2.7.12

Ai o défice!... II

Recentemente o Ministro das Finanças disse que — espantosamente — a meta para o défice não seria cumprida porque as receitas fiscais não estavam a ser aquilo que se julgava. Já comentámos.
Mais recentemente ainda o Primeiro Ministro disse que — espantosamente, mais uma vez, porque os nossos governantes não cessam de me espantar... —, não tendo sido atingida a meta do défice (que deveria ser 5%, mas anda à volta dos 8%) seria necessário fazer alguma coisa em relação a isso. E o que acha ele que se deve fazer? Aplicar mais medidas de austeridade, naturalmente.
Porque nisto de política há uma regra: em equipa que perde não se mexe, não vá o povo tomar consciência das coisas e partir umas carantonhas com miniaturas do Mosteiro dos Jerónimos em bom granito da Beira...
Sei pouco de política e ainda menos de economia. Sei fazer contas e, mesmo assim, com alguma dificuldade e com vincado espírito de merceeiro. Mas apesar das minhas dificuldades técnicas, há uma coisa que eu sei: ver que esta ideia de austeridade não funciona. E os senhores doutores / engenheiros / economistas que mandam em nós, acham que sim, que a austeridade funciona, muito embora dê provas cabais de não funcionar em lado nenhum...
O raciocínio parece ser simples — porém, simples demais para eles perceberem porque, enfim, a economia é uma coisa complexa e os mercados são imprevisíveis e sagrados como o é a ira de Deus!
Se a economia está em recessão não se pode, para ultrapassar a recessão, aplicar políticas de empobrecimento da maioria da população. Se a população fica empobrecida e onerada com impostos, sobretudo quando a população não é muito rica e não gosta muito de pagar impostos porque sente, acha e vê que os seus impostos são mal gastos pelos meninos irresponsáveis que se sentem (sem motivo para tal) grandes Homens de Estado, é evidente que 1) vai gastar menos para tentar sobreviver e 2) vai pagar o mínimo de impostos possível. Consequentemente, a receita fiscal diminui... Mais: se se oneram as empresas (grandes ou pequenas) e se despedem funcionários do Estado, haverá mais pessoas desempregadas e com direito ao recebimento do subsídio de desemprego (porque isto do Estado Social é uma pedra no sapato dos neo-liberais). Logo, se aumenta o desemprego, aumenta a despesa do Estado com o desemprego que ajudou a criar.
Eu não tenho soluções — mas consigo afirmar que esta não é a solução para o problema. E começa na premissa de pedir empréstimos para pagar dívidas. Não se sai da dívida contraíndo mais dívidas.
O problema não é apenas financeiro, económico ou fiscal. É, essencialmente, político. Mais ainda, é um problema de competência política.
Grosso modo, os governantes e deputados de todos os países da Europa são "meninos de faculdade" como afirma esse extraordinário espalha-brasas, o MEP Nigel Farage. E é verdade: a maioria dos nossos políticos não fizeram na vida um dia de trabalho sério. Saíram das faculdades (quando, de facto, saíram das faculdades...) e foram dirigir empresas-fantasma onde facturavam milhares de milhões sem qualquer esforço. E em menos de um fósforo, os "jotinhas" eram secretários de estado a caminho das presidências dos concelhos de ministros. Seria apenas uma questão de tempo... E nesse tempo, ei-los deputados e ministros e chefes de estado: de um lindo estado de coisas. Porém, quando chega a hora, não são responsabilizados pelos seus erros (quando os são) ou pelas suas malfeitorias (que costumam ser). São "imunes", têm imunidade política.
E assim se vai vivendo neste país de futebóis, fátimas e fados e muitos ais... ai o défice, não é Sr. Primeiro Ministro?...

fp

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