16.1.11

O movimento inútil (2)

Esporadicamente, surgem por aí (hoje em dia na Internet, na forma de grupos no facebook ou de petições irrelevantes) movimentos que pretendem "salvar" algo. Algo, alguma coisa, sei lá - movimentos muito nobres e virtuosos que visam preservar o edifício X, a instituição Y ou outra coisa qualquer. Isto surgiu-me a propósito de um movimento para "salvar" (sic) o Cineclube do Porto, que conta já com mais de três centenas de "membros" e que, no seu respectivo perfil, exibe os comentários da praxe. O meu preferido é o "vamos lutar", nas suas diversas variantes, com mais ou menos sinónimos, com ou sem ponto de exclamação. Ora sucede que não conheço o Cineclube do Porto, como aliás não conheço o Porto (infelizmente), mas não me parece que seja com "causas" no facebook ou com exaltados apelos à "luta" que a coisa vá lá. Lutar contra quem, afinal? Se tivesse de adivinhar, diria que é lutar contra alguma entidade pública (provavelmente uma câmara municipal, como é costume), por não financiar devidamente a instituição. Note-se que nada me move contra o dito cineclube, que, de resto, não conheço. Mas nunca deixarei de me surpreender por ver tanta gente a "lutar" sem ser capaz de, na belíssima expressão de língua inglesa "put your money where your mouth is" e contribuir para o financiamento daquilo que gostariam de preservar, ao invés de esperarem que alguma entidade pública faça alguma coisa (já que o sector privado deste país, como se sabe, é muito avesso a coisas destas).

john

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