28.3.08
tenho imensa curiosidade em saber o que diabo irá jon stewart fazer se um candidato democrata for eleito presidente dos estados unidos. o homem tem piada, é verdade, mas não creio que se safe sem bush como comic relief. o daily show, que já foi um programa divertidíssimo, encontra-se estafado e praticamente desprovido de qualquer humor muito por culpa do antibushismo do seu apresentador. ok, bush é uma boa fonte de comédia. mas sempre, em todos os programas? credo. não fossem os restantes membros do programa a dar um ar de sua graça, e o desastre seria completo.
jc
27.3.08
vou ficar rico em menos de nada
o caso da aluna do porto que se envolveu num combate de wrestling com uma professora por causa de um telemóvel (para a wwe, a coisa poderia dar um evento intitulado "hell in a cell(phone)") representa uma oportunidade de negócio única. que tal voltarmos a dar vida aos antigos "kits de mãos livres" e desenhá-los especificamente para alunos, para que estes possam continuar a enviar mensagens, fazer chamadas e descarregar toques polifónicos do clube jamba mesmo quando o professor - esse maroto - lhes apreende o telemóvel?
jc
25.3.08
deadly remix
um gajo faz uma pausa no trabalho da tarde para comer qualquer coisa e para fumar um cigarrito e, no café, tem de engolir um remix barato pseudo-techno de uma (óptima) música de alanis morissette que até tira o sabor ao cheesecake. 'tá mal. perdoem-me os amantes da música electrónica (também há boa música deste género, reconheço), mas fazer uma versão remix de músicas que não foram pensadas para serem convertidas ao electrónico nem nos sonhos mais molhados dos artistas devia ser actividade criminosa e, como tal, punida por lei. e de forma exemplar - nada menos do que prisão perpétua, e em alguns casos a aplicação de pena capital não seria de todo exagerada. das duas, uma: ou são os próprios intérpretes das músicas a fazê-lo, e a fazê-lo bem (como fizeram, por exemplo, os linkin park no álbum reanimation), ou então que se dançasse outra coisa qualquer. que diabo.
jc
deixem-me ver se percebi bem...
...esta nova ideia sobre os impostos da chamada "indústria do casamento".
eu e a minha namorada decidimos casar (imaginemos a situação para ilustrar o texto, calma: não precisam de comprar nada). como se sabe, casar não é coisa a preços de saldo: igreja, lugar para o copo de água, serviço de catering, espectáculo de variedades (lol), comes e bebes, flores, vestido de noiva, smoking, fotógrafo para centenas de fotografias, lua-de-mel... e mais coisas das quais me esqueço certamente, uma vez que nunca casei. e prendas de cada um dos convidados. ora a ideia é que sejam os noivos a declarar isto tudo às finanças?
ou seja, que tenham de declarar quanto custou o catering, o vestido, o fotógrafo e a revelação das fotografias, as flores, as garrafas de whisky e os barris de vinho tinto, o bolo, o aluguer da igreja e do espaço da festa? mais o preço das prendas recebidas?
isto a mim parece-me um valente disparate - que se torna ainda maior perante a ameaça de que, caso os noivos não o façam, serão multados (e bem multados). é um princípio, no mínimo, interessante. para breve deve estar o tempo em que ao final do dia receberemos a visita de um fiscal das finanças - ou do vizinho do primeiro direito, a este ritmo vai dar ao mesmo - para fazer um relatório completo de todos os gastos que realizámos ao longo do dia. Ou seja: bica curta e croissant com chocolate às 9h05 no café central, 0,60€ e 1,00€ respectivamente; nova bica no café do manel às 11h02, 0,55€; maço de tabaco na tabacaria da esquina, 11h10, 3€10; bitoque sem ovo e com salada no rei do bife, com imperial e fatia de pão às 13h24, 7,50€, sandes de presunto com queijo e manteiga no central às 17h15, 1,20€, meio depósito de gasolina da área de serviço de santa cona dos apitos às 18h43, 20€, caixa de preservativos de doze unidades na farmácia lombriga às 22h14, 8,47€ (metade das unidades entretanto utilizadas). Na falta de um recibo que comprove estas despesas, ou do esquecimento de uma quarta bica enquanto abastecia na bomba de santa cona dos apitos, fica a multazinha. pois sim, parece-me muito bem.
