Nem sei que título hei-de dar a isto,
e o editor de texto do blogger, esperto, até me diz que já escrevi este título antes. Se calhar devia iniciar uma série, que seria uma excelente forma de disfarçar a minha crónica incapacidade para criar títulos. Enfim. No blogue da Revista Ler, encontro um post sobre o "1º Encontro de Literatura Infanto-Juvenil da S.P.A.", ilustrado com o programa do referido "encontro". Tudo normal. Só não acho muito normal - enfim, é a minha interpretação - ilustrarem o dito programa com uma imagem de Alice in Wonderland, o clássico livro de Lewis Carroll. Há uma insistência em classificar Alice in Wonderland como "literatura infantil" ou "literatura infanto-juvenil". Por mais graça que uma criança ache ao Coelho, ao Humpty Dumpty ou mesmo ao Gato de Cheshire (ou a qualquer outra personagem), não alcança o significado da complexa narrativa non-sense de Carroll. Aliás, nem estou certo de que non-sense seja um termo correcto neste caso. Alice é uma obra demasiado grande para ser metodicamente arrumada nas prateleiras do "infantil" das nossas pobres livrarias. Mas, verdade seja dita: não se pode esperar muito de um "mundo literário", ou de um "mercado livreiro", que arruma a maior parte (toda?) a literatura de fantasia na secção "juvenil".
john
john









10 Comments:
Sim, é como o "principezinho" mas versão hard core...
Tenho de confessar que nunca li "O Principezinho"...
(já agora: meia hora para adormecer a ver o "Lua Nova"? Um amigo desafiou-me a vermos os filmes - eu não vi, ele já - para eu comprovar quão maus são. Já vi que em vez de levar pipocas, é melhor levar a almofada...)
Mas eu gostei do primeiro, confesso, só que aquela música de fundo, cheia de violinos lentos e aquelas vozes rastejadas e sofridas, pelo amor da santa, há musicas infantis que funcionam menos!
Eu nunca vou perdoar a Stephenie Meyer por ela ter tornado os vampiros em criaturas tão abichanadas. Bram Stoker está às voltas na tumba.
Deixa lá, Deus já a castigou... deu-lhe aquela cara...
Que maldade, Margarida... lol. A senhora não é a Rachel Weisz, mas também não é exactamente um monstrengo :)
John, sinceramente, não cheguei a perceber o que é, para si, o Alice in Wonderland. A obra é, obviamente, de literatura infantil, da escola do no sense tipicamente inglesa, que deu também as nursery rhimes, por exemplo. Foi escrita para crianças e sempre, em todas as épocas, foi lida pelas crianças, que a aceitam e compreendem exactamente pelo seu lado lúdico. E obviamente, também pelos adultos. Assim como o Principezinho, um livro também infantil.
Importante, atenção, é não confundir "infantil" com atraso mental, ou julgar que as crianças são retardadas e incapazes de compreender e de se maravilhar com estas obras e estes personagens, incluíndo as personagens perversas do Alice, ou os diálogos entre o Principezinho e a Raposa ;)
O que poderia criticar, isso sim, seria a inclusão das obras do Swift, como as aventuras de Gulliver, como literatura infanto-juvenil. Esse sim, é uma metáfora "adulta", de critica social, erradamente classificada e "emprateleirada" como literatura infantil. Não confunda as coisas.
Eu tenho outra opinião, caramelo (credo, isto soa pessimamente). Pessoalmente, acho o "non-sense" de Alice um pouco complexo para um público mais infantil. Isso, porém, é a minha opinião; se quer que lhe seja franco, a sua posição, ainda que com algumas reservas, faz todo o sentido. De resto, eu nada tenho contra a "literatura infantil". Bem pelo contrário: ainda gosto bastante de contos infantis.
Gulliver não é caso único, como decerto saberá. Há a tendência mais ou menos generalizada para encaixar a fantasia (enquanto género literário) no "infanto-juvenil". Nem toda. Acontece o mesmo com a banda desenhada, ainda que, parece-me a mim, esse estereótipo comece lentamente a desvanecer-se (finalmente!).
Muito gosto em tê-lo por cá, já agora.
Acho que os adultos complicam demais ;)
Obrigado, john, vou por aqui passando.
Isso é bem verdade.
Volte sempre. Mi casa es su casa.
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