espelhos e reflexos #30
É impossível não se gostar da Rua de Santa Catarina em Novembro. Mesmo todos os dias do ano é difícil não se gostar, contudo, em Novembro, é uma injúria não apreciá-la, não estacar um momento na largueza do espaço, com o vento sorrateiro e frio subindo-nos pela pele do pescoço, e observar o ziguezague das pessoas a deambular no empedrado. Certas ruas conseguem condensar o mundo, não têm medidas, são micro-cosmos. Mas em Novembro é diferente pois aparecem elas, as castanhas, aparece ele, o fumo. E se aparecem elas, as castanhas, e ele, o fumo, a nossa rua assemelha-se às lareiras de casa, ao calor e ao crepitar da lenha da infância. Relembramos os olhos dos nossos avós, o beco do quintal onde repousavam os castanheiros, o sotaque sibilante do pároco da aldeia.(Eu bem avisei que era um micro-cosmos). E a nossa rua está cheia, são as reuniões esparsas dos familiares, dos amigos, dos errantes, são os agregados envoltos na tonalidade cinzenta do ar, nos aromas intrometidos. Tudo porque apareceram elas, as castanhas, ele, o fumo.
fs
fs
Labels: espelhos e reflexos









0 Comments:
Post a Comment
<< Home