10.1.12

O (des)Governo e a sua opaca transparência (I)

Chamem-me ingénuo. Não seria a primeira vez. Talvez seja de ser novinho e inexperiente e pouco viajado. Aceito - chamem-me ingénuo. Crédulo. Tanso, até. Aceito tudo - e com razão. É que quando o Governo do Sr. Pinto de Sousa caiu eu - e tantos outros patetas, i.e., Portugueses - achámos que um novo Governo chefiado pelo Pedro Passos Coelho seria uma solução. Uma solução de circunstância com a solidez que precisávamos na altura em que foi.
Achei que o não envolvimento do Pedro Passos Coelho em Governos anteriores seria algo de positivo. Não parecia ter telhados de vidro - mas todos os têm. E ele também... não sabemos é quais, pelo menos nesta fase do campeonato.
A governação começou com energia e decisão. Sem medos aparentes, começam a assumir-se compromissos impopulares e a população estava a aceitar um S. Pedro Passos Coelho em estado de graça. Mas deixou de ter graça... e a graça ficou gracinha e a gracinha tornou-se tragédia. Não para ele - para nós que não temos os confortos e as subvenções daquele outro santo do breviário católico - o S. Bento...
O Primeiro Ministro começou com tudo com deslealdade. Não quis auditar as contas públicas e, escudado pelo pela gigantesca paquidermia do Estado, pôs-se a olhar para a frente - mas com umas palinhas nos olhos: não dos lados, mas pela frente.
Falou de cortar nas gorduras do Estado. Aplaudi. E pensei: não gosto lá muito dele, mas isto é boa ideia; pode ser que liberte o contribuinte do ónus de arcar com as responsabilidades totais da má governação dos últimos trinta anos. Não cortou nada no Estado. Apenas cortou nos funcionários do Estado e nos pensionistas. "Semântica, meu amigo!" - porque a bem ver, na lógica enviesada dos governantes, funcionários públicos e pensionistas recebem do Estado, logo, são Estado.
E agora, embicado na austeridade, fala de revitalizar a economia enquanto aumenta os impostos por todos os lados e os administradores (velhos e novos, recrutados à pressa no seio das Universidades Privadas) passam ao largo do empobrecimento das pessoas, da economia, das empresas e de tudo quanto gera riqueza concreta e material.
De sonhos de transparência e rectidão, passámos para o pesadelo real da opacidade decisória, da austeridade distribuída com o arbítrio de quem não quer partilhar o fardo - fardo que foi enfardado pelo próprio e pela sua corporação naquele infame "kolkhoz" que é o Governo - não interessa quem manda.
Chamem-me ingénuo. De facto, não seria a primeira vez...

fp

0 Comments:

Post a Comment

<< Home