, através de aplicações de instant messaging como o MSN Messenger, o Google Talk, o Windows Live, etc. - não seguem as mesmas regras que regem as conversas presenciais e conversas mediadas por outras tecnologias (como o telefone ou o telemóvel). Abrimos uma janela de conversação e começamos a falar com alguém - ou alguém começa a falar connosco. Isto é (ou devia ser) o equivalente a um olá, como estás? na rua, ou a um estou sim? ao telefone. E, até certo ponto, é. A diferença surge, sim, no fim da conversa, que em instant messaging é muitas vezes imperceptível. Quero com isto dizer o seguinte: se estamos a falar presencialmente com alguém, não viramos costas num momento e vamos embora, em silêncio, deixando o nosso interlocutor sozinho. Se tivermos de ir embora, despedimo-nos - mesmo que tenhamos de inventar uma desculpa (a mentira é, afinal, uma necessidade da vida social). Se a conversa for por telefone, não desligamos o telefone na cara da pessoa com quem falamos. Despedimo-nos. Por mais curta e apressada que seja a despedida, ela existe. Num caso e noutro. E porquê? Porque se alguém abdica disso, nós, enquanto interlocutores, sentimos que isso é grosseiro, uma falta de respeito, de educação. Mas damo-nos ao luxo de abandonar conversas pela Internet por motivo nenhum. Deixamos o computador, e não nos dignamos de dizer um simples tenho de ir, falamos depois. E é tão simples fazê-lo, e não deixar assim a pessoa com quem falamos suspensa numa janela de conversação, à espera de uma resposta que não vai chegar. Não compreendo. Juro que não compreendo porque é que esta prática está tão banalizada. Mas qualquer dia começarei a fazer o mesmo em conversas presenciais, ou por telefone. Só porque posso.

john

5 Comments:

Blogger Nomyia said...

Isso é tudo muito bonito, mas esqueces-te de um pormenor: e se a net vai prás urtigas?
Acho que é sempre mais agradável pensar que as pessoas não são rudes porque querem. Tsc, tsc.
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1:23 PM  
Blogger João Campos said...

Por acaso não me esqueci desse pormenor. A net ir para as urtigas, passe a expressão, acontece. Mas normalmente, aparece a indicação de que o utilizador ficou subitamente offline. Isso é exactamente igual a ficarmos sem rede no telemóvel.

No entanto, tu és uma das pessoas que conheço que não encaixa na descrição do texto, Nomyia :) Não me referia a casos esporádicos, que eu também não sou inocente aqui (apesar de normalmente nem começar conversas quando se metem comigo e eu sei que não vou estar presente). Mas conheço pessoas que o fazem sistematicamente. É sobretudo sobre essas - e sobre a diferença de atitude em função do meio de comunicação utilizado - de que o meu texto fala.

De resto, e se queres "pessoalizar o assunto", sabes que eu penso sempre o pior das pessoas :)

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1:41 PM  
Blogger Nomyia said...

Pois é: have a little faith in people!
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6:52 PM  
Blogger L.Chatterley said...

As conversas digitais têm um problema, e por isso não se regem pelas regras. Dependem de uma ligação à Internet, que pode ir abaixo e não ligar novamente. :)
Beijinhos Lady Chatterley

12:09 PM  
Blogger João Campos said...

Todas as comunicações tecnologicamente (inter)mediadas dependem de uma ligação. Logo, a diferença de tratamento não se pode aplicar por aí.

Agora, se me disseres que o facto de a maioria das comunicações de Web 2.0 para malta como nós passarem por IM simples (escrito; quantos de nós usam o Skype? Ah pois), tornando a comunicação mais "impessoal" devido à ausência de voz e de imagem, e por isso "mudando as regras" e desleixando-a, então eu sou capaz de concordar.

E que raio de frase acabei eu de escrever. Fez algum sentido?

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12:59 PM  

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