30.6.11
que o negócios nos diga hoje que o actual Ministro - que também é Álvaro - é o 37º agente mais poderoso da economia portuguesa; ao mesmo tempo que se acha que o país chega a esta «situação insustentável» apenas por responsabilidade dos «governos».
jtf
29.6.11
28.6.11
Coisas
Anda-se a dizer que a nova infantaria de Sec. de Estado é caracterizada pela juventude, independência, competência e sensatez. Só tenho três coisas a dizer: Marco António Costa, Daniel Campelo e Teresa Morais.
jtf
26.6.11
A Primeira Cimeira Europeia
Portugal parece aqueles alunos que chumbaram de ano, compraram cadernos ambar pretos, lápis e canetas bic novas. Camisa lavada e sapatos engraxados. Prepara-se para repetir o ano. Contudo, ainda não se deu conta de que a escola vai fechar.
jtf
25.6.11
Salada II
João,
eu, pessoalmente, acho o caso da licenciatura absolutamente lateral e pouco relevante do ponto de vista jornalístico. Esta minha posição não é inconciliável com o facto de se achar - e eu acho-o convictamente - que os Primeiros-Ministros não são intocáveis. Não são e não devem ser. Mas este caso levanta uma discussão sistémica - que nunca se faz em Portugal - e que é a que nos conduz à mensuração dos benefícios e malefícios entre o perigo panfletário do jornalismo furão, e a relevância pública (e jornalística) de certos temas. Porque, como está bom de ver, o perigo de manipulação jornalística intencional - sem base factual minimamente sustentada - existe e põe em causa a vida social saudável.
Do meu ponto de vista, qualquer abordagem sensacionalista é nefasta. É-o com Paulo Portas e foi com Sócrates. Facilmente admitiremos que por muito menos do que o caso dos submarinos representa, já Sócrates teria sido trucidado pelo poderoso anti-situacionismo.
Devo dizer, igualmente, sobre o caso do processo movido pelo Presidente da República, que Cavaco «anda por cá» há muito mais tempo do que Sócrates. Em abono do rigor, deveríamos normalizar os conceitos e chamar Cavaquice ao exercício em análise. O seu a seu dono.
O argumentário do PSD nos últimos anos centrou-se naquilo a que podemos designar como simplificação arrogante da culpa. Quase todo o discurso de oposição, nos últimos anos, circunscreve-se à ideia básica - e, por isso, tremendamente eficaz quando em contacto com as massas - de que a situação a que o País chegou reside, quase de forma mística, na ausência do racional da personalidade de José Sócrates. Ou seja, a técnica argumentativa concentrou-se na generalização de que Sócrates é um ser desprovido de racionalidade e - até mesmo - humanidade. Daqui decorre uma certa ideia espalhada de que os problemas são de fácil resolução e só não são resolvidos porque o nível cognitivo de Sócrates não o permite. Ora, do ponto de vista político, este tipo de «chegada ao poder» acarreta dois problemas fundamentais: 1) a fasquia que o PSD coloca a si próprio, agora que é Governo, é tão alta que dificilmente a transporá; e 2) no caso do PSD acreditar mesmo que o único entrave ao «desenvolvimento» (em todos os seus significados) era José Sócrates, o país pagará muito caro esta infantilidade.
Poder-se-á, facilmente, admitir que a forma como Sócrates lidou com a crise foi infantil e obstinada. Eu admito-o. A minha única interrogação é se isso foi uma inevitabilidade ou uma intencionalidade. Explico: estar de fora é muito fácil, difícil é lá estar. Os Governos dos restantes países da União reagiram da mesma forma que Portugal, em 2008 e 2009. Serão todos maus? Duvido.
Eu também considero pulha a comparação com DSK. O curioso - e era a isto que me referia - é que muitos foram os que acharam admissível e explicável a comparação de Sócrates com Hitler. O nível de condenação foi incomparavelmente menor.
Quanto ao teu ponto 2.1, diria que poderão interessar-me vidas sexuais de algumas figuras públicas. Os políticos não estão nesse grupo.
