26.2.11

A língua inadequada

Um dos problemas mais óbvios que a língua portuguesa enfrenta actualmente, com ou sem escroto ortográfico, reside nos estrangeirismos: com as tecnologias a invadirem cada vez mais o nosso dia-a-dia, os estrangeirismos multiplicam-se a um ritmo que parece impossível até para os padrões dos coelhos. E se há estrangeirismos relativamente fáceis de traduzir, como converter "blog" em "blogue", há já outros que me parecem bem mais complicados. Lá está, na maioria dos casos o problema acaba por ser uma questão de ridículo e de mau gosto. Neste texto do Ciberdúvidas, sugere-se a tradução de tablet para "lousa", o que me parece uma ideia muito interessante, mas que jamais pegaria. A ideia de "em caso de dúvida, ficamos com o estrangeirismo" não é necessariamente má, apenas torna os discursos sobre tecnologia algo confusos. Mas voltamos ao mesmo: traduzir-se "blog" para "blogue" parece-me pacífico; traduzir "blogger" para "blogueador" ou "bloguista" já me causa alguma confusão. Desaguar "twitter" em "tuiter" é esquisito, simplesmente; mas designar alguém que escreve no Twitter de "tuiteiro" é que me parece de bradar aos céus, como se estivéssemos a traduzir de inglês para um misto de português com babytalk. Se não sabemos, que fiquemos com os originais.

john

A árvore e a floresta

Paulo Sérgio foi demitido do Sporting. Finalmente, dizem os sportinguistas. Depois de todas as histórias desta época relacionadas com maçãs podres e pinheiros, pergunto-me como é possível os sportinguistas ainda tomarem a árvore pela floresta.

john

25.2.11

Defeso

Diz o Eduardo Cintra Torres que "um dos objectivos é, pois, o de conseguir com carvalho apagar os traços de independência, acutilância e irreverência que a redacção da tvi aprecia." Ora, estes não são - propriamente - os adjectivos mais adequados para definir a informação da tvi. Os mais adequados seriam bem mais vernáculos. Pode ser que pelo menos, com José Alberto Carvalho, se cumpra o Código Deontológico em Queluz.

jtf

22.2.11

Não?

Desculpa lá o mau jeito, Lourenço, mas estás a esquecer-te de Alien 3. Que é do Fincher, e é uma bela treta (e não, nem serve a desculpa de estar a fazer uma sequela ao extraordinário filme do James Cameron, que era uma sequela ao extraordinário filme do Ridley Scott).

john

20.2.11

The King of Limbs

A primeira audição: The King of Limbs estranha-se. Há quem diga haver ali muito de Amnesiac - o meu álbum preferido dos Radiohead, por acaso -, mas noto naquelas oito músicas influências mais evidentes da aventura de Thom Yorke a solo, e a qual não apreciei por aí além. Como se o álbum estivesse algures entre um Kid A mais suave e um The Eraser mais inspirado. O mais próximo de Amnesiac será talvez a sétima música Codex, a fazer lembrar uma Pyramid Song ligeiramente menos suicida (só ligeiramente). No resto, e em traços muito leigos e gerais, The King of Limbs anda mais perto de territórios da electrónica do que do rock, o que não é necessariamente mau. Enfim, o álbum estranha-se - o que de modo algum é sinónimo de não ter gostado. Quando ouvi In Rainbows pela primeira vez, também me pareceu todo ele muito estranho, e ao longo do tempo descobri o álbum praticamente música a música: de Bodysnatchers a Jigsaw Falling Into Place, da orgásmica Bangers and Mash à intensa Reckoner, até chegar àquela que será provavelmente a música mais bem conseguida da banda em toda a sua carreira, Weird Fishes/Arpeggi. The King of Limbs é um álbum curto (tem apenas oito músicas), vagamente sombrio, com um ritmo muito próprio e que, suspeito, a partir da terceira audição se torna indispensável. Logo lá voltarei.

john

18.2.11

A Alternância.

