Frei Tomás #4
Caro Mr. Brown,
#1 «iii) no actual contexto, o agora a que se refere, estamos numa crise financeira que não existia anteriormente, e o estado português tem um nível de endividamento externo absurdo quando comparado, por exemplo, com o nível de há cinco anos atrás (sim, inacreditavelmente basta recuar cinco anos)»
Não sei se reparou , mas nesse período o mundo viveu (e vive) uma crise financeira nunca antes experimentada à escala mundial. Nesse contexto, foi necessário implementar um conjunto de medidas adicionais - e extraordinárias - por forma a colmatar riscos de ruptura bancária. Nesse contexto, foi necessário intervencionar o bpn e o bpp, assegurar o financiamento externo da banca etc, o que implicou o uso de recursos públicos imprevistos e imprevisíveis.
#2 Meu caro, não vale a pena falar de alhos, quando eu comecei a falar de bugalhos. O meu ponto é simples, aquela-parte-do-psd-que-também-é-psd que diaboliza as PPP, não tem autoridade para o fazer. Foi o pai do rebento e terá que assumi-lo para todo o sempre. Ponto. E não me peça para explicar melhor o meu único e simples propósito com o post original, porque serei forçado a reconhecer que se com a frase anterior não consigo ser suficientemente explitico, não conseguirei fazer melhor.
#3 «iv) as PPP contribuem para camuflar divida publica"
Está a falar também da Ponte Vasco da Gama e da PPP de Catroga, suponho. Bem sei que o seu argumento é o de que o endividamento agora é bastante maior. Mas, meu caro, se Portugal "tem um nível de endividamento externo absurdo quando comparado, por exemplo, com o nível de há cinco anos atrás" (palavras suas), também é verdade que as PPPs de Guterres foram feitas há mais tempo. Tal como as de Cavaco. Ora, sendo as primeiras condenáveis por si, as segundas necessariamente também o serão.
#4 «Mas, mais uma vez, o João Teago atribui ao PSD uma posição que não existe: como nunca ouvi ninguém do PSD defender o fim da divida pública»
O caro Mr. Brown está a imputar-me afirmações que eu nunca tive. Mas esse é um erro que é comum no seu argumentário. Não sei do que está a falar. Nunca disse nada que se assemelhasse vagamente ao que acaba de me imputar sobre o psd.
#5 «Último ponto: refere que o risco passa todo para o Estado e retira-o dos privados. Está enganado. Passa porque o Estado tem negociado os contratos de forma a que assim aconteça.»
Não estou enganado coisa nenhuma. Não foi nada disso que eu disse. Leia novamente e bem. O que eu disse é que o psd aponta isso como defeito das PPP, não disse nem que era necessariamente assim nem que isso era saudável.
Um abraço,
jtf
#1 «iii) no actual contexto, o agora a que se refere, estamos numa crise financeira que não existia anteriormente, e o estado português tem um nível de endividamento externo absurdo quando comparado, por exemplo, com o nível de há cinco anos atrás (sim, inacreditavelmente basta recuar cinco anos)»
Não sei se reparou , mas nesse período o mundo viveu (e vive) uma crise financeira nunca antes experimentada à escala mundial. Nesse contexto, foi necessário implementar um conjunto de medidas adicionais - e extraordinárias - por forma a colmatar riscos de ruptura bancária. Nesse contexto, foi necessário intervencionar o bpn e o bpp, assegurar o financiamento externo da banca etc, o que implicou o uso de recursos públicos imprevistos e imprevisíveis.
#2 Meu caro, não vale a pena falar de alhos, quando eu comecei a falar de bugalhos. O meu ponto é simples, aquela-parte-do-psd-que-também-é-psd que diaboliza as PPP, não tem autoridade para o fazer. Foi o pai do rebento e terá que assumi-lo para todo o sempre. Ponto. E não me peça para explicar melhor o meu único e simples propósito com o post original, porque serei forçado a reconhecer que se com a frase anterior não consigo ser suficientemente explitico, não conseguirei fazer melhor.