João, confesso-te que sou muito pouco sensível ao argumento de que «pior do que governo anterior não poder ser», quando nos referimos ao novo executivo. Acho-o perigoso e, sobretudo, falacioso. Do mesmo modo que poderemos sempre estar melhor; poderemos também estar pior. A mim preocupa-me o facto de que já passaram quase quarenta anos desde que a democracia foi conquistada em Portugal, e ainda hoje ouvimos o uivo público de que nenhum Governo serve. Porventura - estou certo disto -, o problema é outro. O problema é outro.
jtf
Ps: João, dir-te-ei que sou um pouco fanático e um pouco socialista. Como sou um pouco muitas outras coisas. Não faz mal a ninguém.
22.6.11
Passos Coelho, há que reconhecer,
é um homem de opções. Catroga, Rangel e Nobre fracassaram. Gaspar, Crato e Assunção triunfaram. Pode ser uma lição importante. Talvez fosse melhor passar logo directamente para as «segundas escolhas», porque elas - na verdade - são muito melhores.
jtf
21.6.11
Facticidades
Passos Coelho tomou posse hoje. As felicidades desejam-se no início. Quatro factos relevantes: (i) onze ministros em vez de dez; (ii) nobre não será presidente da assembleia da república; (iii) o gorado candidato dissera que «se não for eleito presidente da AR renuncio de imediato» e, pelos vistos, mantém-se; e (vi) não serão nomeados novos governadores civis, o que é um bom início.
jtf
17.6.11
«Presunção de inocência no CEJ*
Terá havido copianço generalizado num teste de uma cadeira do Centro de Estudos Judiciários. Perante o facto, o CEJ, por decisão administrativa, atribuiu um 10 a todos os alunos. O director adjunto do CEJ justificou a decisão afirmando que entre os 140 auditores de Justiça houve quem não tivesse copiado, pelo que uma sanção mais pesada seria injusta para estes últimos, que também ficaram com nota 10. Ou seja, é legítimo punir os inocentes, desde que a pena não seja muito pesada.
Este episódio revela a forma como em Portugal se faz justiça. A generalidade da opinião pública prefere falar da virtude dos futuros magistrados. Mas o verdadeiro problema nunca está na virtude dos homens. Os homens são como são. O problema está na forma como as instituições avaliam a virtude e seleccionam os homens. No caso concreto, a instituição optou por nivelar por baixo, punindo cegamente e sem fundamento todos por igual. Por não ter criado em devido tempo mecanismo que impedem o copianço e mecanismos que detectem sem margens para dúvida quem copia, o CEJ vê-se obrigado a punir levemente todos, incluindo os que não copiam. Este fenómeno observa-se nas instituições de justiça em geral. Como o sistema é incapaz de separar os criminosos dos inocentes, tanto uns como outros são punidos a penas leves que vão desde a submissão a longos processos judiciários inconclusivos à prisão preventiva sem prova de culpa por alguns meses. Até podes ser inocente, mas pelo sim, pelo não, levas uns meses de cadeia e ficas com a reputação arruinada.»
JoaoMiranda in Blasfémias
jtf
16.6.11
15.6.11
Salada (sem pepino)
João,
não te tenho nem por fanático nem por socialista. Nem perto disso.
Segue agora a salada:
É verdade que durante o tempo de Sócrates se atirou muita lama, mas também se fez alguma investigação interessante - e útil. O caso da licenciatura é disso um bom exemplo (e nem foi um jornalista a pegar nele). A menos que consideremos um primeiro-ministro intocável, creio ser perfeitamente legítimo investigar - e, preferencialmente, sem receio - se é ou não verdade que o primeiro-ministro obteve uma licenciatura pela porta das traseiras (como se provou, apesar de não ser crime). Da mesma forma, parece-me perfeitamente legítimo que, havendo suspeitas sobre um grande empreendimento autorizado de forma duvidosa em paisagem protegida, se comece a investigar o caso precisamente pelos elementos do Ministério do Ambiente da época do licenciamento, ou mesmo se houve envolvimento (por acção ou omissão) do PM. É verdade que a partir deste ponto houve muita merda a ser atirada à ventoinha, mas não tenho dúvidas de que existiam fundamentos mais do que suficientes para uma investigação. Já as casinhas, concedo, são mais uma matéria de fait-divers, mas ainda assim um tal caso seria notícia em qualquer parte do mundo.
