2.3.12

Krug II

Back to Basics
A sociedade portuguesa tem laborado emaranhada num vício que só se manifesta verdadeiramente nos territórios pouco férteis, pouco aráveis e sem cultivo relevante. Paul Krugman está, para lamento dos economhipsters, transformado num objecto de arremesso de longo-alcance, o que impossibilita que a dialéctica económica se faça de forma séria e objectiva. Até porque, a robustez da argumentação que dele provém mereceria melhor tratamento e mais atenção; se o país fosse outro e se o investimento na educação tivesse produzido os resultados relevantes que dele sempre se esperaram.

Do ponto de vista dos grandes agregados, tomemos a chamada identidade fundamental da macroeconomia como medida dos impactos de opções de política económica e orçamental num estado j membro de uma comunidade monetária z:

yj=cj+ij+gj+xj-mj

, sendo que y é o produto, c o consumo, i o investimento, g os gastos públicos, x as exportações e y as importações.

Com a política europeia actual, agigantada aqui no burgo, aplica-se aos países deficitários a tal ideia da desvalorização interna, comprimindo-se as variáveis c, i, g e m. Simultaneamente parece acreditar-se que o crescimento das exportações (x) pode compensar todas as quebras; mas não será difícil antever que a magnitude das variações aborta todo o entusiasmo que ainda pudesse subsistir. Se por um lado o discurso oficial enfatiza a ideia de que a compressão orçamental em 2011/2012 possibilita convencer os mercados financeiros a retomar a concessão de crédito; por outro argumenta que a causa da situação é eles o terem feito no passado. Isto é, a causa acaba por ser o objectivo; e vice-versa. Nesta medida, fugir a uma abordagem keynesiana parece difícil, sobretudo no caso do crescimento económico ser encarado como uma condição e não como uma variável.

Por outro lado, numa zona monetária unificada, a aplicação simultânea de políticas restritivas impõe que os impactos sejam sempre exponencialmente restritivos; e nunca se contrabalancem. Basta pensar que, no caso em que países superavitários optam por políticas expansionistas, possibilita-se uma efectiva estabilização automática da economia pela via da redestribuição eficiente da massa monetária. O mesmo é dizer que os aumentos de consumo (c), de investimento (i), das importações (m) e dos gastos públicos (g) dos países onde a massa monetária repousa; transformar-se-iam nos incrementos contrabalançadores nas exportações (x), no investimento directo estrangeiro (i) e no consumo (c) dos países com escassez de moeda. Possibilitar-se-ia deste modo, que a equação fundamental da macroeconomia consolidada da Zona Euro se equilibrasse, por obra e graça da divindade.

jtf

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