Um jornalista de excelência
Os indicadores que normalmente se utilizam para medir a mobilidade
social costumam valorizar os Estados Unidos. Há aí mais possibilidade de
gente fora do sistema evoluir e chegar ao topo. Tivemos bons exemplos
disso: o Bush que vem de uma família aristocrática, mas também tivemos o
Clinton e o Obama que são de famílias disfuncionais. Essa mobilidade
ajuda à ascensão, mas isso não tem a ver com desigualdades, a sociedade
americana é muito desigual mas não é fechada.
José Manuel Fernandes, em entrevista ao i (via Jugular).
OCDE, Economic Policy Reforms: Going for Growth 2010 (Capítulo 5): "Intergenerational earning, wage and educational mobility vary widely across OECD countries. Mobility in earnings, wages and education across generations is relatively low in France, southern European countries, the United Kingdom and the United States. By contrast, such mobility tends to be higher in Australia, Canada and the Nordic countries."
Mas tornemos este post mais ilustrativo, para que mesmo alguém como José Manuel Fernandes (o mesmo que garantia a existência de ADM's no Iraque) consiga compreendê-lo (clicar no gráfico para aumentar a imagem):
Como será fácil de perceber (porventura até para José Manuel Fernandes), quanto maior a elasticidade intergeracional de rendimentos, maior a importância que o rendimento dos pais adquire no futuro rendimento dos filhos, e menor será a mobilidade social. Quais são os 3 países ali encostados à direita, com menor mobilidade social? Pois é: Estados Unidos, Itália, e Reino Unido. É verdade que "mobilidade social" pode estar a ser usado num sentido um pouco diferente de "mobilidade social intergeracional" (por exemplo, poderia estar a referir-se às oscilações de rendimento de um indivíduo ao longo da sua vida, e à forma como vai pertencendo a diferentes percentis de rendimento, embora eu nunca tenho visto dados que indiquem que os resultados obtidos em tal caso fossem diferentes destes). No entanto, alguém mais está vagamente curioso para saber quais os "indicadores de mobilidade social" em que José Manuel Fernandes se baseou para efectuar a sua categórica afirmação?
Mas continuemos pelo Capítulo 5 do referido relatório da ODCE para outras medidas de mobilidade, desta vez restringindo-nos a países europeus. Usando como medida alternativa a diferença entre os rendimentos de indivíduos (entre 35 e 44 anos) cujo pai obteve diferentes graus de educação (ensino superior vs. algum ensino secundário), e diferenciando por género, a OCDE indica os seguintes gráficos:
Pois é, liderança sólida para Portugal. Continuando mais um pouco, a OCDE nota que uma menor mobilidade intergeracional, não surpreendentemente, está associada a um maior nível de desigualdade:
De forma igualmente não surpreendente (excepto eventualmente para a gente da área política de José Manuel Fernandes), programas sociais e regimes fiscais mais progressivos parecem estar associados a uma menor influência do rendimento dos pais no futuro rendimento dos filhos (portanto, maior mobilidade intergeracional):
Passos Coelho, corta aí mais umas despesas sociais! Claramente, o caminho para os amanhãs que cantam passa por aí. E a retoma da economia está mesmo, mesmo ao virar da esquina...
sp
José Manuel Fernandes, em entrevista ao i (via Jugular).
OCDE, Economic Policy Reforms: Going for Growth 2010 (Capítulo 5): "Intergenerational earning, wage and educational mobility vary widely across OECD countries. Mobility in earnings, wages and education across generations is relatively low in France, southern European countries, the United Kingdom and the United States. By contrast, such mobility tends to be higher in Australia, Canada and the Nordic countries."
Mas tornemos este post mais ilustrativo, para que mesmo alguém como José Manuel Fernandes (o mesmo que garantia a existência de ADM's no Iraque) consiga compreendê-lo (clicar no gráfico para aumentar a imagem):
Como será fácil de perceber (porventura até para José Manuel Fernandes), quanto maior a elasticidade intergeracional de rendimentos, maior a importância que o rendimento dos pais adquire no futuro rendimento dos filhos, e menor será a mobilidade social. Quais são os 3 países ali encostados à direita, com menor mobilidade social? Pois é: Estados Unidos, Itália, e Reino Unido. É verdade que "mobilidade social" pode estar a ser usado num sentido um pouco diferente de "mobilidade social intergeracional" (por exemplo, poderia estar a referir-se às oscilações de rendimento de um indivíduo ao longo da sua vida, e à forma como vai pertencendo a diferentes percentis de rendimento, embora eu nunca tenho visto dados que indiquem que os resultados obtidos em tal caso fossem diferentes destes). No entanto, alguém mais está vagamente curioso para saber quais os "indicadores de mobilidade social" em que José Manuel Fernandes se baseou para efectuar a sua categórica afirmação?
Mas continuemos pelo Capítulo 5 do referido relatório da ODCE para outras medidas de mobilidade, desta vez restringindo-nos a países europeus. Usando como medida alternativa a diferença entre os rendimentos de indivíduos (entre 35 e 44 anos) cujo pai obteve diferentes graus de educação (ensino superior vs. algum ensino secundário), e diferenciando por género, a OCDE indica os seguintes gráficos:
Pois é, liderança sólida para Portugal. Continuando mais um pouco, a OCDE nota que uma menor mobilidade intergeracional, não surpreendentemente, está associada a um maior nível de desigualdade:
De forma igualmente não surpreendente (excepto eventualmente para a gente da área política de José Manuel Fernandes), programas sociais e regimes fiscais mais progressivos parecem estar associados a uma menor influência do rendimento dos pais no futuro rendimento dos filhos (portanto, maior mobilidade intergeracional):
Passos Coelho, corta aí mais umas despesas sociais! Claramente, o caminho para os amanhãs que cantam passa por aí. E a retoma da economia está mesmo, mesmo ao virar da esquina...
sp

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