30.6.09

Eu não serei pioneiro.***

A resposta é não. Espero em 2011 já ter carta de condução*, mas se tiver trocos para comprar um carro, comprarei um bom e velhinho automóvel, de preferência não muito grande**, devidamente equipado com um motor de combustão. Enfim, manias.

john

*Toda a gente acha muito estranho o facto de eu, com vinte e quatro primaveras contadas, não ter carta de condução e carro. Serei provavelmente o único alucinado a achar isso perfeitamente normal. Ainda não tive tempo ou paciência para tirar carta de condução, e isso deve-se sobretudo a um pequeno detalhe: impossibilidade de comprar um carro. Quanto à carta, dizem-me que "dá sempre jeito", o que é verdade, mas custa dinheiro. E torna-se um pouco inútil quando não posso conduzir regularmente - não, a minha visita mensal ao Alentejo, onde poderia espatifar o velho carrinho do meu pai, não conta. A isto, respondem-me que "não é assim tão caro como isso comprar um carro em segunda mão". O que é verdade, se olharmos só ao custo do carro. Se colocarmos na equação variáveis para o seguro, o combustível e os impostos, então a factura sobe um bocadinho. E se acrescentar mais uma variável para o tempo que perderia a estacionar na Ajuda, então é bom de ver porque continuo a ser cliente da Carris.

**Outra coisa que todos os meus amigos acham muito estranha é o meu gosto por carros pequenos. Dizem-me os meus amigos que os carros de que costumo gostar são, e passo a citar, carros de gaja. Conceito que me escapa, a mim que sou um assumido ignorante em tudo o que tenha a ver com carros, sendo carburadores, cavalos e rotações conceitos absolutamente estranhos. Sucede que eu sou uma pessoa prática, e a escolher um carro para ter em Lisboa, mais depressa escolhia um Nissan Micra a outro qualquer que não conseguisse ser encaixado entre dois ecopontos (sempre gostei dos Micra, e detesto os Smart). Aquilo que os meus amigos não sabem é que, mais do que gostar de carros pequenos, eu gosto de carros antigos, mas as hipóteses de ter o Ford Anglia azul todo restauradinho que vi uma vez em Campo de Ourique são, como dizer, muito remotas.

*** Consegui fazer um texto onde as notas de rodapé são maiores do que o texto em si. Estou tão contente.

29.6.09

Eleições.

Sou obrigado a concordar com isto. Por motivos puramente pessoais, até porque acredito que o PSD tivesse interesse em realizar eleições autárquicas e legislativas no mesmo dia - apesar de achar que as pessoas, no geral, não são estúpidas. Mas a verdade é que dois actos eleitorais separados apenas por quinze dias obrigar-me-ão a deslocar-me por duas vezes num curto espaço de tempo ao Alentejo, onde posso votar. Ou seja, se eu quiser ir votar em ambos os actos eleitorais tenho de pedir para sair mais cedo do trabalho duas vezes em quinze dias, ou ir para o Alentejo num sábado de manhã para regressar logo no domingo depois de almoço. Não que não goste de visitar a minha terra, atenção. Mas seria tão mais prático despachar a coisa toda logo de uma vez.

Assim, ou faço o esforço ou abstenho-me nas legislativas. A ver vamos.

john

Por outras palavras: estamos bem tramados.

Título no Público: Teixeira dos Santos: “A crise aproxima-se do fim”. E o lead da notícia: Teixeira do Santos, ministro das Finanças, considera que os dados revelados hoje pelo INE são “sinais positivos que indicam que a crise se aproxima do fim”.

Não foi este ministro que decretou o fim da crise antes dela começar? No vosso lugar, caros leitores, enchia a despensa de garrafões de água e latas de atum. Agora, sim, os tempos difíceis estão para chegar.

john

26.6.09

je ne sais quoi

Eu já tinha isto na calha há algum tempo, assim de forma diferente, mas pronto, a coisa perdeu-se porque na altura tive preguiça de procurar imagens. Também não o vou fazer agora, mas isso, caro leitor, interessa pouco. Quero apenas dizer que a pessoa mais azarada que conheço - ou que não conheço, melhor dizendo - é Farrah Fawcett, uma das Charlie's Angels originais, não daquela merda com a Liu, a Barrimore e a Diaz, que foi o filme com o elenco cheio de gajas mais sobrevalorizadas de sempre. A Lucy, pronto, sempre é assim orientalizada, mas dentro do género há as giras e as feias, e ela, por mais divertida que possa ser, cai na segunda categoria. Da Drew, enfim, não há muito a dizer. E da Cameron, os anos passam, e se ela no célebre A Máscara estava simplesmente deslumbrante, daí para a frente foi o declínio absoluto, que nem a langonha na orelha do Doidos por Mary a salvou. Mas falava eu do azar da Farrah Fawcett, actriz de que não me lembro, mas que - leio - foi sex-symbol, e morreu ontem. O azar não é tanto ela morrer porque, enfim, morrer morremos todos, mais dia menos dia vamos todos fazer tijolo. Pessoalmente - aproveito para deixar o recado - no dia em que me finar quero um elogio fúnebre sincero e, se possível, tão imbecil como eu. E se os meus amigos precisarem de ideias, por favor perguntem ao John Cleese. Ele mostra como se faz um elogio fúnebre a sério*. Mas, dizia eu, o azar da Fawcett foi ter morrido no mesmo dia que o Michael Jackson. Não desejava isto ao meu pior inimigo. Jackson, o polémico Jackson, justamente intitulado o rei da pop, morreu por paragem cardíaca (versão oficial). Isto faz manchetes no mundo inteiro, e atira a pobre da Fawcett para as notas de rodapé, para as páginas de necrologia ou, se ela tiver sorte, para a secção "Breves". Injusto, tremendamente injusto para uma sex-symbol que se preze.

