27.8.08

na verdade, joão, praticamente tudo aquilo que eu poderia dizer sobre os jogos olímpicos foi dito pelo tiago barbosa ribeiro aqui. podemos ainda pensar que na mediocridade reinante do nosso país, as (poucas) medalhas que conseguimos ao longo dos anos não foram conseguidas devido à nossa cultura, mas apesar dela; um país que não educa os seus para serem os melhores nunca será bom em coisa nenhuma - e volta e meia, surgirá um talento excepcional, a excepção que confirma a regra.

e, claro, há ainda a nossa comunicação nacional, sempre pronta nomear campeões antes das provas serem realizadas. o que é no mínimo ridículo num país que não se leva a sério. lembremo-nos da selecção de futebol (já agora, se somos tão bons no futebol porque não fomos aos jogos olímpicos nesta modalidade?), e de como ela foi endeusada nos media nas últimas competições internacionais, quando não ganhou coisa alguma - lamento, mas um segundo lugar a jogar em casa constitui, para todos os efeitos, uma derrota ainda maior. 

as declarações dos atletas são reflexo de um país que é incapaz não só de cultivar talentos mas também de assumir responsabilidades. não sabia da declaração do atleta que citaste e que, para todos os efeitos, é ridícula. recordo-me, porém, daquele que disse que ao domingo estava melhor "na caminha" (também eu, mas não sou atleta de alta competição), e da nossa judoca preferida a queixar-se da arbitragem (li isto algures), prova de que as conferências de imprensa dos jogos da primeira liga fazem escola nas restantes modalidades. ora isto é praticamente tão estúpido como o endeusamento feito aos atletas antes de estes competirem. 

e com isto, estou de volta das minhas férias.

jc

26.8.08

Républica Portuguesinha (parte 1)


A grande dificuldade que os portugueses têm é a de saber até que ponto o país é um colectivo ou um território limitado ao corpo de cada um dos dez milhões que o habitam. Se por um lado nos achamos capazes de erguer de novo a dimensão dos descobrimentos a cada Jogos Olímpicos (europeu de futebol ou outra coisa qualquer dessa estirpe), por outro autoflagelamo-nos repetidamente; mais do que isso, demonstramos uma volúpia desesperada pela auto-ridicularização como que uma sede diária por forçar o humor sobre o ser-português ou o-que-é-Portugal. Semelhante à bica diária, é um espectáculo de auto-consciência do ridículo diário. E em doses invariavelmente exageradas. Noutros países é quase sempre claro que é o conjunto/colectivo que materializa o conceito de pátria, ao invés em Portugal cada indivíduo assume-se como o país inteiro, fazendo com que flutuem dez milhões de paizinhos minúsculos que se ligam com cuspo uns aos outros quando joga a selecção nacional de futebol. Limitar-me-ei a dar um exemplo: não é raro (tudo menos raro) que o português assuma a honestidade como propriedade dele próprio, que não autoriza (nem sequer quando é evidente) que seja partilhada por qualquer um dos outros dez milhões; nesta patologia inserem-se certos jornais diários que cada vez mais arrastam os melhorzinhos para o ecoponto. Este monopólio de honestidade serve para justificar o insucesso do país, comportamento evidente nas declarações montyphytianas dos atletas olímpicos. Acho aquela "não sou muito dada a este tipo de competições" absolutamente genial.

jtf

16.8.08

Moleskine #4

O melro, eu conheci-o: Era negro, vibrante, luzidio, madrugador, jovial; Logo de manhã cedo começava a soltar, dentre o arvoredo, verdadeiras risadas de cristal.

(excerto de O melro, Guerra Junqueiro, in Recordações da casa amarela, 1989)


