9.3.09

espelhos e reflexos #15

Na estação do Metro do Campo 24 de Agosto dois namorados sussurram eternidades aos ouvidos de cada um. Há em tantos desses pares uma falta de amparo, uma pobreza de tacto, um desconhecimento de fatalidades mútuas. Como várias camadas sobrepostas em que se conhece apenas as iniciais. Como pele em que se tacteia a epiderme, mas de derme imersa em neblina.
Na estação do Metro esses namorados beijam-se. Nem ele sabe quem ela é, nem ela reconhece os lábios que acolhe.
Chega a carruagem. Entro e sento-me na maior das preguiças. Chega de pensar nos desígnios do amor.



fs

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