Eles precisam de ti
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É relativamente fácil contrariar a ideia de que tudo isto é novo e de que Aníbal António pisou, fortuitamente, o presente que um jornalista mais irreverente lhe pôs num passeio do Porto. Cavaco é, e sempre será, Cavaco. É «isto» e «isto» será até ao fim. Monumento de admiração ao sonso, eterno-austero, Boliqueime reencarnada num interior de primeira metade do século. Agarrado até ao fim à ideia do respeitinho autoritário e reverencial, de quem nunca ninguém poderá sequer ousar duvidar, sob pena de suportar o incómodo de ter que nascer duas vezes. Acresce o exercício cómico de pretender fazer com que o comum dos cidadãos se torne um parvo amestrado, pronto ao mais sibilino dos impropérios, guiado pela trela e movendo-se a puxões de galope. Na mais simples das aritméticas, se 295 salários mínimos e 290 salários médios não chegam para pagar as contas do MEO, água, luz e gás; resta-nos a hipótese de atoalhados bordados a ouro, safiras e rubis, vivendas com jardim junto ao mar ou comprimidos de hipocrisia e de despudor.
jtf










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