Falta de pontaria.
Porque nós, portugueses, não somos propriamente conhecidos pela nossa boa educação ou consciência cívica, os nossos espaços públicos foram adoptando uma série de soluções para evitar as consequências do nosso desleixo natural. Refiro-me naturalmente aos sensores de movimento que hoje em dia substituem os bons e velhos interruptores das lâmpadas das casas de banho de qualquer café, bar, loja do cidadão ou posto dos correios. Era hábito entrarmos na casa de banho, fazer a mijinha ou mandar o fax (ou as duas coisas) e sair sem apagar a luz, que por vezes ficava acesa durante todo o tempo de funcionamento do estabelecimento. Um desperdício de electricidade que deve ter feito muitos donos de restaurante enxugar as lágrimas às facturas da EDP. Problema resolvido: instala-se um sensor de movimento no circuito eléctrico. O sensor, quando detecta movimento, faz a luz acender. E, passado um bocadinho, se deixar de sentir movimento, apaga a luz. Inteligente, pensamos nós.
Muito pouco, concluímos nós, quando nos sentamos para aliviar a tripa e ficamos às escuras quando, passado um pouco, nos encontramos de papel higiénico na mão prontos a limpar o rabiosque. Perdoem a imagem, prezados leitores, e já agora a linguagem que se segue, mas por não ser uma pessoa com pudor de cagar em casa alheia, pública ou privada, dou recorrentemente por mim a bater palmas no escuro a ver se o cabrão do sensor me volta a apanhar e acende a luz. Acreditem: é um desconsolo. Um gajo já está aliviado e aquele maldito *click* do sensor ri-se na nossa cara, como quem diz "agora bate palmas ou limpa o cu ao escuro, meu cabrão". No escritório, é matemático: sento o rabo na sanita e fico ao escuro. O problema, no fundo, nem são os sensores em si, mas a incapacidade de quem os instala de os apontar para o sítio certo. Em muitos casos, eles estão apontados à porta, por isso parecem de facto inteligentes: entramos, eles acendem-se. Mas a maioria dos sensores das casas de banho masculinas não está preparada para que a gente se sente, e por isso, cinco segundos após estarmos sentadinhos a aliviar-nos, lá se vai a luz e toca a apalpar a parede à procura do papel higiénico. Ó senhores: é assim tão difícil apontar o raio do sensor para o sítio certo?
Podia também falar daquelas irritantes torneiras com sensor de movimento (ó deuses), que nos fazem agitar freneticamente as mãos em frente a um ponto invisível na esperança de ver a água correr. Ou mesmo das antecessoras: das torneiras que têm um tempo de duração limitado, que por norma ou é demasiado longo, e dá para três utilizadores tomarem um duche, ou demasiado curto e nem nos dá tempo de chegar com as garras ao sabonete. Saudades das torneirinhas de rosca, que nos permitiam controlar o tempo e a intensidade da água corrente. Já nem entro nos secadores de mãos, provavelmente a invenção mais estúpida da humanidade. Os tempos estão para a poupança, é o que dizem, e estas invenções estúpidas multiplicam-se. Mas é o que digo: a culpa é nossa, e só nossa. Tenho cá para mim que se todos nós apagássemos sempre a luz, ninguém se tinha lembrado do raio dos sensores.
john
Muito pouco, concluímos nós, quando nos sentamos para aliviar a tripa e ficamos às escuras quando, passado um pouco, nos encontramos de papel higiénico na mão prontos a limpar o rabiosque. Perdoem a imagem, prezados leitores, e já agora a linguagem que se segue, mas por não ser uma pessoa com pudor de cagar em casa alheia, pública ou privada, dou recorrentemente por mim a bater palmas no escuro a ver se o cabrão do sensor me volta a apanhar e acende a luz. Acreditem: é um desconsolo. Um gajo já está aliviado e aquele maldito *click* do sensor ri-se na nossa cara, como quem diz "agora bate palmas ou limpa o cu ao escuro, meu cabrão". No escritório, é matemático: sento o rabo na sanita e fico ao escuro. O problema, no fundo, nem são os sensores em si, mas a incapacidade de quem os instala de os apontar para o sítio certo. Em muitos casos, eles estão apontados à porta, por isso parecem de facto inteligentes: entramos, eles acendem-se. Mas a maioria dos sensores das casas de banho masculinas não está preparada para que a gente se sente, e por isso, cinco segundos após estarmos sentadinhos a aliviar-nos, lá se vai a luz e toca a apalpar a parede à procura do papel higiénico. Ó senhores: é assim tão difícil apontar o raio do sensor para o sítio certo?
Podia também falar daquelas irritantes torneiras com sensor de movimento (ó deuses), que nos fazem agitar freneticamente as mãos em frente a um ponto invisível na esperança de ver a água correr. Ou mesmo das antecessoras: das torneiras que têm um tempo de duração limitado, que por norma ou é demasiado longo, e dá para três utilizadores tomarem um duche, ou demasiado curto e nem nos dá tempo de chegar com as garras ao sabonete. Saudades das torneirinhas de rosca, que nos permitiam controlar o tempo e a intensidade da água corrente. Já nem entro nos secadores de mãos, provavelmente a invenção mais estúpida da humanidade. Os tempos estão para a poupança, é o que dizem, e estas invenções estúpidas multiplicam-se. Mas é o que digo: a culpa é nossa, e só nossa. Tenho cá para mim que se todos nós apagássemos sempre a luz, ninguém se tinha lembrado do raio dos sensores.
john









2 Comments:
LOL, é o que te digo, o tédio é amigo do génio! Já me ri à tua pala hoje!
Ainda bem! :)
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