Ups.

jtf

17.2.11

Ah, as causas (3)

Passo os olhos por a caixa de correio electrónico. Um amigo manda-me uma mensagem - chain mail - a apelar a uma manifestação de "um milhão na Avenida da Liberdade pela demissão de toda a classe política" (estou a citar). Passe o disparate óbvio do objectivo, a pergunta que me assalta é a seguinte: em pleno ano de 2011, com tudo o que sai nos meios de comunicação social sobre spam, phishing, pharming e cibercrime em geral, ainda ninguém aprendeu a passar chain mails com os contactos em "bcc"? E contra isto, ninguém se manifesta? Ou será que devo começar a usar os 219 contactos de correio electrónico que me acabaram de cair no colo para um bocadinho de engenharia social e spear phishing?

john

Ah, as causas (2)

Acho muito bem que a minha geração - a tal "geração à rasca" - faça manifestações. Só gostava muito de perceber o que é que ela quer ao certo.

john

15.2.11

Ah, as causas

Não compreendo os movimentos pelo "comércio tradicional". Veja-se, por exemplo, esta "causa" (a Web 2.0 é prolífica em causas), tão frequentemente amplificada nos meios de comunicação social. Fala-se do "comércio tradicional" como se fosse o céu, relegando para o inferno os centros comerciais, esses antros. Atente-se na descrição:

O interior dos Centros Comerciais é delineado com ruas, que chegam a recriar fachadas de casas antigas, com fontes e cinemas. Nas suas imediações vêm-se instalados – ou em fase de instalação - os mais modernos empreendimentos imobiliários.
O resultado está à vista de todos, podendo afirmar-se que a vida citadina, caracterizada pelo ambiente cosmopolita, pela diversidade e pelo caos, foi transferida para estes Centros Comerciais.

Deve corresponder para aí à quinta esfera do inferno, mas confesso que não tenho a minha leitura de Dante em dia (desculpem lá o mau jeito). Os centros comerciais, esses marotos, atrevem-se a recriar fachadas de casas, fontes e cinemas. Que topete! Que descaramento! Mas a coisa melhora:

Os consumidores são bombardeados com todo o tipo de promoções e publicidades dirigidas a produtos que nem sempre são os melhores, acabando por prejudicar os orçamentos familiares ao comprarem o que podem e não podem, criando, assim, dificuldades para o resto do mês.

Os consumidores são bombardeados, coitados. Dos malvados centros comerciais saem uns B-52 que bombardeiam os consumidores com promoções, publicidades e, vai na volta, bombas de fragmentação e bolinhas de cuspo. Indefesos e em pânico, os consumidores correm desvairadamente para os centros comerciais, consumindo de forma frenética tudo o que podem. A sério: não ocorre a nenhuma das almas que defende esta causa que, se os consumidores optam por ir ao centro comercial e não à loja da esquina, o fazem não por causa de um qualquer raid aéreo, mas porque querem? Porque escolhem livremente fazê-lo? Porque decidem aproveitar as promoções? A sério, outra vez: porque é que, regra geral, a malta que defende estas causas e estas coisas parte do princípio de que os consumidores são todos estúpidos, caindo que nem patos em cada balela de dez segundos na têvê?

Vamos lá ver. As pessoas optam por fazer as suas compras num centro comercial porque lhes é conveniente: vão a um sítio onde encontram praticamente tudo aquilo de que precisam, de mercearias a óleo para o carro. Isto, por estranho que possa parecer, é muito mais prático do que frequentar doze lojas diferentes no bairro - se existirem as tais doze lojas diferentes no bairro - para comprar um pacote de arroz, dois bifes de vitela, uma lâmpada para a sala, duas latas de comida para o gato, uns chinelos novos que os velhos já deixam o dedão de fora, anticongelante para o carro, uma garrafa de whisky para o frio, dois maços de tabaco para o fim-de-semana, uma caixa de pastilhas elásticas (sem açúcar), um frasco de etanol para assar linguiças, o champô anti-caspa com condicionador e ómega 3, e duas postas de pescada fresca? Para além de que, salvo raras excepções, o estacionamento não é problema, e têm sempre a possibilidade de comprar, noutras lojas do centro comercial, outras coisas de que possam necessitar. Ou de que não necessitem de todo: cada um que governe ou desgoverne a sua vida como bem entender.

