2012: o ano (que dizem) que ninguém quer... (II)
Talvez eu tenha sido influenciado em demasia por algumas das minhas leituras de adolescência. Talvez eu tenha uma alarmante tendência para a desconfiança e para um exercício de escavação arqueológica de foro intelectual, procurando vestígios de conspirações secretas ou discretas no sentido de implementar uma ordem na qual a corrupção e a corruptibilidade são vantagens e virtudes. No passado talvez fosse mesmo um acto de escavação. Hoje é um passeio pelo campo no qual encontramos, não apenas vestígios, mas autênticas cidades e templos quase intactos. Como se andássemos à procura de umas pontas de flecha e econtrássemos Abu Simbel, Pompeia e Herculano ao virar de cada esquina. Procurar conspirações já não é estimulante. É demasiado fácil! Encontram-se aos magotes.
Já falei sobre esta questão de 2012 ser "o ano que ninguém quer". Já reflecti sobre a unidireccionalidade do calendário e o facto de não se poder querer um ano em particular. Mas resta-me reflectir (escavando um bocadinho aqui e acolá) sobre o porquê de nos quererem dizer que não podemos ou não devemos querer o ano de 2012 - proposição absurda? Talvez não.
Para começar - chamem-me cínico, não me importo - não confio nas agências noticiosas. E também não confio no(s) Governo(s). Ambos estão carregados de políticos e ex-políticos e o primeiro ponto da minha doutrina é: "nunca confiar em políticos." Para ser franco, os primeiros seis ou sete pontos da minha doutrina são: "nunca confiar em políticos." Sou mesmo assim: repetitivo.
A governação está a ser conduzida no sentido único de violentar e empobrecer a maioria, baixando o preço do trabalho, limitando as possibilidades das empresas sobreviverem, recortando a vida das pessoas no sentido de estarem cativas do dinheiro feito pelos bancos, escravizadas pela ideia de que não há outra hipótese que não "morder a bala" - bite the bullet (a língua Inglesa é muito mais rica que a nossa em metáforas militares) - e aguentar a borrasca.
Simplesmente, não há borrasca nenhuma... o que há é governos e interesses financeiros que soaram a sirene de tempestade, convenceram as pessoas (que através da televisão são mantidas estúpidas a curto prazo e que através da escola são tornadas estúpidas a longo prazo) a descerem às suas caves, onde se trancaram. E, debaixo de um agradável sol de Inverno (ou de qualquer estação do ano à escolha), os políticos e banqueiros batem em latas e panelas para fazerem um ruído infernal, simulando uma tempestade tremenda.
As pessoas, assustadas, quando desceram às suas caves deixaram as carteiras na mesa do hall de entrada das suas casas. E aí se encontram à disposição dos ladrões de fato e gravata, mercenários da inutilidade e da incompetência, paladinos da corruptibilidade, verdadeiros bandidos do far-west - mas sem o cavaleiro solitário para lhes fazer frente.
Dizem-nos que 2012 será o ano que ninguém quer para que fiquemos assustados, enrolados em mantas na cave, enquanto esperamos que a tempestade acabe...
A tempestade vai acabar eventualmente, sim. Bater em latas é cansativo e, ao fim de uns anos é monótono. E, se demorar demasiado tempo alguém vai suspeitar de um embuste mais cedo ou mais tarde. (Além disso as carteiras roubadas têm fundos limitados.) Então, as pessoas vão emergir das caves - magras e ofuscadas pelo sol, não vão conseguir perceber que os mercenários estão tão mais anafados quanto elas estão escanzeladas. E o processo recomeçará novamente...
fp









0 Comments:
Post a Comment
<< Home