Claro que o próprio conceito de sex-symbol tem muito que se lhe diga. No fundo, é uma forma menos brejeira de dizer "gaja boa". Mas há gajas e gajas, e a simbologia é uma coisa tramada, caro leitor, e se uma "gaja boa" já é mais ou menos consensual, já uma "sex symbol" não é. Por exemplo, se o caro leitor me disser que a Scarlett Johansson (escreve-se assim?) é uma "gaja boa", eu concordo. Na hora, assim, e até acrescento "muito boa". Mas não acho a bela Scarlett uma sex-symbol. Enfim, manias. A uma sex-symbol não basta uma carinha laroca, um bom par de mamas, um rabinho atrevido e umas pernocas jeitosas. É necessário aquele je ne sais quoi que nos faz ficar a olhar para elas vezes e vezes sem conta. Por exemplo, uma das mulheres mais interessantes que vi até hoje nem era gira - mas, raios me partam, vê-la vestida daquela maneira enconstada à parede do cinema Londres no intervalo do Gran Torino a fumar o cigarro tão pausadamente continua a causar-me sonhos molhados. Repito, não era gira. Mas tinha aquele je ne sais quoi, aquele charme a que nenhum homem de bom gosto consegue ficar indiferente. Outra foi uma checa (suponho) que vi no Aeroporto de Praga quando lá fui em Novembro, que aliava esse je ne sais quoi a uma beleza sinceramente inigualável. Acredite, caro leitor, nunca vi uma mulher como aquela, e naquele momento quase desejei que o avião que ela esperava (o namorado devia regressar nele) fosse desviado para a Rússia por malvados piratas-do-ar e ela precisasse de consolo nos meus braços.

Regresso de Praga. Ora sucede que a Scarlett não tem esse je ne sais quoi, essa graça no olhar, no mais insignificante gesto, na postura. Ela sempre me deu a ideia de ter tudo aquilo ensaiado, bem estudadinho como o guião de um filme. Ao contrário da Nicole Kidman, por exemplo. Sim, estou a bater lugares-comuns (isto já melhora), mas a Nicole não só é uma grande actriz (apesar do The Golden Compass) como tem um charme irresistível. Isto ocorre-me agora a propósito do Eyes Wide Shut (ando a fazer maratona de Kubrick), um grande filme onde ela aparece simplesmente deslumbrante com aquele ar de professora primária (o pormenor dos óculos). Se bem que a Nicole nem é a minha preferida, confesso. E tudo isto apenas para falar de duas senhoras que não só se afastam do estereótipo "gaja boa" por não serem obviamente "boas" ou "giras", como têm precisamente esse je ne sais quoi de que tenho falado: Winona Ryder e Natalie Portman. A Natalie, pronto, tem aquele ar de eterna menina - eu ainda não vi o Closer. E a Winona tem os olhos mais fabulosos que já vi, que ficam a matar naquele rosto simples enquadrado em cabelo curtinho. Não sei a quem roubou ela os olhos (piada fácil), mas ficam-lhe muito bem. Vou atalhar caminho, que o texto está longo, apenas para referir mais três donzelas que merecem referência em qualquer top de sex-symbol que se preze: Rachel Weisz, que é como a Nicole Kidman, mas em melhor, Allison Sudol (a menina "A Fine Frenzy") e Emily Browning. Sim, esta é ainda muito jovem, mas dêem-lhe uns aninhos. Agora, caros leitores, ide ao Google Images pesquisar isto tudo. Saltar-vos-à à vista a minha ligeira tendência para ruivas, mas isso é defeito de fabrico que dificilmente será corrigido.

john

*Vão ao YouTube e procurem por "Graham Chapman Eulogy". Sim, hoje estou preguiçoso.

24.6.09

espelhos e reflexos #23

Vejo muitas vezes o eléctrico passar em frente, numa vertigem de nostalgia. Na imortalidade simbólica que tatuará as coisas do mundo com o meu nome, relembro as corridas que amiúde fazia na esperança do o apanhar na zona da Reitoria. A vida dividia-se entre alcançá-lo ou não. Nunca vi dicotomia que me representasse, inequivocamente, os meandros da minha existência. A dúvida acaba por não ser se existo ou não, quanto muito se consigo utilizar os meus membros para acompanhar o eléctrico. Por conseguinte, segue a ideia de que não posso negar a vida enquanto o eléctrico enfrentar o atrito dos carris. A soma dos nossos medos e vícios concorre com a velocidade do eléctrico. Quando perdemos a capacidade inata de o acompanhar, atrofiamos, e os músculos entorpecidos são o grito de debandada para a desintegração existencial – isto é, supondo a existência como válida, e não uma falácia de observação dos nossos sentidos (existem de facto?) tantas vezes agentes de camuflagem.
Correr é a solução. O eléctrico a meta. Contemplemo-nos, portanto, quais Carlos da Maia e João da Ega, vencidos que foram da vida, correndo em funções de estiramentos das cordas dos relógios. Lado a lado com o eléctrico e vencendo o atrito. Sempre vencendo o atrito.




fs

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22.6.09

santos populares



pf

21.6.09

Do Desejo #1


1 de Agosto. Paredes de Coura. Jarvis. Jarvis Cocker.
jtf

20.6.09

O governo de valter hugo mãe

Meio Bicho e Fogo; governo; 2009





para mais informações, ver aqui


fs

19.6.09

Os pássaros.