Para juntar à festa, há ainda o tal "comércio tradicional". Ora sucede que o comércio tradicional, salvo algumas excepções, consiste em lojas que mantém hoje o modelo de negócio que tinham há cinquenta anos (mas com mais asseio, que a ASAE não dorme em serviço). Comecemos pelos horários: de segunda à sexta das nove às sete. Sucede que, por acaso, o horário de trabalho mais comum é, justamente, de segunda a sexta entre as nove e as sete (as seis, vá, mas no trânsito perde-se sempre algum tempo). Resultado: se dependêssemos do "comércio tradicional" para aviar as mercearias, quem lucrava seriam os restaurantes, pois ninguém teria tempo para comprar uma folha de alface que fosse. Há os fins-de-semana? Pois há; mas o tal "comércio tradicional" também tem direito ao fim-de-semana (sem ironia), e por isso a partir da uma da tarde de sábado já não há nem comércio nem tradicional para ninguém. Ou seja: o "comércio tradicional" - e a malta das causas - reclama de que os centros comerciais lhe estão a roubar o negócio; mas a única coisa que os centros comerciais fizeram foi adaptar-se aos horários mais convenientes para a maioria da população, coisa que o "comércio tradicional", por definição e tradição, não estaria jamais disposto a fazer. Aliás, até há bem pouco tempo ainda se mantinha em vigor aquela esdrúxula lei que obrigava as grandes superfícies a encerrarem ao domingo, lembram-se?

Nem vou entrar na questão dos preços praticados. Espreito só pela porta: um pacote de arroz, o mesmo pacote de arroz, custa mais quarenta cêntimos na merceria que há do outro lado da minha rua do que no supermercado de uma grande cadeia que fica a cinco minutos a pé de casa. Enfim, continuemos:

Antes desta investida inesperada, o poder económico e financeiro deste sector pertencia ao comércio tradicional. A concorrência entre comerciantes fazia-se de uma forma correcta e saudável: cada um procurava melhorar as condições de venda, o atendimento e a atracção do seu estabelecimento, na tentativa de conseguir aumentar a sua cota de mercado, contribuindo, embora sem precipitações, para a modernização do comércio.

Qual é a concorrência incorrecta e prejudicial à saúde que os centros comerciais fazem ao comércio tradicional? Vendem mais produtos num só espaço? Vendem os mesmos produtos a preços mais baixos? Vendem produtos a horas que o "comércio tradicional" não está para se chatear? Pois. Deve ser isso.

A ideia de comércio e de “ir às compras” pressupõe andar na rua, por entre as pessoas e os turistas, em jeito de passeio, para respirar o ar puro, apreciar os ruídos do ambiente circundante, usufruir do sol radioso do Verão ou do sol mais tímido de Inverno, com luvas, gorro e cachecol. Parar num café à moda antiga ou numa esplanada instalada sobre a própria rua, para confortar o estômago ou relaxar uns minutos antes de retomar a procura pelas lojas. Compra-se somente o necessário, com a certeza de satisfação e de qualidade. No final, chega-se a casa menos carregado, com mais dinheiro na carteira e sem o stress causado pelo ambiente artificial dos Centros Comerciais.

Pressupõe? Então se um tipo não quiser andar na rua (sei lá, por estar a chover), e preferir andar por entre as pessoas num centro comercial? Não pode? E um tipo fotossensível, tem de gramar com as intensidades variáveis do Sol? E o ar puro, é o das ruas de Lisboa? Certo, certo, estou a gozar. Mas, caramba: por muito que eu goste - e por acaso gosto - de andar pela rua, não me passa pela cabeça impor isso a quem quer que seja. A ideia de que fala o texto supracitado é, de facto, uma "ideia de comércio". Tão válida como outra qualquer. Uma vez mais: se o "comércio tradicional" não tem capacidade para concorrer, é porque os consumidores - as pessoas, vá -, perante um e perante outro, fizeram, e fazem todos os dias, uma escolha. Ninguém as obrigou, ninguém as coagiu, ninguém lhes encostou uma pistola à nuca: elas vão aos centros comerciais porque querem. Porque lhes dá mais jeito - e isso supera o tal "ambiente artificial dos centros comerciais", de que, a título pessoal, também não sou apreciador.