pf

14.8.08

férias sulistas

férias, férias, férias. aposto que muito boa gente invejar-me-ia ardentemente ao saber que, vivendo a trinta quilómetros da zambujeira do mar, procurei manter-me afastado daquela localidade alentejana tanto quanto possível durante os dias do festival sudoeste (nestas alturas, sagres e tavira, ou mesmo um buraco escuro lá na aldeia revelam-se excelentes alternativas). estorrei o meu saldo anual para eventos musicais com o rock in rio e o oeiras alive, e de reserva tenho apenas uns trocos, não vão os radiohead lembrar-se de aparecer por cá, ou os muse de regressar uns dias destes. de resto, passei demasiados verões na zambujeira - a trabalhar, não de papo para o ar - e tive demasiadas chatices com o rastafari médio que frequenta a zambujeira naqueles dias. jurei, no último verão em que lá trabalhei, nunca meter os pés no sudoeste a menos que lá fosse uma banda de que gostasse verdadeiramente - e eis que apareceram os oasis, há uns anos, para me fazerem quebrar a promessa rapidamente. mas ver a banda da minha infância/adolescência tocar ao vivo a wonderwall (enquanto curtia com a minha primeira namorada; o mundo é mesmo um lugar muito estranho!) não compensou a poeira que engoli. peço desculpa aos fiéis, mas o sudoeste não me convence. e não consigo compreender as pessoas de fins de mundo quase tão recônditos como a minha aldeia que, ano após ano, rumam ao sudoeste "apenas pelo espírito". espírito? qual espírito? adiante. fontes (pouco) fidedignas informam-me de que para o ano, o festival sudoeste deixará a zambujeira e a tenda será montada na localidade algarvia de vila do bispo. o rumor já corre há anos, quase desde a primeira edição do festival; a confirmar-se, tornará a zambujeira do mar numa localidade habitável e frequentável durante todo o mês de agosto. o que, para todos os efeitos, será uma excelente notícia.

estala a guerra na rússia e na geórgia, e eu, enfiado na aldeia, permaneço na ignorância. agradece-se a uma alma caridosa que possa, em meia dúzia de linhas, explicar-me o problema, uma vez que dificilmente terei tempo nos próximos dias para ler tudo o que a blogosfera portuguesa anda a escrever sobre o assunto.

pode-se dizer que o mais recente filme de 'ficheiros secretos' pouco mais é do que um episódio alargado de uma das séries. mais precisamente, da última série, que nem foi grande coisa. o enredo até não é mau, mas há ali qualquer coisa que funciona mal. independentemente disso: serei eu a única pessoa deste mundo a achar a gillian anderson (dana scully, para aqueles que apenas fixam os nomes das personagens) uma senhora bastante bonita?

já temos assaltos a bancos em portugal a decorrer e a terminar exactamente como nos filmes de acção de hollywood. será isto um sinal de progresso civilizacional?

os gajos da tmn são uns belos artolas. antes de fugir de lisboa, ligaram-me para saber se eu estaria interessado em testar, gratuitamente, a sua internet de banda larga. disse que sim, e dei-lhes a morada da aldeia, contando testar a coisa durante a minha temporada lá (a rede é escassa, mas pouca net é melhor do que nenhuma net). só de véspera é que me avisaram que para levantar o equipamento era necessário entregar uma cópia do cartão de contribuinte e do bilhete de identidade. puta de burocracia - estaria a fazer-lhes o caralho de um favor, e ainda me vêm pedir dados pessoais. entretanto, fui para a terra, e suspeito que os cabrões nunca mais me conseguiram ligar. é bem feito - instalem lá uma antena para ver se a aldeia começa a ter uma cobertura decente. mas o equipamento da banda larga também não chegou - e espero apenas que a esta hora ainda ande um estafeta perdido no baixo alentejo a procura da aldeia. teria imensa piada, isso. de resto, os cabrões da tmn só me têm ainda como cliente porque lá na aldeia a vodafone ainda tem pior cobertura (passe o eufemismo; a cobertura da vodafone na aldeia é inexistente). meta a vodafone uma antena lá na aldeia, e eu garanto não só que mudo de operador, como ainda convenço os meus pais a mudarem também (a minha irmã será mais difícil, ela na tmn tem o tarifário 'mega smile').

e pronto, já me alonguei no texto, mas tem sido difícil sentar-me em frente a um computador com internet por mais de cinco minutos.

jc

Cinemas em riade #3

pf

12.8.08

Gramophone #1


jtf

11.8.08

Handycam #3



pf

8.8.08


pf

1.8.08

estado da arte?

desculpa o plágio, camarada pedro.

discos:

real life, magazine (8/10)
the great rock and roll swindle, the sex pistols (7/10)
amnesiac, radiohead (9,5/10)


filmes:

control, directed by anton corbjin (10/10)
alien, directed by ridley scott (9/10)
minority report, directed by steven spielberg (8,5/10)


séries de tv:

nenhuma em particular, por isso mudo a secção para

videojogos:

diablo II


livros:

do androids dream on electric sheep?, by philip k. dick
harry potter and the deathly hallows, by j.k. rowling


e sim, sinto-me algo retro. e sim, coloquei o último volume da saga "harry potter" entre os meus livros do momento, a par do grande philip k. dick. o motivo é simples: a série de histórias que a j.k.rowling criou é mesmo boa (falo a sério), e termina de uma forma que sendo previsível não deixa de ser muito, mas mesmo bastante interessante. e pessoalmente... a história toda evolui para forma progressivamente "dark", não sendo exactamente para crianças como diz o estereótipo recorrente.

jc