Preciso de luz ao acordar. E dos pássaros. E do barulho da rua de imediato, para que não haja aquele primeiro instante de vigília em que se recupera a consciência mas no fundo ainda se dorme - o terrível instante que deve ser o que há de mais parecido à vida depois da morte. Resistem os que dormem acompanhados. Resistem aqueles que, dormindo sozinhos, acordam com os pássaros. Mas só são felizes os que, dormindo acompanhados, ainda acordam com os pássaros.

No Ouriquense. Pergunta: o irritante papagaio da minha vizinha (com quem, sublinhe-se, não durmo, nem tenciono) conta para esta última opção?

john

Véspera de fim-de-semana,

de uma semana que tem dado para a preguiça. Adiante. Algumas notas antes de rumar à costa alentejana:

i) A Rede Expressos, como eu já suspeitava há muito, é uma merda. O site é pouco funcional, e tentar ligar para a sede é inútil.

ii) Tenho cá para mim que o movimento "Benfica, Vencer, Vencer" (raio de nome) vai perder antes mesmo das eleições. Diz-se por aí que José Eduardo Moniz não quis avançar contra Eusébio, membro da comissão de honra de Luís Filipe Vieira. Portugal em geral, e o Benfica em particular, continua demasiado dependente das "vacas sagradas". Que se lixe o Eusébio. O clube não se faz de velhas glórias.

iii) Parece que o "animal feroz" passou a "cordeirinho", ou, provavelmente, a lobo na pele de cordeiro. À segunda, só cai quem quer. Mas o mesmo se poderia dizer de Paulo Rangel, que agora "não afasta" a possibilidade de deixar o parlamento europeu caso o PSD vença as legislativas em Outubro. Mais valia ter ficado calado.

john

16.6.09

Noventa e quatro milhões.

Bela prosa, esta do Bruno. Dou-lhe toda a razão, naturalmente. Por partes:

i) A actual Selecção Nacional é uma equipa sem líder, orfã de Luís Figo que era menino para carregar a equipa inteira às costas se fosse necessário. Carlos Queirós (Queiroz?) pode não ser brilhante, mas a verdade é que não tem equipa para isso. Vai demorar algum tempo até termos uma equipa como deve ser. Não iremos ao Mundial de 2010 e isso não é nenhuma tragédia: prefiro que a nossa equipa não vá, a ir e fazer a figura que fez em 2002. E não, não tenho saudades nenhumas do Scolari. Boa sorte no Uzbequistão, é o que lhe desejo.

ii) Não gosto de Ronaldo e a razão é simples: cresci a ver Figo e Zidane (entre outros) a jogar à bola, dois senhores em campo e fora dele. Zidane conseguiu despedir-se do futebol profissional à cabeçada e com uma classe inegável - Ronaldo a tentar o feito pareceria um puto. Figo é um caso ainda melhor: um jogador excepcional, um líder incontestável, e um homem que conseguiu não só manter a sua vida privada realmente privada como conseguiu sacar aquela deusa escandinava. Sejamos sérios: não dá para imaginar o Ronaldo com uma senhora daquele calibre. Por isso é que o rapaz aparece nas manchetes com gajas como a Paris Hilton (por favor), como aquela modelo espanhola com cara de actriz pornográfica, ou em rumores com tipas como a Luciana Abreu.

iii) Isso não quer dizer que Ronaldo não seja um jogador extraordinário. Se é ou não o melhor do mundo, isso não sei - até porque o futebol é um jogo de equipa, e um excelente jogador fica entalado se não tiver uma equipa à sua altura (lembremo-nos de Poborsky no Benfica). Mas dá gosto vê-lo jogar.

iv) O montante da transferência para o Real é insignificante, na medida em que se trata de um negócio entre duas entidades privadas. Não há paciência para o velho moralismo do "tanta gente com fome no mundo".

john

Falta de pontaria.

Porque nós, portugueses, não somos propriamente conhecidos pela nossa boa educação ou consciência cívica, os nossos espaços públicos foram adoptando uma série de soluções para evitar as consequências do nosso desleixo natural. Refiro-me naturalmente aos sensores de movimento que hoje em dia substituem os bons e velhos interruptores das lâmpadas das casas de banho de qualquer café, bar, loja do cidadão ou posto dos correios. Era hábito entrarmos na casa de banho, fazer a mijinha ou mandar o fax (ou as duas coisas) e sair sem apagar a luz, que por vezes ficava acesa durante todo o tempo de funcionamento do estabelecimento. Um desperdício de electricidade que deve ter feito muitos donos de restaurante enxugar as lágrimas às facturas da EDP. Problema resolvido: instala-se um sensor de movimento no circuito eléctrico. O sensor, quando detecta movimento, faz a luz acender. E, passado um bocadinho, se deixar de sentir movimento, apaga a luz. Inteligente, pensamos nós.

