A educação portuguesa devia incluir um estágio em Inglaterra.
Sim, um estágio. De Inverno. Em Londres, Manchester, Leeds, Bristol, enfim, em qualquer cidade britânica. A cada português seria dado apenas um guarda-chuva. O objectivo do estágio seria andar a pé pela cidade durante alguns dias, enquanto chovesse. Caso conseguisse não ser linchado em praça pública, então ser-lhe-ia concedida a cidadania nacional.
Digo isto porque é evidente que os portugueses - ou pelo menos os lisboetas - não sabem utilizar um guarda-chuva. Para o português, é simples: chega-se à ombreira da porta do prédio e está a chover, logo, abre-se o guarda-chuva sem qualquer cuidado por quem possa estar naquele momento a passar. E esse guarda chuva, como é bom de ver, tem necessariamente de ter algumas características especiais. Em primeiro lugar, tem de ser grande, tão grande quanto possível - de tamanho suficiente para caber lá debaixo uma turma inteira das Novas Oportunidades e, claro para ocupar o passeio desde o limite do prédio ao limite dos carros estacionados (por norma também em cima do passeio). E depois, convém que o guarda-chuva tenha varetas salientes nas extremidades. E nada de protecções plásticas: metal é que se quer, e quando mais aguçado e ferrugento, melhor. Porque assim serve dois propósitos: pode pinga água para cima de toda a gente que passa e, com jeitinho, ainda coloca o sacana daquele transeunte que não se desviou como devia a sangrar, ou à procura do olho na calha do passeio.
Durante a caminhada à chuva, qualquer português conhece as regras básicas: nunca desviar o guarda-chuva para cima ou para os lados, para permitir que outra pessoa com guarda-chuva passe; parar exactamente no meio do passeio, de preferência com o dito guarda-chuva aberto e inclinado, de forma a impedir a visão de quem passa - pois assim essa pessoa tem de espremer, ou contra goteiras e algerozes, ou contra a estrada propriamente dita, onde se arrisca a levar um banho dos carros que passam; se vir alguém a caminhar na mesma direcção, mas sem guarda-chuva (portanto, a molhar-se), há que abrandar o passo e colocar-se exactamente ao centro do passeio, para dificultar a passagem tanto quanto possível.
Como é que se safam os ingleses lá nas ilhas Britânicas? Acreditem que gostava mesmo muito de saber.
john
Digo isto porque é evidente que os portugueses - ou pelo menos os lisboetas - não sabem utilizar um guarda-chuva. Para o português, é simples: chega-se à ombreira da porta do prédio e está a chover, logo, abre-se o guarda-chuva sem qualquer cuidado por quem possa estar naquele momento a passar. E esse guarda chuva, como é bom de ver, tem necessariamente de ter algumas características especiais. Em primeiro lugar, tem de ser grande, tão grande quanto possível - de tamanho suficiente para caber lá debaixo uma turma inteira das Novas Oportunidades e, claro para ocupar o passeio desde o limite do prédio ao limite dos carros estacionados (por norma também em cima do passeio). E depois, convém que o guarda-chuva tenha varetas salientes nas extremidades. E nada de protecções plásticas: metal é que se quer, e quando mais aguçado e ferrugento, melhor. Porque assim serve dois propósitos: pode pinga água para cima de toda a gente que passa e, com jeitinho, ainda coloca o sacana daquele transeunte que não se desviou como devia a sangrar, ou à procura do olho na calha do passeio.
Durante a caminhada à chuva, qualquer português conhece as regras básicas: nunca desviar o guarda-chuva para cima ou para os lados, para permitir que outra pessoa com guarda-chuva passe; parar exactamente no meio do passeio, de preferência com o dito guarda-chuva aberto e inclinado, de forma a impedir a visão de quem passa - pois assim essa pessoa tem de espremer, ou contra goteiras e algerozes, ou contra a estrada propriamente dita, onde se arrisca a levar um banho dos carros que passam; se vir alguém a caminhar na mesma direcção, mas sem guarda-chuva (portanto, a molhar-se), há que abrandar o passo e colocar-se exactamente ao centro do passeio, para dificultar a passagem tanto quanto possível.
Como é que se safam os ingleses lá nas ilhas Britânicas? Acreditem que gostava mesmo muito de saber.
john









2 Comments:
camarada joão, na bélgica chove quase tanto como em UK e devo dizer-te que, pelo menos na bélgica, resolvem isso esquecendo os guarda-chuvas.
jtf
A isso chama-se "civilização" :)
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