Têm uma razão e meia para desconfiar de mim:
(...) acho que é de desconfiar de qualquer pessoa que não goste de cães ou que não goste de praia, por Sam no Serendipity*. Podem desconfiar: gosto mais ou menos de cães (entre mamíferos domésticos, prefiro gatos), e não gosto mesmo de praia, do conceito de fazer praia.
E não, essa aversão não se deve apenas ao facto de não saber nadar e, consequente, fazer sempre uma figura ridícula dentro de água, mesmo que a água nem me chegue às partes. Simplesmente acho todo o conceito de fazer praia profundamente desconfortável. Estar deitado em cima de areia escaldante debaixo de um sol não menos escaldante não faz parte das minhas ideias de diversão. Areia. Sempre a areia: tentamos caminhar sobre ela e torra-nos os pés. Enfia-se em todo o lado. Incomoda. Chateia.
É como a ideia de estar bronzeado. Juro que ainda não consegui descobrir uma razão suficientemente boa para eu querer perder durante dois meses a minha cor pálida para depois passar outros dois com a pele a dois tons, a dar a sensação de que ando a saltar os duches matinais.
E, como alguém dizia, o inferno são os outros. Isso vê-se na praia: as disputazinhas estúpidas por um metro quadrado de areia escaldante onde estender a toalha e encaixar a geleira, a discussão do "essa é a minha sombra" porque, lá está, a Terra gira à volta do Sol e, consequentemente, as sombras tendem a mover-se. Bolas a voar de um lado para o outro. Perguntam-me: então e as gajas? Sim, as gajas. Em biquini, algumas mais ousadas em topless. Mas reparem: as miúdas giras, em biquini ou em topless, nunca armam a tenda ao meu (vosso) lado, esteja a praia vazia ou a abarrotar. Já aquela senhora que devia ter deixado de fazer topless há pelo menos trinta anos funciona com precisão matemática, e ocupará o parco espacinho perto da minha (vossa) toalha. Provavelmente até dará início à discussão "essa sombra é minha".
Curiosamente gosto muito do mar. Gosto de observá-lo na minha terra, do cimo das falésias, enquanto vejo as ondas esmagarem-se contra os rochedos lá em baixo e acompanho a subida e a descida da maré. Gosto de estar na falésia à noite, quando o céu está limpo, e apenas a Lua dá alguma luz. E de praia, gosto das esplanadas. Gosto muito de uma boa esplanada de praia: de estar confortavelmente sentado numa cadeira, à sombra de um belo guarda-sol, a saborear uma cerveja bem geladinha e a ler um livro, ou simplesmente a conversar com uma boa companhia. E sim: quando estou na esplanada da praia, a sombra é minha.
john
*Serendipity é uma palavra inglesa da qual, confesso, gosto muito - tanto do som em si, como do conceito.
E não, essa aversão não se deve apenas ao facto de não saber nadar e, consequente, fazer sempre uma figura ridícula dentro de água, mesmo que a água nem me chegue às partes. Simplesmente acho todo o conceito de fazer praia profundamente desconfortável. Estar deitado em cima de areia escaldante debaixo de um sol não menos escaldante não faz parte das minhas ideias de diversão. Areia. Sempre a areia: tentamos caminhar sobre ela e torra-nos os pés. Enfia-se em todo o lado. Incomoda. Chateia.
É como a ideia de estar bronzeado. Juro que ainda não consegui descobrir uma razão suficientemente boa para eu querer perder durante dois meses a minha cor pálida para depois passar outros dois com a pele a dois tons, a dar a sensação de que ando a saltar os duches matinais.
E, como alguém dizia, o inferno são os outros. Isso vê-se na praia: as disputazinhas estúpidas por um metro quadrado de areia escaldante onde estender a toalha e encaixar a geleira, a discussão do "essa é a minha sombra" porque, lá está, a Terra gira à volta do Sol e, consequentemente, as sombras tendem a mover-se. Bolas a voar de um lado para o outro. Perguntam-me: então e as gajas? Sim, as gajas. Em biquini, algumas mais ousadas em topless. Mas reparem: as miúdas giras, em biquini ou em topless, nunca armam a tenda ao meu (vosso) lado, esteja a praia vazia ou a abarrotar. Já aquela senhora que devia ter deixado de fazer topless há pelo menos trinta anos funciona com precisão matemática, e ocupará o parco espacinho perto da minha (vossa) toalha. Provavelmente até dará início à discussão "essa sombra é minha".
Curiosamente gosto muito do mar. Gosto de observá-lo na minha terra, do cimo das falésias, enquanto vejo as ondas esmagarem-se contra os rochedos lá em baixo e acompanho a subida e a descida da maré. Gosto de estar na falésia à noite, quando o céu está limpo, e apenas a Lua dá alguma luz. E de praia, gosto das esplanadas. Gosto muito de uma boa esplanada de praia: de estar confortavelmente sentado numa cadeira, à sombra de um belo guarda-sol, a saborear uma cerveja bem geladinha e a ler um livro, ou simplesmente a conversar com uma boa companhia. E sim: quando estou na esplanada da praia, a sombra é minha.
john
*Serendipity é uma palavra inglesa da qual, confesso, gosto muito - tanto do som em si, como do conceito.









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