Muito pouco, concluímos nós, quando nos sentamos para aliviar a tripa e ficamos às escuras quando, passado um pouco, nos encontramos de papel higiénico na mão prontos a limpar o rabiosque. Perdoem a imagem, prezados leitores, e já agora a linguagem que se segue, mas por não ser uma pessoa com pudor de cagar em casa alheia, pública ou privada, dou recorrentemente por mim a bater palmas no escuro a ver se o cabrão do sensor me volta a apanhar e acende a luz. Acreditem: é um desconsolo. Um gajo já está aliviado e aquele maldito *click* do sensor ri-se na nossa cara, como quem diz "agora bate palmas ou limpa o cu ao escuro, meu cabrão". No escritório, é matemático: sento o rabo na sanita e fico ao escuro. O problema, no fundo, nem são os sensores em si, mas a incapacidade de quem os instala de os apontar para o sítio certo. Em muitos casos, eles estão apontados à porta, por isso parecem de facto inteligentes: entramos, eles acendem-se. Mas a maioria dos sensores das casas de banho masculinas não está preparada para que a gente se sente, e por isso, cinco segundos após estarmos sentadinhos a aliviar-nos, lá se vai a luz e toca a apalpar a parede à procura do papel higiénico. Ó senhores: é assim tão difícil apontar o raio do sensor para o sítio certo?

Podia também falar daquelas irritantes torneiras com sensor de movimento (ó deuses), que nos fazem agitar freneticamente as mãos em frente a um ponto invisível na esperança de ver a água correr. Ou mesmo das antecessoras: das torneiras que têm um tempo de duração limitado, que por norma ou é demasiado longo, e dá para três utilizadores tomarem um duche, ou demasiado curto e nem nos dá tempo de chegar com as garras ao sabonete. Saudades das torneirinhas de rosca, que nos permitiam controlar o tempo e a intensidade da água corrente. Já nem entro nos secadores de mãos, provavelmente a invenção mais estúpida da humanidade. Os tempos estão para a poupança, é o que dizem, e estas invenções estúpidas multiplicam-se. Mas é o que digo: a culpa é nossa, e só nossa. Tenho cá para mim que se todos nós apagássemos sempre a luz, ninguém se tinha lembrado do raio dos sensores.

john
O Pedro Duarte Bento tem toda a razão. Falta Pedro Mexia na blogosfera (e também, acrescentaria após uma conversa com o camarada João, o Francisco José Viegas). Isto já pedia uma petiçãozinha online, não?

john

15.6.09

A tropa.

João Gonçalves escreve o seguinte no Blogue de Direita:

O fim do serviço militar obrigatório (SMO) representa um dos maiores disparates da decisão política oportunista nestes trinta e tal anos de regime. A passagem, ainda que efémera, de milhares de jovens portugueses pela "fileiras" nunca fez mal a ninguém. Pelo contrário. Se, como assinalou Cavaco, falta espírito de sobriedade, de missão e de mérito (não a meritocracia dos liberalóides e dos parvenus que "subiram" à custa do regime) à sociedade portuguesa, entre outras circunstâncias, à falta de um SMO se deve. Um SMO que incuta aos jovens um módico de responsabilidade e de disciplina, de respeito por quem se deve ter respeito e de compreensão pelo valor da verdadeira autoridade, aquela que é despojada de tiques autoritários mesquinhos e que se impõe por si mesma. As escolas estão no estado em que estão. As universidades, cheias de corvos bêbados, é o que se vê.

Tenho sérias dúvidas de que nas fileiras da hierarquia militar não existam os tais "tiques autoritários mesquinhos". A avaliar pelos exemplos que conheço, quer pessoalmente quer por pessoas cuja opinião tenho em consideração, diria precisamente o contrário: é na hierarquia militar, onde há autoridade por causa das divisas que se ostentam nos ombros, que se podem encontrar os melhores exemplos de "tiques autoritários mesquinhos". Adiante. Tendo nascido em 85, pertenço à geração que viu desaparecer o Serviço Militar Obrigatório. Nem tive de ir à "inspecção", ou à alucinação que alguma alma iluminada apelidou de "Dia da Defesa Nacional", que por aquilo que sei, parece uma tentativa de lavagem cerebral colectiva. Bastou-me ir à Câmara Municipal de Odemira, onde me registaram e perguntaram se queria ser voluntário para "a tropa". Ao que respondi "não".

É provável que a passagem pelo SMO nunca tenha "feito mal a ninguém". Mas não acho que deva ser o SMO a ter a responsabilidade de incutir "um módico de responsabilidade e de disciplina". Isso cabe à educação dos pais e à escola - e esta, se está no estado em que está, não é por causa do fim do SMO. Quanto aos universitários "corvos bêbados", caro João, digo-lhe com todo o respeito que o estereótipo está demasiado batido. E a comparação não serve: fiz demasiadas viagens nas noites de sexta e nas tardes de domingo em regionais e intercidades cheios de "mancebos" bêbedos a latas de Sagres que custam um euro e vinte no bar do comboio. Acredite que naquela companhia, nenhum desses "corvos bêbados" de que fala se sentiria deslocado.

Quanto ao SMO, tenho apenas a dizer que o regime de voluntariado faz todo o sentido. Em tempo de paz, só pega em armas quem quer. Eu não fui voluntário, e confesso, recorrendo sem pudor ao argumento dos fracos: passei muito bem sem a humilhação que a minha péssima compleição física me iria trazer na "tropa". É uma posição egoísta e mesquinha, eu sei.

john

Chunga.