Que tenha de ser um tipo que nem gosta por aí além de frequentar centros comerciais, que frequenta o talho da esquina e não o do centro comercial da vizinhança, que costuma comprar cerveja e nachos nas mercearias indianas quando metade do bairro está a dormir (ou a ver a novela) a dizer esta merda é que me faz espécie, juro.

Mas, e em jeito de conclusão que a prosa já vai longa, deixo uma dúvida: será razoável inferir que as 22.729 pessoas que aderiram à "causa" não põem, por motivo algum, os pés num centro comercial?

john

14.2.11

Hoje não interessa a crise...

... não interessa a crise, a recessão, o Sócrates, a moção do Loução (desculpem, precisava da rima), a dívida soberana, a dívida não soberana (existe), as exportações, o têgêvê, o IVA, a Alemanha a ferrar o dente cá no rectângulo, o FMI que vem-e-não-vem, o Egipto, Egito ou lá como se diz agora com o escroto ortográfico, a chuva, as crateras de impacto nas ruas de Alcântara, as greves da CP, os manifestos vazios de tudo e as manifestações cheias de nada por qualquer coisa, a geração rasca, ou parva. Nada disso importa agora: os Radiohead vão lançar um novo álbum, já está disponível em formato digital para pré-venda no site deles, no dia 19 andará a circular na internet mais depressa que um lolcat. Que se lixe o resto: afundamo-nos com boa música. Sábado, depois de o ouvir, tornaremos a falar disto.

john

Da Trivialidade

Abre-se a televisão e lá estão os arautos. Munidos de simplicidades, peçados desconexos da realidade. Apregoando as maravilhas de ciência. As maravilhas da ciência de trazer-por-casa.

Sente-se.
Está sentado?

Adormeça e sonhe com um país governado pelos Medinas e alguns bloggers, bem nutridos dos alfas e dos ómegas escondidos na pacotilha que os enxerta. Tão inteligentes que eles são. Remediados ignorantes que, alegres, repetem as trivialidades de quem lê pela primeira vez o The Economist. Abre-se a televisão e é como se abrissemos a janela de um mundo paralelo. Outro. Abre-se a televisão e, como num plano inclinado, desespera-se.

Cá de baixo, olhamos a cátedra dos geniais inúteis que nos cercam. Cá de baixo, ouvimo-los declamar a estória do mel, cobertos por aquela pose de quem acha que mais ninguém sabe ler.

jtf

12.2.11

Da irresponsabilidade

Entrevista de Francisco Louçã ao Expresso (transcrição minha):

Expresso: O PCP falou na possibilidade de avançar com uma moção de censura e você disse que nesta altura não teria utilidade. O que mudou em cinco dias?

Francisco Louçã: Não mudou nada. Neste momento uma moção de censura não tem qualquer utilidade prática. Nós apresentamos a moção para o primeiro dia em que tem utilidade, 9 de Março. E tem uma utilidade política sempre. (...)

Não sei o que hei-de chamar a isto: se irresponsabilidade pura, se filha-da-putice. É esta merda que a Esquerda queria atrelada ao Governo?

john

10.2.11

Diz-me com quem andas, dir-te-ei quem és



Os juros da dívida pública a dez anos subiram até aos 7,15%. Parece-me que os «mercados» já perceberam que Miguel Relvas irá ser Ministro. E isso preocupa-os, naturalmente. Como eu os compreendo, como eu os compreendo.

jtf

9.2.11

Leituras (actualização de Inverno):

