A derrota do Perpétuo
O que começa por ser um exercício quasi-quotidiano de dissecação das pequenas rotinas e das grandes respirações, passa imediatamente a ser uma espécie de repositório único de tudo quanto, por simplicidade, continuamos a chamar vida. Tudo aqui é matéria poética, realística, perfurante. Tudo é matéria feita de consanguinidades e de atributos comuns ao mundo dos vivos. O cinema gelado de Haneke não faz mais do que servir, no seu estado mais puro, tudo quanto é incontornavelmente íntimo, dramático e existencial, aos humanos. Amour é uma máquina-de-filmar a derrota do perpétuo e a vitória do cúmplice. Nunca como aqui se conseguiu chegar tão próximo do dilema da consciência, do mais íntimo dos sentimentos. Existir. Sucumbir.
Amour é a vitória da cumplicidade sobre a finitude.
jtf










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