26.6.09

je ne sais quoi

Eu já tinha isto na calha há algum tempo, assim de forma diferente, mas pronto, a coisa perdeu-se porque na altura tive preguiça de procurar imagens. Também não o vou fazer agora, mas isso, caro leitor, interessa pouco. Quero apenas dizer que a pessoa mais azarada que conheço - ou que não conheço, melhor dizendo - é Farrah Fawcett, uma das Charlie's Angels originais, não daquela merda com a Liu, a Barrimore e a Diaz, que foi o filme com o elenco cheio de gajas mais sobrevalorizadas de sempre. A Lucy, pronto, sempre é assim orientalizada, mas dentro do género há as giras e as feias, e ela, por mais divertida que possa ser, cai na segunda categoria. Da Drew, enfim, não há muito a dizer. E da Cameron, os anos passam, e se ela no célebre A Máscara estava simplesmente deslumbrante, daí para a frente foi o declínio absoluto, que nem a langonha na orelha do Doidos por Mary a salvou. Mas falava eu do azar da Farrah Fawcett, actriz de que não me lembro, mas que - leio - foi sex-symbol, e morreu ontem. O azar não é tanto ela morrer porque, enfim, morrer morremos todos, mais dia menos dia vamos todos fazer tijolo. Pessoalmente - aproveito para deixar o recado - no dia em que me finar quero um elogio fúnebre sincero e, se possível, tão imbecil como eu. E se os meus amigos precisarem de ideias, por favor perguntem ao John Cleese. Ele mostra como se faz um elogio fúnebre a sério*. Mas, dizia eu, o azar da Fawcett foi ter morrido no mesmo dia que o Michael Jackson. Não desejava isto ao meu pior inimigo. Jackson, o polémico Jackson, justamente intitulado o rei da pop, morreu por paragem cardíaca (versão oficial). Isto faz manchetes no mundo inteiro, e atira a pobre da Fawcett para as notas de rodapé, para as páginas de necrologia ou, se ela tiver sorte, para a secção "Breves". Injusto, tremendamente injusto para uma sex-symbol que se preze.

Claro que o próprio conceito de sex-symbol tem muito que se lhe diga. No fundo, é uma forma menos brejeira de dizer "gaja boa". Mas há gajas e gajas, e a simbologia é uma coisa tramada, caro leitor, e se uma "gaja boa" já é mais ou menos consensual, já uma "sex symbol" não é. Por exemplo, se o caro leitor me disser que a Scarlett Johansson (escreve-se assim?) é uma "gaja boa", eu concordo. Na hora, assim, e até acrescento "muito boa". Mas não acho a bela Scarlett uma sex-symbol. Enfim, manias. A uma sex-symbol não basta uma carinha laroca, um bom par de mamas, um rabinho atrevido e umas pernocas jeitosas. É necessário aquele je ne sais quoi que nos faz ficar a olhar para elas vezes e vezes sem conta. Por exemplo, uma das mulheres mais interessantes que vi até hoje nem era gira - mas, raios me partam, vê-la vestida daquela maneira enconstada à parede do cinema Londres no intervalo do Gran Torino a fumar o cigarro tão pausadamente continua a causar-me sonhos molhados. Repito, não era gira. Mas tinha aquele je ne sais quoi, aquele charme a que nenhum homem de bom gosto consegue ficar indiferente. Outra foi uma checa (suponho) que vi no Aeroporto de Praga quando lá fui em Novembro, que aliava esse je ne sais quoi a uma beleza sinceramente inigualável. Acredite, caro leitor, nunca vi uma mulher como aquela, e naquele momento quase desejei que o avião que ela esperava (o namorado devia regressar nele) fosse desviado para a Rússia por malvados piratas-do-ar e ela precisasse de consolo nos meus braços.

Regresso de Praga. Ora sucede que a Scarlett não tem esse je ne sais quoi, essa graça no olhar, no mais insignificante gesto, na postura. Ela sempre me deu a ideia de ter tudo aquilo ensaiado, bem estudadinho como o guião de um filme. Ao contrário da Nicole Kidman, por exemplo. Sim, estou a bater lugares-comuns (isto já melhora), mas a Nicole não só é uma grande actriz (apesar do The Golden Compass) como tem um charme irresistível. Isto ocorre-me agora a propósito do Eyes Wide Shut (ando a fazer maratona de Kubrick), um grande filme onde ela aparece simplesmente deslumbrante com aquele ar de professora primária (o pormenor dos óculos). Se bem que a Nicole nem é a minha preferida, confesso. E tudo isto apenas para falar de duas senhoras que não só se afastam do estereótipo "gaja boa" por não serem obviamente "boas" ou "giras", como têm precisamente esse je ne sais quoi de que tenho falado: Winona Ryder e Natalie Portman. A Natalie, pronto, tem aquele ar de eterna menina - eu ainda não vi o Closer. E a Winona tem os olhos mais fabulosos que já vi, que ficam a matar naquele rosto simples enquadrado em cabelo curtinho. Não sei a quem roubou ela os olhos (piada fácil), mas ficam-lhe muito bem. Vou atalhar caminho, que o texto está longo, apenas para referir mais três donzelas que merecem referência em qualquer top de sex-symbol que se preze: Rachel Weisz, que é como a Nicole Kidman, mas em melhor, Allison Sudol (a menina "A Fine Frenzy") e Emily Browning. Sim, esta é ainda muito jovem, mas dêem-lhe uns aninhos. Agora, caros leitores, ide ao Google Images pesquisar isto tudo. Saltar-vos-à à vista a minha ligeira tendência para ruivas, mas isso é defeito de fabrico que dificilmente será corrigido.

john

*Vão ao YouTube e procurem por "Graham Chapman Eulogy". Sim, hoje estou preguiçoso.

4 Comments:

Blogger Morales said...

Natalie Portman sempre! Winona "cleptomaniac" Rider nunca!

12:52 PM  
Blogger João Campos said...

Olhe que não, olhe que não. A Winona Ryder é uma actriz formidável.

2:35 PM  
Blogger Morales said...

Não ponho em causa os méritos da Sra. Rider enqto actriz. Apenas enquanto sex symbol.

3:07 PM  
Blogger João Campos said...

Lá está, é a subjectividade de que falo no texto. Pessoalmente, os olhos da Winona Ryder fazem mais por mim que as maminhas da Scarlet Johansson. Enfim, manias!

5:25 PM  

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