Já agora, e pegando num caso diferente, considero absolutamente escandaloso o processo movido por Cavaco Silva contra o director da revista Sábado. É uma socretinice que não lhe fica nada bem, sobretudo quando, à data do artigo em causa (por acaso certeiro), não era ainda Presidente. E ainda que fosse.
Adiante. Se te referias às declarações de Ana Gomes:
1) Considero perfeitamente legítimo que ela pense que Portas pode não ter legitimidade moral para governar devido aos casos nos quais se viu envolvido. Aliás, até concordo mais ou menos com ela, apesar de achar que a senhora esteve convenientemente caladinha durante seis anos.
2) Considero pulha a comparação a Strauss-Kahn, assim como as postas de pescada mal amanhadas sobre prostituição masculina. A este nível, só talvez a tirada dos "colos" usada por Santana Lopes na campanha de 2005, igualmente torpe.
2.1) De resto, desde que não use para tal um carro do Estado e dinheiros públicos, não me interessa onde, como e com quem um político - esteja ele no Governo, no Parlamento ou numa autarquia - vai dar umas quecas.
O pepino:
Não sei se seria possível ter apenas 10 ministérios, mas não vejo por que não (1 - Defesa, 2 - Finanças e Economia, 3 - Agricultura e Pescas, 4 - Saúde e Solidariedade Social, 5 - Educação, Ciência e Ensino Superior, 6 - Obras Públicas e Ordenamento do Território, 7 - Justiça, 8 - Administração Interna, 9 - Negócios Estrangeiros. Nove. O resto distribui-se por secretarias de estado). Nem me lembro de ter ouvido Passos Coelho dizer que não houve crise internacional - o próprio Sócrates tentou puxar esse argumento no debate, e a coisa correu-lhe mal. Ninguém, que me lembre, nega que houve crise. Houve foi uma forma particularmente infantil, obstinada e irracional de lidar com ela, e o resultado está à vista. Convém também lembrarmos os juros que pagámos este ano (bem acima dos sete por cento), as benesses todas de 2009 - a crise deve ter ido de férias durante a campanha eleitoral - e as declarações lunáticas de alguns ministros que, ao longo dos anos, foram declarando o fim da crise, enfrentaram a crise orientando-se pelas estrelas e insistiram em todos os disparates possíveis e imaginários, de um aeroporto onde Judas perdeu as botas a um TGV de utilidade duvidosa e de construção escandalosa num país onde a linha férrea convencional está a ser paulatinamente destruída.
Sim, os próximos tempos serão conturbados, nem todos os objectivos serão concretizáveis, e é perfeitamente possível que o governo de Passos Coelho e Portas venha a revelar-se uma bela merda. Mas merda já o outro foi. Uma vez mais, meu caro, é essa a grande vantagem da democracia: podermos correr com governos que não nos servem. E o anterior não servia - deu provas disso vezes sem conta. Como tal, até 5 de Junho era absolutamente secundário pensar se o governo do PSD ou do PSD+CDS seria bom ou mau. A partir do momento em que este Governo tomar posse, começamos a avaliá-lo. Se for tão mau como o anterior, daqui a quatro anos (ou menos) corremos com ele. É simples.
É mesmo assim tão simples.
john
Portugal S.A.
