O país que merecemos.
Num país decente, toda esta embrulhada com Miguel Relvas e a jornalista do Público teria como conclusão óbvia a sua demissão - e seria o próprio a abrir a porta. Diz que nos países nórdicos, que tão frequentemente veneramos, já caíram ministros por menos. Em Portugal, o caso rende umas quantas manchetes, suscita meia dúzia de indignados, o ministro balbucia um pedido de desculpas mal amanhado - como se isso fosse suficiente - e continua tudo na mesma.
São é inúteis as conversas de "ah e tal, se fosse o Sócrates". Quando foi o primeiro-ministro José Sócrates a "pressionar" jornalistas, os seus opositores apontaram o dedo e os seus apoiantes e simpatizantes assobiaram para o ar. Agora que é Relvas - ministro do executivo de Passos Coelho - a pressionar os jornalistas, em termos gerais os papéis inverteram-se. Quem antes criticava Sócrates ou fica calado, ou dispara bojardas destas. Quem antes desvalorizava os casos de Sócrates pede a demissão e o fogo do Inferno para Relvas.
A única conclusão lógica é que nós, portugueses, temos os políticos - e o país - que merecemos.
john









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