2012: o ano (que dizem) que ninguém quer... (I)
Tem sido hábito institucional e jornalísitico desde que me lembro (e admitamos: não me lembro de muito...) os senhores da comunicação social fazerem, por alturas do novo ano, um apanhado do ano que finda e um auspicioso prognóstico do ano que começa. Este ano não foi excepção.
Fizeram-se reportagens e montagens de imagens das tragédias do ano de 2011 - vulcões, terramotos, centrais nucleares, primeiros-ministros que se demitem, primeiros-ministros que são eleitos, técnicos do FMI que chegam ao aeroporto de Lisboa e apanham o táxi... enfim, esse tipo de coisas. É bonito de ver uma retrospectiva da nossa vida (ainda que noticiosa apenas) desta forma. Dizem que quando uma pessoa está à beira da morte a sua vida passa diante dos seus olhos porque o cérebro está a correr todo o arquivo à procura de uma coisa qualquer, de um qualquer diminuto pedacinho de informação que possa ser útil numa situação semelhante... Se as retrospectivas da televisão servissem esse propósito, a única infrmação útil a ser recolhida seria referente a formas excruciantes de cometer suicídio colectivo. Isto porque os auspiciosos prognósticos do ano seguinte - deste ano seguinte, 2012 - são tudo menos auspiciosos.
A "sic" - que deve significar "sociedade independente de canibalismo" - chamou-lhe "2012: o ano que ninguém quer!" Tchã-tchã! Bum! (Fundo de música dramática e relâmpagos misteriosos que anunciam algo de maléfico.) Com isso dito, lançou-se a fazer prognósticos incríveis daquilo que os pobres dos Portugueses enfrentam no ano que começou. Mais impostos, mais portagens, mais maldades, mais injustiças, mais pobreza generalizada, mais desemprego, mais retrocesso civilizacional. E até aqui tudo bem - porque até deve ser verdade, disso não duvido. Mas a forma fatalista como tudo isso é dito deixa-me muitíssimo irritado. Porque não há querer ou não querer: 2012 começa às 00:00 do dia 1 de Janeiro quer queiramos quer não. É uma fatalidade do destino... e do calendário. Vai ser uma ano duro e difícil para a maioria avassaladora das pessoas, é um facto. Mas de que serve à televisão, que hoje detém o monopólio da informação, augurar a desgraça para todos? De que serve - e a quem serve? - deitar as mãos à cabeça e dizer, enquanto se corre em círculos como uma galinha decapitada, que estamos perdidos e que vamos todos morrer e os Maias (os índios, não os do Eça de Queirós) é que tinham razão?
Os Portugueses já têm, por si, uma tendência tremenda para aquela posição ideológica que só se pode chamar de "desgraceirismo" (inventei agora - gostam?). Mas, por outro lado, também têm uma tremenda (e paradoxal) tendência para os actos de abnegação e coragem, sendo fáceis de galvanizar por uma liderança forte, clara e que eles considerem exemplar.
Daí que eu pergunte: de que serve anunciar 2012 como sendo um ano que ninguém quer, sendo que não há ninguém no Mundo que possa saltar imediatamente para 2013 - ou 1967 para todos os efeitos?
fp
Fizeram-se reportagens e montagens de imagens das tragédias do ano de 2011 - vulcões, terramotos, centrais nucleares, primeiros-ministros que se demitem, primeiros-ministros que são eleitos, técnicos do FMI que chegam ao aeroporto de Lisboa e apanham o táxi... enfim, esse tipo de coisas. É bonito de ver uma retrospectiva da nossa vida (ainda que noticiosa apenas) desta forma. Dizem que quando uma pessoa está à beira da morte a sua vida passa diante dos seus olhos porque o cérebro está a correr todo o arquivo à procura de uma coisa qualquer, de um qualquer diminuto pedacinho de informação que possa ser útil numa situação semelhante... Se as retrospectivas da televisão servissem esse propósito, a única infrmação útil a ser recolhida seria referente a formas excruciantes de cometer suicídio colectivo. Isto porque os auspiciosos prognósticos do ano seguinte - deste ano seguinte, 2012 - são tudo menos auspiciosos.
A "sic" - que deve significar "sociedade independente de canibalismo" - chamou-lhe "2012: o ano que ninguém quer!" Tchã-tchã! Bum! (Fundo de música dramática e relâmpagos misteriosos que anunciam algo de maléfico.) Com isso dito, lançou-se a fazer prognósticos incríveis daquilo que os pobres dos Portugueses enfrentam no ano que começou. Mais impostos, mais portagens, mais maldades, mais injustiças, mais pobreza generalizada, mais desemprego, mais retrocesso civilizacional. E até aqui tudo bem - porque até deve ser verdade, disso não duvido. Mas a forma fatalista como tudo isso é dito deixa-me muitíssimo irritado. Porque não há querer ou não querer: 2012 começa às 00:00 do dia 1 de Janeiro quer queiramos quer não. É uma fatalidade do destino... e do calendário. Vai ser uma ano duro e difícil para a maioria avassaladora das pessoas, é um facto. Mas de que serve à televisão, que hoje detém o monopólio da informação, augurar a desgraça para todos? De que serve - e a quem serve? - deitar as mãos à cabeça e dizer, enquanto se corre em círculos como uma galinha decapitada, que estamos perdidos e que vamos todos morrer e os Maias (os índios, não os do Eça de Queirós) é que tinham razão?
Os Portugueses já têm, por si, uma tendência tremenda para aquela posição ideológica que só se pode chamar de "desgraceirismo" (inventei agora - gostam?). Mas, por outro lado, também têm uma tremenda (e paradoxal) tendência para os actos de abnegação e coragem, sendo fáceis de galvanizar por uma liderança forte, clara e que eles considerem exemplar.
Daí que eu pergunte: de que serve anunciar 2012 como sendo um ano que ninguém quer, sendo que não há ninguém no Mundo que possa saltar imediatamente para 2013 - ou 1967 para todos os efeitos?
fp









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