Não quero saber dos noventa e quatro milhões de euros que o Real Madrid pagou pelo Ronaldo, e acho incompreensível (para não dizer embaraçoso) que o tema seja interessante ao ponto de até o Presidente da República falar sobre ele em público. Também não me interessa que Ronaldo se ande a encontrar com a Paris Hilton em Los Angeles - se é para falar de vácuo, prefiro falar do espaço e discutir qualquer tema de astronomia, sinceramente. E muito menos me interessa as maluqueiras que o rapaz - que se não valesse noventa e quatro milhões de euros passaria por chunga em qualquer rua deste país - anda a fazer em Las Vegas. Infelizmente, não consigo evitar captar essas notícias, que até nos jornais escandinavos fazem eco. Mudemos de assunto, por favor.

E sim, o facto de eu falar disso aqui é uma contradição. Mas este calor abafado frita-me os miolos. Já agora, "chunga" é com "ch" ou "x"?

john

A palhaçada.

Todos os anos por esta altura, já com a silly season a bater à porta (se não está já instalada durante todo o ano), há um tema que me diverte sempre nos jornais: os exames nacionais. Invariavelmente, surgem nos media as mesmas peças sobre os malvados dos exames, com opiniões de alunos evidentemente descontentes com a coisa, o estudo intensivo, até com os pais falam. É injusto avaliar o percurso de um ano de um aluno numa prova que dura hora e meia, dizem, falando de avaliações contínuas e de outras pedagogias.

Até vou ignorar, por agora, o facilitismo que se apoderou do sistema educativo português e os objectivos estatísticos do Ministério da Educação. Mas pensemos um bocadinho: se um aluno trabalhou durante todo o ano, fazer em Junho um exame que inclui a matéria de todo o ano não será propriamente um dos doze trabalhos de Hércules. Ao contrário do que se pensa, os exames nacionais (ou as antigas provas globais de final de ano) não são a antítese da avaliação contínua, mas sim a prova final da avaliação contínua. Valem uma percentagem da nota final, visto servirem essencialmente para que os alunos demonstrem aquilo que aprenderam. É curioso, mas não conheço ninguém que se tenha lixado com os exames nacionais (ou com as provas globais). Pelo contrário: vi excelentes alunos a provarem o seu conhecimento e a manter, quando não a subir, a sua média; vi alunos razoáveis a subir um ou dois pontos percentuais na média final; vi alunos que concluíram o décimo-segundo ano graças aos exames nacionais, já que a sua média andava no oito e meio. E vi calões, que durante o ano inteiro se baldavam a aulas, a chumbar (ou a não transitar de ano, segundo o eduquês).

A contestação aos exames nacionais é a prova definitiva da palhaçada que tomou conta do ensino neste país. Passar, sim. Ser avaliado, não. Disparate. Por mim, voltavam as provas globais também. Não iremos a lugar algum enquanto isto continuar assim.

john

11.6.09

espelhos e reflexos #22

Estão sentados nas mesas de pedra ao lado da igreja. Em silêncio. Nenhum deles se atreve a formular o mais simples som. Ela quieta a olhar para ele. Ele a escrever no bloco de apontamentos que jamais larga. Vinte centímetros os separam e, no entanto, a distância nunca lhes pareceu tanta. Sabem-se separados e recusam encetar o corte do laço que os une.
No cimo da igreja começa a tocar o sino fúnebre. Sai em cortejo um caixão ladeado por pouquíssimas pessoas. Contam-se pelos dedos. As más-línguas dizem que o morto é um homem que sucumbiu a um excesso de nostalgia.
Eles decidem olhar, por fim, um para o outro. Cabe a ela articular o primeiro som indicativo de uma separação iminente. Ele continua a escrevinhar. O discurso acaba.
- Não há mais nada a dizer
Ele levanta-se, rasga a folha do bloco e coloca-a, religiosamente, nas mãos suaves dela enquanto se afasta.
- Nunca houve
Nas mãos repousa um alinhavar de palavras:

Mata-me, pois, matando-me de morte
Que um morto cheio de morte
Morto está de vida



Ele junta-se ao cortejo do homem que sucumbiu a um excesso de nostalgia. Desaparece no meio do bater estrondoso dos sinos. E nunca mais voltará a ser visto.




fs

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9.6.09

E agora, os feriados.

E esta sugestão de leitura. Divirtam-se, e se não der muito trabalho, peçam para que alguém pague a conta do bom tempo. Não há eleições nestes dias, portanto não há perigo de sessenta e três por cento dos portugueses não ir cumprir o seu direito cívico por preferir a Costa da Caparica ou Quarteira.

john

8.6.09

O choque tecnológico a pilhas de 1,5V.

Li algures que quem foi votar munido apenas do seu Cartão do Cidadão - aquele cartãozinho mágico que, por meio de um chip, agrega todos os nossos números de identificação - viu-se encalacrado, e acabou por ser necessário o velhinho Cartão de Eleitor, aquele rectângulo gigantesco de cartolina branca.

