18 de Novembro
Resumindo esta notícia da Blitz, sobre uma polémica que se tem vindo a arrastar:
1) O agente dos Arcade Fire diz que a banda já não tem disponibilidade para adiar o concerto - poderá tocar em Lisboa antes, mas não depois de 18 de Novembro -, dando a entender que houve um momento em que a hipótese de se adiar o concerto era plausível;
2) Não há autorização "da cidade" para que o concerto se realize antes de dia 18;
3) Álvaro Covões, da Everything is New [promotora do concerto], mantém o finca-pé, afirmando que o concerto é legal e vai acontecer na data prevista e no local definido [Pavilhão Atlântico];
4) O Ministério dos Negócios Estrangeiros reafirma que a realização do concerto, naquela data e naquele local, é impossível devido à cimeira da NATO, que tem início a 19 de Novembro;
5) Álvaro Covões afirma que o MNE não tem autoridade para cancelar o concerto a três semanas da sua realização;
6) O MNE afirma ter enviado uma comunicação escrita em Julho, onde foi exposta a impossibilidade da realização do concerto;
7) Álvaro Covões diz ser-lhe devida uma indemnização, caso o concerto não se realize.
A verdade é que os bilhetes para Arcade Fire foram postos à venda em Julho. Independentemente da data em que o concerto foi agendado entre a promotora, o Pavilhão Atlântico e a banda, os bilhetes apenas começaram a ser vendidos ao público no início de Julho. Logo, se o MNE colocou todas as entidades a par da situação, Álvaro Covões e a EiN não têm razão. Aliás, houvesse bom senso na EiN, e seria óbvio e o concerto não se poderia realizar ao lado do local onde, no dia a seguir, vai decorrer uma cimeira da NATO - evento sempre rodeado de um enorme e necessário aparato de segurança. Álvaro Covões não se pode defender com argumentos como "os senhores [MNE, suponho] mandaram uma carta para o Pavilhão Atlântico com conhecimento da Everything Is New - dar conhecimento não é dirigir". Isto é pura má-fé, e acima de tudo, é falta de profissionalismo. A EiN devia, naquela altura, e com poucos bilhetes ainda vendidos (se já estavam de facto à venda) , ter falado com a banda para uma solução ser encontrada, quando tal ainda seria possível. "Falar com quem de direito", como a dada altura afirma o (ir)responsável da promotora, foi feito. Falaram com ele. Se não preparou uma solução de contingência, a responsabilidade é apenas sua.
Álvaro Covões tem porém razão num ponto: "se o concerto não acontecer, alguém tem de pagar". Dito de outra forma: se o concerto não se realizar, nesta ou noutra data próxima, as quase 20 mil pessoas que já adquiriram ingressos terão de ser reembolsadas. A haver concerto noutra data, a promotora deverá reembolsar quem o desejar, e permitir que os ingressos já adquiridos sirvam para o novo concerto, para quem preferir essa opção. Qualquer outra solução é irresponsável e inadmissível - e aos fãs da banda é irrelevante saber quem paga a indemnização: se é o MNE, ou se Álvaro Covões tem de ir pedir dinheiro para a linha verde do Metro de Lisboa. O que é de facto vergonhoso é estarmos a dezanove dias do concerto neste impasse.
john









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