Litanies du Feu et de la Mer
Morreu Emmanuel Nunes. Figura maior da música Europeia da segunda metade do século XX e dos primeiros anos do século presente. Extraordinário e brilhante, intelectual dotado de um sentido crítico e de uma abrangência manifestada através dos saltos entre temas artísticos, estéticos e políticos. Dificilmentent faço uso do epíteto "génio" — mas Nunes era, de facto, genial. Dotado de bom génio e de mau génio... pessoa de trato difícil compensado pelo rasgo de sombrio brilhantismo da sua música.
Marcou-me como pessoa e como compositor. É uma das minhas raízes e referências estéticas como escrevente de música. Disse-me um dia num dos seminários que frequentei: "se não te encaras como compositor não serás nunca compositor..." E, depois, dedicou quinze minutos a desfazer uma peça que lhe mostrei. Tempos depois mostrei-lhe outra — não disse muito... o que com Nunes era um excelente sinal.
Aprendi imenso com ele.
Não me recordo de alguma vez ter ficado sem fôlego ao ouvir música — excepto a música dele: "Litanies du Feu et de la Mer" para piano. Foi na altura em que me comecei a aproximar da música contemporâea. Estava na FNAC (na altura o dinheiro era mais abundante e o pouco que tinha da mesada de estudante dava para comer, beber e comprar livros e discos — parece outro tempo...). Peguei num disco dele e comecei a ouvir: eram as "Litanies" — as primeiras notas de abertura da primeira peça agarraram-me e convenceram-me de que aquilo que eu queria mesmo fazer era escrever música. Aquilo — aquele intervalo de 3ª Maior: si bemol, ré natural... Fiquei sem respirar.
Desde então todas as minhas peças têm encontrado forma de, de um modo ou outro, permitir que aquele intervalo se infiltre na minha música. E eu deixo — porque é a minha génese como compositor.
Das vezs que falei com Emmanuel Nunes não achei que deveria criar a oportunidade para lhe dizer "Mestre, aquela 3ª Maior é onde tudo começa, para mim..." Nunca achei próprio. Mas poderia — e deveria — tê-lo feito.
Marcou-me como pessoa e como compositor. É uma das minhas raízes e referências estéticas como escrevente de música. Disse-me um dia num dos seminários que frequentei: "se não te encaras como compositor não serás nunca compositor..." E, depois, dedicou quinze minutos a desfazer uma peça que lhe mostrei. Tempos depois mostrei-lhe outra — não disse muito... o que com Nunes era um excelente sinal.
Aprendi imenso com ele.
Não me recordo de alguma vez ter ficado sem fôlego ao ouvir música — excepto a música dele: "Litanies du Feu et de la Mer" para piano. Foi na altura em que me comecei a aproximar da música contemporâea. Estava na FNAC (na altura o dinheiro era mais abundante e o pouco que tinha da mesada de estudante dava para comer, beber e comprar livros e discos — parece outro tempo...). Peguei num disco dele e comecei a ouvir: eram as "Litanies" — as primeiras notas de abertura da primeira peça agarraram-me e convenceram-me de que aquilo que eu queria mesmo fazer era escrever música. Aquilo — aquele intervalo de 3ª Maior: si bemol, ré natural... Fiquei sem respirar.
Desde então todas as minhas peças têm encontrado forma de, de um modo ou outro, permitir que aquele intervalo se infiltre na minha música. E eu deixo — porque é a minha génese como compositor.
Das vezs que falei com Emmanuel Nunes não achei que deveria criar a oportunidade para lhe dizer "Mestre, aquela 3ª Maior é onde tudo começa, para mim..." Nunca achei próprio. Mas poderia — e deveria — tê-lo feito.









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