Frei Tomás #3
Mr. Brown diz que o meu erro é atribuir ao psd posições que este não tem. Diz ainda que esse é um erro recorrente em mim. Diria o seguinte sobre esta última parte: .
Vamos ver se nos entendemos, diz que o psd não assume que é contra as PPPs tout court. Pergunto: se não é contra o esquema de financiamento PPP, então é contra o quê? É contra o facto de elas se fazerem em Governos ps? Esclareçam-me.
O psd diz que o problema é (i) que o project finance em esquema PPP assenta no princípio perverso de fazer obra hoje e serem as gerações futuras a pagá-la; e (ii) que esse esquema transfere todo o risco associado ao projecto para o Estado, retirando-o dos Privados. Ora, em nenhum momento o psd incorpora a variável tempo neste argumentário. Assim, todos estes argumentos se aplicam ontem como hoje e mesmo amanhã. As PPP oneram as gerações futuras hoje, como o faziam há vinte anos. As PPP transferem o risco para o Estado hoje, como o faziam há vinte anos.
«Mas se o jtf já sabe que o PS abusou das PPP, já vai a meio caminho para concordar quer comigo, quer contra muitos dos que tenta descredibilizar.»
O problema aqui não é concordar consigo ou não. O facto é que eu digo que o psd não pode condenar as PPPs, ser confrontado com o facto de ter sido o pai da criança e depois demitir-se da paternidade. Mais, para além de se demitir da paternidade, justifica-se dizendo que o ps fez mais filhos. Simples. Aliás, eu não procuro descredibilizar ninguém, eles próprios poupam-me o trabalho de procura.
Mais, com esse argumento tempo poderemos - na oposição - dizer o que nos apetece. A qualquer opção política apresentada, a oposição reponderá «Somos contra.». O Governo retorquiria «Mas você fez o mesmo.», ao que responderão «É verdade, tem razão, mas somos contra agora.». Sem que liguem nenhum dos argumentos pelos quais são contra, ao facto da implementação ter lugar em momentos diferentes no tempo.
jtf
Vamos ver se nos entendemos, diz que o psd não assume que é contra as PPPs tout court. Pergunto: se não é contra o esquema de financiamento PPP, então é contra o quê? É contra o facto de elas se fazerem em Governos ps? Esclareçam-me.
O psd diz que o problema é (i) que o project finance em esquema PPP assenta no princípio perverso de fazer obra hoje e serem as gerações futuras a pagá-la; e (ii) que esse esquema transfere todo o risco associado ao projecto para o Estado, retirando-o dos Privados. Ora, em nenhum momento o psd incorpora a variável tempo neste argumentário. Assim, todos estes argumentos se aplicam ontem como hoje e mesmo amanhã. As PPP oneram as gerações futuras hoje, como o faziam há vinte anos. As PPP transferem o risco para o Estado hoje, como o faziam há vinte anos.
«Mas se o jtf já sabe que o PS abusou das PPP, já vai a meio caminho para concordar quer comigo, quer contra muitos dos que tenta descredibilizar.»
O problema aqui não é concordar consigo ou não. O facto é que eu digo que o psd não pode condenar as PPPs, ser confrontado com o facto de ter sido o pai da criança e depois demitir-se da paternidade. Mais, para além de se demitir da paternidade, justifica-se dizendo que o ps fez mais filhos. Simples. Aliás, eu não procuro descredibilizar ninguém, eles próprios poupam-me o trabalho de procura.
Mais, com esse argumento tempo poderemos - na oposição - dizer o que nos apetece. A qualquer opção política apresentada, a oposição reponderá «Somos contra.». O Governo retorquiria «Mas você fez o mesmo.», ao que responderão «É verdade, tem razão, mas somos contra agora.». Sem que liguem nenhum dos argumentos pelos quais são contra, ao facto da implementação ter lugar em momentos diferentes no tempo.
jtf









1 Comments:
Caro jtf,
"Vamos ver se nos entendemos"
Vamos lá então:
"se não é contra o esquema de financiamento PPP, então é contra o quê? É contra o facto de elas se fazerem em Governos ps? Esclareçam-me."
No PSD há posições variáveis (e algumas com as quais não concordo de todo), mas tentarei explicar a partir da minha própria posição. i) é diferente ter PPP que impliquem o pagamento de x durante 20 anos, ou ter PPP que impliquem o pagamento de 10x durante 20 anos; ii) é diferente fazer uma PPP para financiar um investimento rentável do que para financiar um investimento não rentável; iii) no actual contexto, o agora a que se refere, estamos numa crise financeira que não existia anteriormente, e o estado português tem um nível de endividamento externo absurdo quando comparado, por exemplo, com o nível de há cinco anos atrás (sim, inacreditavelmente basta recuar cinco anos), logo, o financiamento é escasso, e se o Estado leva a cabo projectos seus que requerem maior financiamento, contribuiu para o crowding out do investimento privado (como não contribuia no passado), ou seja, a utilização do agora é legítima quando há argumentos que o justifiquem; iv) as PPP contribuem para camuflar divida publica. Este último ponto é um problema que seria de pouca importância caso estivessemos a falar de um volume de PPP baixo, mas porque temos PPP em excesso, é um problema gritante (Portugal, neste aspecto, está mesmo no topo das economias mundiais com maior camuflagem de divida publica). E este último ponto, lá está, relaciona-se com as tais gerações futuras que não devem pagar indiscriminadamente todas as obras de hoje. Mas, mais uma vez, o João Teago atribui ao PSD uma posição que não existe: como nunca ouvi ninguém do PSD defender o fim da divida pública, é óbvio que reconhecem que parte da obra de hoje terá de ser paga por gerações futuras, não fossem essas mesmas gerações aproveitar tais obras. O problema é o montante absurdo de responsabilidade que estamos a passar para as gerações futuras. Não me peça para explicar melhor pois reconheço que se não deixo claro o que pretendo dizer com este comentário, eu não consigo fazer melhor.
Último ponto: refere que o risco passa todo para o Estado e retira-o dos privados. Está enganado. Passa porque o Estado tem negociado os contratos de forma a que assim aconteça. Nem todos os riscos precisavam de ficar com o Estado. Também por isso fiz referência à renegociação do contrato com a Lusoponte em 2000 e ao sucesso das PPP noutros países.
Um abraço.
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