Pergunto eu agora: para que raio serve afinal o Cartão do Cidadão? Aparentemente, para nada. Haverá quem me diga que serve para "simplificar a vida", pois em vez de termos de ter na carteira o BI, o cartão de eleitor, o cartão de contribuinte, o cartão da segurança social e o cartão de utente, podemos ter apenas um cartãozinho, do tamanho de qualquer cartão multibanco. Puro delírio. Simplificar a vida seria, para começar, eliminar todos os cartões e identificar os cidadãos apenas pelo número da Segurança Social, como aliás se faz em vários países civilizados. Mas já que o frenesim pseudo-tecnológico é inevitável: simplificar a vida seria, antes de implementar o Cartão do Cidadão à martelada, tratar de cobrir todos os aspectos técnicos da coisa. Ou seja, preparar as mesas de voto, as bases de dados, tratar dos mecanismos de segurança, etc.

Já se viu que o nosso "tecno-Governo" mete água por cada chip. Para além dos sucessivos problemas com a criação, emissão e utilização do Cartão do Cidadão, houve também os problemas linguísticos do Magalhães, a sobrecarga dos serviços fiscais online no último dia de entrega do IRS que só não legitimou um roubo por parte do Estado porque os protestos foram, ao que parece ruidosos. Sabe-se que há atrasos na entrega dos computadores dos vários programas e-qualquer coisa. Tanta trapalhada e não consigo ficar descansado quanto à segurança dos nossos dados. Por isso mesmo só farei o Cartão do Cidadão quando a isso for obrigado: em 2010, exactamente no último dia de validade do meu BI. E isto se não emigrar entretanto, claro.

john

Da gratidão

A inefável Ana Gomes tem um artigo notável no Causa Nossa:

É um direito.
Um direito que só vale se for exercido.
E é um dever também.
Convém não esquecer que houve quem morresse para nós podermos votar livremente em Portugal.

Adoro o raciocínio da última frase. Levado ao extremo, pode-se argumentar que quem emigra está a trair a pátria pela qual Dom Afonso Henriques tão fervorosamente se bateu, e que tantos portugueses defenderam ao longo de novecentos anos.

Mas no fundo, Ana Gomes até tem razão quando disse que houve quem morresse para nós podermos votar livremente. E votar livremente também implica não votar.

Ler estas merdas dá-me vontade de nunca mais votar.

john

Notas de fim-de-semana.

i) Acompanho o jogo no mais improvável dos lugares: no terminal de chegadas do Aeroporto da Portela (experiência a repetir). Acertei no resultado, falhei num dos goleadores - mas o Bruno Alves nunca me falha. Jogo fraco. Muito fraco. Mas vencemos, é o que importa. Não era o Scolari que dizia que até podia ganhar por meio a zero?

ii) Comprei finalmente o "i" ao Sábado. Gostei muito da revista, dedicada ao tema dos "chicos-espertos", apesar de achar o editorial de Pedro Rolo Duarte uma idiotice pegada, um oito e meio na escala de disparate comparada Miguel Sousa Tavares.

iii) Rangel não precisou do meu voto. No final, ganhou uma campanha que primou acima de tudo pela ética, derrotando outra que procurou levar tudo para o famoso pântano. O Bloco tornou-se na terceira força política, o que não deixa de ser sintomático (tenho cá para mim que aqueles que bradaram contra a elevada votação num partido de extrema-direita na Holanda vão ficar caladinhos agora). Os comunistas continuam a dominar o meu Alentejo, o que me chateia. E o CDS continua por cá a desafiar sondagens.

iv) Apesar do vento e do tempo desconfortável, sessenta e cinco por cento dos portugueses preferiram fazer outra coisa a votar. Qualquer desculpa serve. Não vou aqui apontar dedos, obviamente, porque também eu não fui votar, e porque acho que a democracia também é isso: escolher não só em quem se vota, mas, e antes de qualquer outra coisa, se se quer votar. Recordo no "i" de sábado Tim, dos Xutos, a dizer "o voto devia ser obrigatório e não se falava mais nisso". O Tim parece ter tanto jeito para comentário como para fazer músicas de jeito nos dias que correm.

john

7.6.09

Commentarìu-

#1 Torna-se claro que o BE desenvolve um jogada de marketing ao escolher mulheres atraentes para as suas listas. Mesmo que a quase totalidade delas sejam alarvemente ocas. Enumeração: Joana Amaral Dias, Ana Drago; e, agora, Marisa Matias. Isto ainda se torna mais repudiável quando o terceiro da lista é o louvável Rui Tavares. Está bom de ver que aquela imagem de esquerda moderna, próxima do povo, atenta às portuguesas e aos portugueses, não passa de uma tropa vendida às agências de comunicação. Como todos os outros.

#2 O bom resultado do psd deve-se unica e exclusivamente ao Paulo Rangel. Nada mais.

jtf

Três apontamentos

1. O camarada john, volto a dizer, além das paredes de texto com que nos brinda, deveria enveredar pela futurologia. Pelo que parece, o dia de reflexão correu-lhe de feição. Ora atente-se nesta previsão ao resultado da (outra vez pobre) exibição de Portugal.

2. Hoje fui votar pela primeira vez. Aproveitei a ida a casa no fim-de-semana e lá fui à junta de freguesia deixar o meu voto. O meu ténue deslumbramento pela primeira participação efectiva numas eleições democráticas só esbarrou no intermitente silêncio que reinava nas mesas de voto quase às moscas.

3. Roger Federer. Roland Garros. 14º Grand Slam.




fs

6.6.09

A Boca do Inferno.