Há sempre este desporto nacional da adivinhação. Estou relativamente convencido - pelo afinco dos últimos seis anos - que Mário Crespo será o Ministro com a tutela da Comunicação Social. A meritocracia triunfará no Portugal, S.A..
jtf
14.6.11
Da Promessa
Descobri, com pouco espanto, que existem certas pessoas para as quais - subitamente - acusações sem provas e condenações em jornais-de-sexta são inadmissíveis. Pré-cinco era o prato-do-dia; pós-cinco são insinuações torpes. Isto promete. O filme ainda mal começou.
jtf
8.6.11
7.6.11
Definição Partidária
Um partido que tem a Teresa Caeiro nas suas fileiras, na verdade, não é um partido. É uma auto-definição.
jtf
1.6.11
Um pouco atrasado, mas aqui vai:
O empate é de facto impressionante, João, mas não por mérito de Sócrates. Aliás, mérito é precisamente tudo aquilo que falta a Sócrates. O que me surpreende no "empate técnico" é, passados estes seis anos, haver cerca de um terço dos eleitores portugueses que continuam a votar cegamente naquele homem. Como se o PS fosse um clube de futebol. Dir-me-ás: a alternativa não é melhor. Concedo que não seja. Mas é uma alternativa, e isso por si só já é alguma coisa. O que lá temos sabemos que é mau. Nesta altura do campeonato, e sabendo o que lá temos, chocar-me-ia menos assistir a uma fuga de votos para o PCP e para o BE, partidos nos quais nenhum whisky no mundo me fará votar.
Podemos até pensar como Robert A. Heinlein, nesta memorável passagem de Stranger in a Strange Land:
(...)
"As I said, the S.S. is just a tool. Men are always for hire who like dirty work. How dirty will that work become if you nudge Douglas out of his majority?"
"Jubal, are you telling me that I ought not to criticize the administration? When they're wrong? When I know they're wrong?"
"Nope. Gadflies such as yourself are utterly necessary. Nor am I opposed to 'turning the rascals out' - it's usually the soundest rule of politics. But it's well to take a look at what new rascals you are going to get before you jump at any chance to turn your present rascals out. Democracy is a poor system of government at best; the only thing that can honestly be said in its favor is that it is about eight times as good as any other method the human race has ever tried. Democracy's worst faults is that its leaders are likely to reflect the faults and virtues of their constituents - a depressingly low level, but what else can you expect? So take a look at Douglas and ponder that, in his ignorance, stupidity, and self-seeking, he much resembles his fellow Americans, including you and me... and that in fact he is a notch or two above the average. Then take a look at the man who will replace him if his government topples."
"There's precious little choice."
"There's always a choice! This one is a choice between 'bad' and 'worse' - which is a difference much more poignant than that between 'good' and 'better.'"
Mas a verdade é: nós já sabemos muito bem quem são e como são os nossos rascals, e já sabemos que valem muito pouco, a começar pelo líder. Nem vou falar dos grandes escândalos: para não irmos muito longe, podemos pensar no recente episódio dos emigrantes nos comícios - um novo mínimo no lodaçal político português -, na fraca coerência (não governo com o FMI, governo com o FMI), na palavra que vale nada (outdoors), etc. É de conhecimento geral que Sócrates - e, por consequência, o(s) Governo(s) que encabeça, - tem uma relação muito problemática, passe o eufemismo, com conceitos como a coerência ou a verdade. Uma vez mais, nem precisamos de ir aos escândalos - basta puxar um bocadinho pela memória, está ao alcance mesmo de quem come muito queijo. Que ele se recandidate e apareça por aí a posar como virgem, como se não tivesse sido Governo nos últimos seis anos - é indecente, mas é lá com ele. Que um terço dos portugueses aplauda já me parece mais preocupante - e sintomático.
Se os "outros" - sejam eles quem forem - são melhores ou piores? Não sei. Mas considerando o que temos, vale a pena arriscar. Mesmo dando de barato a eterna desculpa de Sócrates - a crise internacional tem as costas muito largas -, o Governo que temos não só não conseguiu resolver coisa alguma - talvez fosse impossível -, como ajudou a escavar ainda mais o buraco (recordemos o súbito engordar de vacas de 2009). Mesmo que o estado a que chegámos não seja inteiramente culpa do Governo, este já deu provas mais do que suficientes que nunca nos conseguirá tirar dela. Se os "outros" o conseguirão? Não sei. Mas só esta dúvida parece-me a mim mais do que suficiente para botar a cruzinha noutro quadrado.
john








