Eu voto, mas não desta vez.
Bernardo Pires de Lima diz que há gente irresponsável que opta por não votar. Era capaz de esperar uma destas do seu companheiro de blogue, mas não do Bernardo, que normalmente costuma ser mais sensato. Que também fala de pessoas com responsabilidades públicas a apelar à abstenção (lendo o Cachimbo de Magritte fico a pensar se a alusão se destina ao agora mui amado Marinho Pinho, alguém confirma?). E termina com uma verdadeira cereja, aludindo aos "poucos portugueses lutaram para que muitos pudessem votar um dia", decidindo que "o mínimo que estes milhões poderiam fazer era honrar essa conquista. Infelizmente não o fazem. Depois não se queixem."
No dia em que me for possível votar a partir de uma qualquer mesa de voto deste país, então eu até poderei ser irresponsável por não votar (o que já implica dar um grande desconto ao disparate). Até lá, lamento muito, mas tenho mais que fazer no domingo do que ir de Lisboa ao Alentejo para votar. Mas acho que não vai ser o meu voto que decidirá se Paulo Rangel ganha ou não (se ele perder por um voto, ficarei frustrado, acreditem).
De resto, dou-lhe a razão: poucos lutaram para que muitos pudessem votar um dia. Mas a palavra-chave aqui é mesmo o verbo poder. As pessoas hoje podem votar livremente. Tal como, muito livremente, podem optar por ir para a praia. Ou ficar em casa, por considerarem que os políticos que temos não merecem o seu esforço. Aliás, a liberdade é tanta que até podem ir votar, e ao invés de fazerem uma cruzinha no candidato que querem, podem deixar o boletim em branco ou fazer um desenho cubista ou mesmo renascentista. Podem ser escritos insultos aos candidatos ou pode ser rabiscada uma receita de carne de porco à alentejana.
A liberdade e a democracia também são isto. O voto, ao contrário do que muitos iluminados (como o Sr. César) pensam, não é um dever. Uma obrigação. É um direito que temos. E como tal, temos todo o direito de exercer, ou não, esse direito. Independentemente de nos queixarmos ou não.
john
No dia em que me for possível votar a partir de uma qualquer mesa de voto deste país, então eu até poderei ser irresponsável por não votar (o que já implica dar um grande desconto ao disparate). Até lá, lamento muito, mas tenho mais que fazer no domingo do que ir de Lisboa ao Alentejo para votar. Mas acho que não vai ser o meu voto que decidirá se Paulo Rangel ganha ou não (se ele perder por um voto, ficarei frustrado, acreditem).
De resto, dou-lhe a razão: poucos lutaram para que muitos pudessem votar um dia. Mas a palavra-chave aqui é mesmo o verbo poder. As pessoas hoje podem votar livremente. Tal como, muito livremente, podem optar por ir para a praia. Ou ficar em casa, por considerarem que os políticos que temos não merecem o seu esforço. Aliás, a liberdade é tanta que até podem ir votar, e ao invés de fazerem uma cruzinha no candidato que querem, podem deixar o boletim em branco ou fazer um desenho cubista ou mesmo renascentista. Podem ser escritos insultos aos candidatos ou pode ser rabiscada uma receita de carne de porco à alentejana.
A liberdade e a democracia também são isto. O voto, ao contrário do que muitos iluminados (como o Sr. César) pensam, não é um dever. Uma obrigação. É um direito que temos. E como tal, temos todo o direito de exercer, ou não, esse direito. Independentemente de nos queixarmos ou não.
john









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