O Ricardo comentará amanhã as eleições na emissão especial da sic. Ao menos isso, pá.

jtf

Dia de reflexão (III).

Previsão para Domingo, 7 de Junho de 2009

REGIÕES NORTE E CENTRO:
Céu geralmente muito nublado.
Aguaceiros, sendo fracos e pouco frequentes nas regiões a sul do
sistema montanhoso Montejunto-Estrela.
Vento fraco a moderado (10 a 25 km/h) de sudoeste, tornando-se
forte (35 a 50 km/h) nas terras altas para o fim do dia.

REGIÃO SUL:
Céu geralmente pouco nublado, temporariamente muito nublado no
Alto Alentejo onde poderão ocorrer aguaceiros fracos.
Aumento gradual da nebulosidade a partir do fim da tarde.
Vento fraco a moderado (10 a 30 km/h) de sudoeste.
Pequena subida da temperatura máxima nas regiões do interior.

ESTADO DO MAR:
Costa Ocidental: Ondas de oeste com 1,5 a 2 metros.
Temperatura da água do mar: 17ºC
Costa Sul: Ondas de sudoeste com 1 metro.
Temperatura da água do mar: 18ºC

Fonte: Instituto de Meteorologia, IP.

john

Dia de reflexão (II).

É engraçado que, até ao momento, a blogosfera política que costumo acompanhar, tanto à direita como à esquerda, se encontra curiosamente silenciosa quanto ao tema eleições. Respeito por uma ridícula lei da república, ou medo de que Santos Silva e um batalhão de assessores ande a vasculhar os blogues com o lápis do MS Paint em tons de azul?

Já agora, alguém me sabe dizer o que acontece a quem infringir a regra? Multazinha, visita ao tribunal, xilindró ou serviços comunitários até às legislativas?

john

Dia de reflexão.

Então, rapaziada, estamos todos a reflectir ou quê?

Eu já fiz a minha reflexão.

Dois a um para Portugal, golos de Bruno Alves e de Deco. Quem marca pela Albânia é que não consigo adivinhar, porque não sei o nome de nenhum jogador.

john

5.6.09

Confesso-me surpreendido,

pois não pensei ver o dia em que iria subscrever as palavras de Fernanda Câncio, mas dou-lhe toda a razão aqui. Acrescentando que na minha primeira aula de Teorias do Jornalismo (no meu longínquo primeiro ano), o meu professor, Mário Mesquita, começou logo por quebrar essa ideia ao dizer, para choque da turma, que o jornalismo não é nunca objectivo precisamente porque o jornalista não relata os factos, mas os factos como ele os vê (percepciona). 

Grande lição.

john

O tempo é sempre uma boa desculpa.

Tenho cá para mim que no domingo, os eleitores portugueses não irão para a praia, para as esplanadas, para os centros comerciais. Mas provavelmente não sairão de casa para irem às urnas devido à chuva.

john

4.6.09

Tragam dinamite, sff.

Aguardo com expectativa o resultado prático desta nova tentativa de atirar merda à ventoinha do BPN para acertar no presidente da república. Não estou a dizer que ele não tem de dar explicações (apesar de achar que já as tinha dado, mas o Expresso voltou à carga - e ninguém fala em "cruzada" ou "campanha negra" agora?). Mas é curioso ver os mesmos que tentaram abafar o caso Freeport com tanta veemência agarrarem-se a este "caso" como gato a bofe (veja-se Vital Moreira, o tal professor doutor de Coimbra (meu Deus!) que elevou tanto o debate que o fez explodir na estratosfera e despenhar-se com força num lodaçal).

Há "casos" na presidência da república, no parlamento, nos partidos, na procuradoria-geral, nos magistrados, nos advogados, no jornalismo. Agora é só esgravatar, até que o país imploda de vez. Não vai ser bonito, mas parece ser um mal necessário.

john

Frustração

é andar há anos para ver um concerto de Maria João e Mário Laginha, sem sorte; e saber agora que, no próximo dia cinco (amanhã, portanto) eles vão actuar em Odemira e eu não vou poder ir.

john

3.6.09

Susan Boyle

Sobre Susan Boyle, recomendo este texto de João Tordo no Corta Fitas.

Descobri a senhora, por assim dizer, quando uma amiga me aborda no messenger a perguntar "já ouviste a Susan Boyle?". Respondi que não, que nunca tinha ouvido falar de tal pessoa. Ela lá me mandou a hiperligação para o Youtube, onde pude ouvir a sua actuação no tal concurso inglês.

Boa voz. Foi o que pensei. Mas a coisa não me emocionou. Nem quando soube da sua história de vida, que, desculpem, é igual à de milhares de pessoas em todo o mundo. Há imensa gente com talento - para cantar, para tocar um instrumento, para escrever, para dançar, para praticar uma modalidade desportiva, enfim, para fazer o que quer que seja - que nunca verá esse talento revelado e reconhecido. Não terá essa oportunidade. A amarga ironia é que Susan Boyle, creio, também não a terá. A senhora tem uma história comovente? Concedo que possa ter para alguém menos insensível que eu. Canta bem? Sim, tem voz para isso. Mas entrou no mundo das celebridades da pior maneira: revelada pela televisão e pela Internet - que, para que conste, tem potencial para ser tremendamente pior que a televisão nesse aspecto. Em breve, será triturada pelo frenesim mediático para o qual não tem (nem pode ter) estofo para aguentar. E será esquecida, como tantos outros que concorreram a concursos do género, porventura com mais talento. 