Dune
Frank Herbert
18.5/20

The Dispossessed
Ursula K. Le Guin
18/20

Starship Troopers
Robert A. Heinlein
16/20

Nightfall
Isaac Asimov e Robert Silverberg
20/20

Rendezvous With Rama
Arthur C. Clarke
19.5/20

Neuromancer
William Gibson
17/20

The Moon is a Harsh Mistress
Robert A. Heinlein
20/20

The Left Hand of Darkness
Ursula K. Le Guin
19.5/20

Foundation
Isaac Asimov
18/20

The Man in the High Castle
Philip K. Dick
19/20

A Clockwork Orange
Anthony Burgess
18/20

Foundation
Isaac Asimov
19/20

A Scanner Darkly
Philip K. Dick
19.5/20

Childhood's End
Arthur C. Clarke
20/20

The Lathe of Heaven
Ursula K. Le Guin
16/20

Foundation and Empire
Isaac Asimov
18.5/20

The Three Stigmata of Palmer Eldritch
Philip K. Dick
16/20

Próximo: Stranger in a Strange Land, de Robert A. Heinlein. Lista em permanente actualização (e continua)

(João, sei que gostas mais das estrelinhas, ou dos asteriscos, vá, mas eu nunca gostei de classificações de zero a cinco)

john

A Canção da Intervenção

É curiosa a reacção que a canção-de-intervenção dos Deolinda tem provocado nalguma blogoesfera, escandalizada pela manifestação do(e) grupo. Não deixa de ser interessante que se olhe para esta letra e se pense em encontrar incongruências, faltas de adesão à realidade e um ou outro enquadramento temporal atrasado. Ainda para mais quando, no fundo no fundo, aquela canção retrata a vida de centenas de milhares de pessoas que, envergonhadamente, nunca até aqui a quis sequer evocar. Esta geração dos 30-35 é a primeira que viverá na descida da montanha, no declínio, e viverá a decrescer de qualidade-de-vida e de direitos, ao contrário dos seus pais e dos seus avós. Tudo isto parece tão indesmentível que o exercício fátuo de tentar escondê-lo assemelha-se ao mais puro dos pecados. Contrariamente a alguns comentários insurgentes, eu acho que esta «geração sem remuneração» parece uma interjeição que tem como interlocutor certas Empresas Privadas, Empresas de trabalho temporário e outras. E não tem, necessariamente, o dedo apontado ao Estado. Os Estágios, os Recibos-Verdes e tudo o que mais se inventou. Neste sentido, esta canção significará vincar a ideia de que muita da atitude empregadora se orienta pela lógica exploradora, precária, de maximização do lucro accionista e minimização do projecto social moderno. E só isso, por pouco que fosse, bastaria. Ao mesmo tempo, muitos apontaram à canção a falta de soluções para o problema, a enumeração das causas, acusando-a de ser apolítica. Ora, o conflito entre pais e filhos, uns com a prometida evolução crescente de direitos e qualidade-de-vida, outros com a perspectiva de decréscimo, sem fim à vista, encerra em si mesmo um problema tão complexo que nenhuma canção o resolveria.

E se, por uma vez que fosse, se olhassem os direitos «adquiridos» como o lado bom da estória? E se olharmos para estes direitos como sendo o que está certo e o que deveria esta geração exigir?

jtf

2.2.11

Madame Bovary de algibeira

Hora de almoço. Esta é uma terça-feira com sol mas não muito quente. Ao meu lado, três homens, naquela idade que roça os trinta, divagam abstractamente por temática variada. Vão desde a importância de um brasileiro na eixo da defesa do Chelsea, até à literatura escondida por entre um Codex de figura televisiva. Falam sobre o Egipto. Aquilo lá a religião é uma religião mas não tem nada a ver com o Papa e assim. Quando houve a separação dos discípulos-ou-lá-o-que-é, uns fugiram para o Egipto, os outros não. Gostei. Gosto sempre destes técnicos de mecânica informática que, nutridos daquela ambição de conviver diariamente com a Madame Bovary, aproveitam os rochedos que os rodeiam para explanar toda a imaginação escondida por dentro deles, sem que ninguém os acorde.

jtf

1.2.11

Tendo presente que a minha sabática* acaba lá para os inícios do Verão...

... a Música no Coração decidiu fazer já as propostas para orgasmos. É no dia 15 no Meco. Muito obrigado, muito obrigado.


(para quem não sabe, em cima estão os Portishead e em baixo os Arcade Fire. Sim, vão tocar no mesmo dia)

john