#3 «iv) as PPP contribuem para camuflar divida publica"
Está a falar também da Ponte Vasco da Gama e da PPP de Catroga, suponho. Bem sei que o seu argumento é o de que o endividamento agora é bastante maior. Mas, meu caro, se Portugal "tem um nível de endividamento externo absurdo quando comparado, por exemplo, com o nível de há cinco anos atrás" (palavras suas), também é verdade que as PPPs de Guterres foram feitas há mais tempo. Tal como as de Cavaco. Ora, sendo as primeiras condenáveis por si, as segundas necessariamente também o serão.
#4 «Mas, mais uma vez, o João Teago atribui ao PSD uma posição que não existe: como nunca ouvi ninguém do PSD defender o fim da divida pública»
O caro Mr. Brown está a imputar-me afirmações que eu nunca tive. Mas esse é um erro que é comum no seu argumentário. Não sei do que está a falar. Nunca disse nada que se assemelhasse vagamente ao que acaba de me imputar sobre o psd.
#5 «Último ponto: refere que o risco passa todo para o Estado e retira-o dos privados. Está enganado. Passa porque o Estado tem negociado os contratos de forma a que assim aconteça.»
Não estou enganado coisa nenhuma. Não foi nada disso que eu disse. Leia novamente e bem. O que eu disse é que o psd aponta isso como defeito das PPP, não disse nem que era necessariamente assim nem que isso era saudável.
Um abraço,
jtf









1 Comments:
Caro João Teago,
Sobre #1: o endividamento externo português não acelerou com a crise financeira internacional. Muito antes de 2008 o aceleramento já era mais do que notável. Quanto muito a desculpa seria o aumento do preço do petróleo. Camcpos e Cunha quando chegou ao governo (2005) adivinhou logo que o problema iria agravar-se. Ou seja, tudo isto é muito anterior à crise financeira a que se refere.
Sobre #2: concordo. Alhos e bugalhos, tipo querer marcar uma posição política contra partido x, atribuindo ao partido x uma posição que este nunca teve.
Sobre #3: não é só que o endividamente é muito maior, mas também que o volume de dívida camuflada é tanto maior quanto mais PPP forem realizadas. E com Cavaco o problema do endividamento externo não existia. Foi com Guterres que passou a existir.
Sobre #4: leia o que escreveu, diz-me que o PSD criticas as PPP porque "assenta no princípio perverso de fazer obra hoje e serem as gerações futuras a pagá-la". Se o PSD achasse esse princípio perverso, também teria de criticar a existência de divida pública. Como parece reconhecer que o PSD não pretende eliminar a divida pública, também terá de reconhecer que não consider perverso o princípio de fazer obra hoje e serem as gerações futuras a pagá-la.
Sobre #5: o PSD não aponta isso como um defeito das PPP. Aponta isso como um defeito das PPP negociadas pelos socialistas. Há uma diferença substancial. Mas se, afinal, concorda comigo que as PPP não obrigam a que isso aconteça, mais uma vez, é meio caminho andado para perceber a posição do PSD.
Por fim, recomendo-lhe esta entrevista fresquinha de Carlos Moreno:
http://economia.publico.pt/Noticia/carlos-moreno-as-parcerias-publicoprivadas-nao-sao-recomendaveis_1463864
Cito apenas duas respostas:
"Não tenho nada contra as parcerias, se elas tivessem sido bem negociadas na época das parcerias tinha sido um excelente instrumento. Hoje não são recomendáveis para o Estado. Porque estão mais caras, menos competitivas e acarretam mais riscos para o concedente público."
"Não acontece em todos, mas é o que acho mais grave: o facto de, sucessivamente, os riscos de tráfego, os riscos comerciais terem vindo a ser progressivamente assumidos pelo Estado, enquanto que as taxas de rentabilidade das empresas concessionárias accionistas se mantém inalteradas. Quem faz o negócio mal, quem não defende os interesses dos contribuintes, é o estado negociador."
Talvez esta entrevista esclareça a pergunta que colocou no seu post anterior: "se não é contra o esquema de financiamento PPP, então é contra o quê?"
um abraço.
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