Tenentes-Coronéis
Portugal; substantivo masculino. Rota-de-colisão em forma de país; pequeno ex-libris de um passado longinquamente enlevado em grandezas de tenente-coronel.
Relato: salva-se um banco da falência que custou, sabe-se hoje, para cima de um dinheirão. Põe-se num tacho (podia ser uma panela) um chairman caseiro; e amamenta-se o dito à força de uma teta que debite umas quarenta e cinco mil patacas por mês. Corta-se (como se faz às galinhas) trinta por cento do rendimento dos funcionários públicos que, como toda a gente sabe, são os culpados pelo Holocausto e pelo sismo na península de Tiburon. Aumenta-se o IVA aos pobres e aos remediados. Aumenta-se o IRS aos pobres e aos remediados. Aumenta-se o imposto de circulação aos pobres e aos remediados que, depois das continhas todas feitas, ainda conseguirem possuir veículo de locomoção motorizado. Aumentam democraticamente tudo o que se assemelha vagamente a uma taxa, uma taxinha e uma taxona aos pobres e aos remediados. Aumenta-se o IMI, o IMT e a electricidade com que assistimos, na têvê, à marcha fúnebre de um país em crise. Diminui-se o subsídio de desemprego desses burgueses que ganham quatrocentos euros por mês, não fossem eles gastar tudo em caviar.
Ao que me parece, mas posso estar enganado, o mais fácil era pegar fogo a este palheiro todo e começar tudo do início. Ao menos, matavam-se as figuras, as figurinhas e os figurões.
jtf









2 Comments:
Estás enganado. Pegar fogo não resulta porque nos últimos 15 verões já ardeu tudo. Terias de regar tudo com gasolina, e ao preço que ela está... mais vale investir em dinamite artesanal - sai mais barato e sempre crias emprego.
tens razão, camarada. pegar fogo pode já não resultar porque já não há palha no palheiro.
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