11.4.12

Do Mérito

Muita gente ainda não realizou (como agora se diz) que o grande problema das sociedades modernas é a desigual distribuição do rendimento; tema que André Barata muito bem focou num Prós-e-Contras passado. Ora, esta é uma facticidade que nos salta à cara passo sim passo não, mesmo quando pensamos estar perante acontecimentos mundanos e menores. Por exemplo, quando a RTP convida pessoas decantadamente qualificadas, professores universitários, peritos neste ou naquele assunto, estudiosos dedicados para comporem um painel de análise no programa Prós-e-Contras, não raras vezes a soma dos rendimentos mensais dos dez ou quinze convidados não chega para igualar o rendimento da moderadora que, como se sabe, não demonstra ter conhecimento reconhecível para coisa alguma. Do mesmo modo, todas as semanas, a população portuguesa assiste à missa dominical do Professor Marcelo com admirável dedicação. Nela, Júlio Magalhães desempenha com virtuosismo o papel do submisso-ignorante-em-pousio-eterno, esperando que o brilhantismo e a sapiência do Professor (tudo isto é apimentado convenientemente com a palavra «Professor» no final de cada frase ou de cada interjeição) lhe ilumine o caminho. Também aqui, seriam precisos vários meses de Professor Catedrático para igualar o untuoso salário de Magalhães.

Será esta a meritocracia de que nos falam?!

jtf

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