Não é necessário irmos muito longe para perceber isto. Do fenómeno Big Brother, que fez celebridades instantâneas, quem ficou? Dos "concursos de talentos" como a Operação Triunfo, a Chuva de Estrelas ou o Ídolos, quem ficou? Eu respondo: a Sara Tavares, porque fez carreira noutro lado e hoje ninguém se lembra de a ouvir cantar Whitney Houston em horário nobre na SIC (e porque tem realmente talento), e a Luciana Abreu, que é assim o fenómeno que alimenta os folhetins de revistas como a TV 7 Dias - revista que agora se entretém a explorar alegremente as vidas das crianças que vão àquele concurso da TVI.

Susan Boyle não será diferente. Subscrevo as palavras do João Tordo. Ela podia ter uma "vida de merda", mas daqui para a frente só vai piorar. Será pura carne para canhão. 

john

Juro que não estou a brincar,

mas no domingo, enquanto esperava pelo Intercidades na Funcheira e me dirigi à tasca da estação para beber um café e um whisky, reparei que a senhora que estava a tomar conta da tasca tinha uma semelhança notável com Susan Boyle.

Fisionomicamente falando, claro.

john 

Eleições Europeias meet Apuramento Mundial 2010

E, de facto, se Portugal meter o pé numa argola albanesa, ninguém vai sequer pensar em Rangel, Vital ou em qualquer outro candidato.

john

2.6.09

A divisão do Mundo

O Mundo divide-se entre os que preferem batatas-fritas aos palitos e os que gostam mais às rodelas.

jtf

O engenheiro fora da rádio.

Eu posso estar enganado, mas se bem me lembro, a polémica de há uns meses com um certo anúncio a propósito de manifestações que passou na Antena 1 deveu-se essencialmente ao facto de ser uma propaganda (sim, propaganda) governamental a atacar (procura-se verbo melhor) os cidadãos que se manifestam, e o direito à manifestação e à greve. Repito, posso estar enganado nesta interpretação; mas se não estiver, então parece-me a mim que o Tomás Vasques está a misturar alhos com bugalhos ao comparar a situação com o caso da música do engenheiro, curiosamente auto-censurada das rádios públicas e privadas nacionais. Pode não ser o primeiro single, pode a banda não querer ficar associada a uma música de protesto (mas se não queria, porque fez o raio da música?), mas não deixa de ser curioso que todas as rádios ignorem um fenómeno tão popular. E não, não estou a sugerir que houve censura governamental, apesar de essa possibilidade não parecer tão descabida quanto isso se pensarmos, por exemplo, nos tiques do ministro Santos Silva.

Mas uma coisa tem de ser dita: a tal música só vale mesmo pela questão política. Porque musicalmente é uma merda. Como tudo aquilo que os Xutos têm feito ao longo dos últimos anos.

john

Butterflies and hurricanes

Só para informar que a 29 de Novembro os Muse tocam no Pavilhão Atlântico.

john

1.6.09

Mimos






fs

Eu diria que serve para nada.

Tem toda a razão. Na verdade, até o Jardim da Fonte Férrea, em Odemira, tem mais movimento e mais animação que o Terreiro do Paço. E não estou a exagerar, nem a ser irónico.

john

Eu voto, mas não desta vez.

Bernardo Pires de Lima diz que há gente irresponsável que opta por não votar. Era capaz de esperar uma destas do seu companheiro de blogue, mas não do Bernardo, que normalmente costuma ser mais sensato. Que também fala de pessoas com responsabilidades públicas a apelar à abstenção (lendo o Cachimbo de Magritte fico a pensar se a alusão se destina ao agora mui amado Marinho Pinho, alguém confirma?). E termina com uma verdadeira cereja, aludindo aos "poucos portugueses lutaram para que muitos pudessem votar um dia", decidindo que "o mínimo que estes milhões poderiam fazer era honrar essa conquista. Infelizmente não o fazem. Depois não se queixem."

No dia em que me for possível votar a partir de uma qualquer mesa de voto deste país, então eu até poderei ser irresponsável por não votar (o que já implica dar um grande desconto ao disparate). Até lá, lamento muito, mas tenho mais que fazer no domingo do que ir de Lisboa ao Alentejo para votar. Mas acho que não vai ser o meu voto que decidirá se Paulo Rangel ganha ou não (se ele perder por um voto, ficarei frustrado, acreditem).

De resto, dou-lhe a razão: poucos lutaram para que muitos pudessem votar um dia. Mas a palavra-chave aqui é mesmo o verbo poder. As pessoas hoje podem votar livremente. Tal como, muito livremente, podem optar por ir para a praia. Ou ficar em casa, por considerarem que os políticos que temos não merecem o seu esforço. Aliás, a liberdade é tanta que até podem ir votar, e ao invés de fazerem uma cruzinha no candidato que querem, podem deixar o boletim em branco ou fazer um desenho cubista ou mesmo renascentista. Podem ser escritos insultos aos candidatos ou pode ser rabiscada uma receita de carne de porco à alentejana.

A liberdade e a democracia também são isto. O voto, ao contrário do que muitos iluminados (como o Sr. César) pensam, não é um dever. Uma obrigação. É um direito que temos. E como tal, temos todo o direito de exercer, ou não, esse direito. Independentemente de nos queixarmos ou não.

john