The Lord of the Rings, releitura #3
Entre as 17h de Sábado e as 02h de Domingo, reli os últimos capítulos de The Fellowship of the Ring (desde a partida de Lothlórien até ao final) e toda a primeira parte de The Two Towers. Uma bela maratona. Tolkien, um dos maiores escritores do século XX (isto não é discutível), consegue ser simultaneamente uma inspiração e uma desmotivação para qualquer pessoa que queira escrever fantasia. Inspiração porque The Lord of the Rings é uma obra monumental, é a fundação da fantasia moderna enquanto género literário, e é um rasgo de imaginação raríssimo, aliado a uma incrível capacidade de criação de mundos e a talentos linguísticos e narrativos ímpares. Desmotivação porque qualquer coisa escrita que se lhe aproxime ficará sempre na sua sombra, destinada a perder por comparação. Isto não faz do género de high fantasy refém do velho professor, atenção; felizmente, há variedade suficiente para surgirem histórias com Elfos, Anões e Orcs muito boas (ler The Brothers War, de Jeff Grubb), e ainda há espaço para se criar fantasia muito original (ler a trilogia His Dark Materials, de Philip Pullman). Mas Tolkien fundou um género, estabeleceu um cânone, e colocou a fasquia num patamar praticamente inacessível. Quem vier a seguir terá de se contentar com a sombra.
john









2 Comments:
João, tenho os livrinhos do Tolkien bem guardados mas é só para preservação de relíquia a apanhar pó na estante. Isso de reler ainda não é cá comigo: com tanta coisinha boa que me falta ler, sempre que releio alguma coisa tenho a sensação incómoda de estar a perder tempo se submetesse a releitura às condições específicas de uma avaliação do seu custo de oportunidade. Isto de reler só daqui a 15, 20 anos, especialmente aqueles livrinhos que já os li e, apesar da sensação agradável com que fiquei no término da leitura, julgo estar longe de os ter compreendido totalmente. Mas a simples referência ao The Fellowship of the Ring, o meu favorito da triologia, fez-me repensar se não devia 'perder' algum tempo a reler alguns dos melhores capítulos da obra. É que esse foi mesmo um dos livros que me garantiu maior prazer enquanto o lia. E, obviamente, concordo com quase tudo o que refere sobre Tolkien e a elevada fasquia sob a qual todos os livros do género acabam por ser comparados.
Eu sou muito dado a releituras. Ia agora explicar porquê, mas a coisa ia dar comentário longo, e aproveito para escrever um post sobre isso, que é sempre melhor. Mas não acho que seja perda de tempo.
Abraço (e votos de bom ano, já agora!)
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