19.11.09

Nem sei que título hei-de dar a isto

O "debate" sobre o casamento homossexual está aborrecidíssimo na blogosfera. Como, aliás, era previsível, uma vez que não se trata de um debate. Ambas as posições estão já entrincheiradas, e nenhuma delas cede um milímetro que seja, por mais que uma ou outra apresentem argumentos válidos. Quando isso acontece, reduz-se tudo ao ridículo. Já vi o filme antes: o debate está afectado por "clubite".

Para mim, a coisa é muito simples: se os homossexuais querem casar, pois que se casem. Eu não tenho nada a ver com isso, e o tema interessa-me tanto como o sexo dos anjos. Que se casem, que tenham filhos (que se aproveite para tornar mais flexível as regras e os processos de adopção, pois consta que até para um casal heterossexual é difícil adoptar hoje em dia), que sejam felizes. Só não deixa de ser irónico ver uma minoria que passou anos a bater-se pelo direito à diferença em manifestações, paradas gay (um fenómeno muito curioso) de repente começar a querer ser igual ao resto. Recordo-me do barulho que se deu há um par de anos quando uma marca de cerveja fez uma campanha com a ideia de "orgulho heterossexual", com as "associações gay" a reclamarem em tudo quanto era sítio. Faz tanto sentido um "orgulho heterossexual" como um "orgulho homossexual", mas isso são detalhes. Aconteceria o mesmo ao empresário que quisesse abrir um "bar heterossexual" - era acusado de preconceituoso, de retrógado, e o mais certo era acabar em tribunal. Se abrisse um bar gay, estaria tudo bem, passava tudo com o argumento só lá vai quem quer. A vida é assim, o politicamente correcto impera e é difícil ser Dom Quixote hoje em dia. Eu tentei, noutras circunstâncias, mas nem moinhos de vento são fáceis de encontrar hoje em dia, nem esta cidade tem muitas Dulcineias (ontem vi uma no 714 da Carris - meu Deus, era a rapariga mais gira que vi em muito, muito tempo. Infelizmente, há coisas que só acontecem nos filmes).

De resto, não será com o casamento gay, ou com todos os malabarismos semânticos em redor dos conceitos de casal, casamento e afins, que os homossexuais conseguirão reconhecimento social. Ganharão igualdade jurídica e fiscal e nessas coisas todas, o que é mais do que justo. Mas não conquistarão por decreto igualdade social. Façam a experiência, vão para as vilas e aldeias do interior. Tirando talvez as gerações mais novas, que de resto começam a escassear no interior, ninguém diz gay, muito menos homossexual. Um casamento gay num desses sítios é um pagode, os cônjuges são, para as gentes, dois paneleiros, e tal casamento é uma espécie de freak show. O tal reconhecimento social ainda demorará muitos anos, e tenho cá para mim que é preciso deixar muita poeira assentar - e perder a mania das tais paradas, que apenas ridicularizam a "causa" - e muitos anos passarem para que um casal gay seja encarado com normalidade em todo o país. A menos que para os gays, como aliás já acontece com outros grupos (ver políticos), o país se resuma a Lisboa. Mas mesmo nesse caso tenho algumas dúvidas.

john

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