Direitos Reais
O tema da campanha eleitoral foi a descida da tsu, bandeira-ao-vento dos tecnocratas da lapa. O passar do tempo é, sempre, um óptimo sedativo à loucura com que se olham as pessoas, os factos e os caniches. No derradeiro duelo para as últimas legislativas, o anterior primeiro-ministro defendeu a ideia de que uma descida grande da tsu era nefasta para o equilíbrio orçamental geral e que esse tipo de estímulo à competitividade necessitaria de um estudo mais aturado para que a demagogia não toldasse os ímpetos mais desconfiados. Passos Coelho encheu-se e cresceu sobre si, inchando de leveduras e de azeites. O passar do tempo muda as análises de vitória dos debates; e talvez alguns comentadores - e, quiçá, chefes-de-estado - devessem emendar a mão. Choca-se com a realidade - sem airbag - com muita facilidade.
jtf









5 Comments:
Tens toda a razão, camarada. No entanto, duvido que o anterior primeiro-ministro seja um exemplo de transparência, de amor à verdade e de promessas eleitorais cumpridas. Note-se que, para mim que não votei no PS em 2005 e 2009, mas que votei no PSD em 2011, não se justificam os erros do actual Governo com os disparates do Governo anterior - como tal, estou bastante desiludido com a leviandade com que se têm quebrado alguns compromissos e com alguma demagogia barata que se tem feito por aí. A invocação de Sócrates como exemplo é que me parece, no mínimo, despropositada, até porque fez exactamente o mesmo (recordar a promessa de não aumentar impostos e dos famosos 6,83% do défice, entre outras) - mesmo dando de barato que desde Dom João II não temos um governante decente, com visão e com amor ao país.
camarada, o meu único propósito com este post era discutir um assunto em concreto. não procurei - nem procuro - tirar daí quaisquer tipo de interpretações gerais sobre a transparência ou o amor-à-verdade. neste caso concreto - a tsu - quem tinha razão e quem foi sério foi Sócrates. isto não quer dizer que seja um «exemplo» de seriedade e de razão, ou razoabilidade. a seriedade e a idoneidade não são exclusivos de passos coelho, como tem sido moda. bem sei que dizer isto implica que me colem a uma defesa cega do anterior PM, num portugal onde é impossível defender Sócrates no que quer que seja sem que se seja enxovalhado. mas, confesso-te, é para o lado que durmo melhor. ambos são sérios e ambos são pouco sérios.
abraço,
jtf
«O tema da campanha eleitoral foi a descida da tsu»
Achei que tinha sido o pedido de intervenção externa feita pelo governo PS.
João: Uma vez mais, mesmo que não seja a tua intenção estabelecer essa comparação (que seja ou não), é a primeira ideia que passa. Se Sócrates tinha ou não razão, saber-me-ás dizer tu, que percebes mais do assunto que eu. Se me perguntares se a história da TSU parece uma trapalhada, digo-te que sim, que parece - mais uma.
De facto, é difícil defender Sócrates em Portugal. Mas tenho cá para mim que o sujeito é como Alberto João Jardim: indefensável. Abraço.
Lourenço: Pois, também eu.
camarada, eu escrevi exactamente aquilo que queria escrever e tudo quanto está no post mantenho. as leituras que se fazem - ou procuram fazer - sobre os textos são legítimas, mas não passam disso mesmo: leituras. eu comentei apenas um tema concreto num período concreto. aquando daquela entrevista pareceu um lugar-comum que passos tinha ganho a discussão. contudo, a meu ver, passado este tempo parece-me evidente que passos coelho vai fazer o que sócrates defendeu nessa altura. não há aqui juízos genéricos de seriedade nem da falta dela. sócrates tinha razão, ponto. nada mais do que isso.
eu acho que sócrates é tão defensável como qualquer outro. depende da defesa.
o tema que certos protagonistas das últimas eleições legislativas puseram no centro do debate foi a descida da tsu. o pedido de intervenção externa feita pelo governo ps poderá ter sido a razão do voto.
abraços,
jtf
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