jc
24.3.08
demónios
críticas à parte, a verdade é que quando eu andava no nono ano não era muito melhor do que a menina que virou estrela do youtube nacional ao lutar com uma professora pelo seu telemóvel. se as minhas professoras de inglês ou de geografia desse ano viram aquelas imagens, certamente lembraram-se da minha turma.
com algumas diferenças, claro. os meus pais nunca souberam de algumas merdas que fiz - tivessem sabido, e eu saberia na pele o que significa "justiça divina" e "ira paterna". no ponto da educação, a minha foi praticamente irrepreensível nesse ponto - sabia perfeitamente distinguir o que estava certo daquilo que estava errado, tal como sabia que as nossas acções têm consequências. não falo pelos meus colegas da época, mas eu sabia perfeitamente que aquilo que fazia era errado. só que a idade é estúpida por natureza, e o errado era igualmente divertido.
curiosamente, era só com aquelas duas professoras - que diga-se de passagem, eram péssimas a ensinar, incapazes de manter a ordem na sala. não que isto sirva de desculpa para o simples facto de sermos umas bestas. mas ilustra o ponto de que só atacávamos os professores a quem não reconhecíamos qualquer autoridade. de resto, os restantes professores gostavam imenso da turma.
o que, segundo a minha saudosa professora de história, não deixava de ser divertido nos conselhos de turma, onde sete professores falavam muito bem de nós e duas almas nos descreviam como demónios saídos da sétima esfera do inferno.
jc
22.3.08
A vidinha #7 e 3/4
A vida é um pano cheio de remendos.
(3/4 porque a vidinha #7.5 está a ser remendada noutro sítio que não aqui)
(3/4 porque a vidinha #7.5 está a ser remendada noutro sítio que não aqui)
F.S.
17.3.08
Instantes 1
"O papel do ensino é mostrar-nos que podemos sonhar". Tinhas razão. Foi com estas palavras que vi as lágrimas no rosto do homem mais risonho do mundo. Afinal, também um sorriso pode chorar.
14.3.08
que se foda o nosso bem*
cheira-me que os fumadores terão, em breve, companhia nas esplanadas e nas ruas: agora vão ser proibidos os piercings na língua.
junte-se a isto a proibição de importação e criação de algumas raças de cães consideradas "perigosas". e agora coloque-se isto na sequência da discriminação de que os fumadores actualmente são vítimas*. serei o único a ver aqui um padrão?
a história dos cães perigosos tem muito que se lhe diga. na lista, inevitavelmente, figura a raça rotweiller. há uns anos, conheci um casal que tinha uma cadela rotweiller enorme. e que foi uma das cadelas mais meigas que conheci até hoje. quero com isto dizer que qualquer cão - qualquer cão - pode ser perigoso, dependendo do treino e do tratamento a que for submetido. há raças potencialmente mais perigosas? claro. é evidente que um doberman ou um pastor alemão (que, curiosamente, não figura na lista) pode causar mais estrago do que um caniche (apesar de estes cagarem mais frequentemente para os passeios, pelo menos em campo de ourique, onde trabalho). isso, por si só, é motivo para proibir a criação e forçar a esterilização compulsiva de todos os cães dessas raças existentes em território nacional? não.
o caso dos piercings é ainda mais cómico. ora o estado, agora, acha-se no direito de decidir em que parte do corpo pode um cidadão adulto e responsável fazer um buraco e meter um pinchavelho metálico. mais do que isso: os estabelecimentos que fazem piercings e tatuagens têm de avisar, por escrito, sobre os perigos daquelas práticas, assim como os reagentes e métodos utilizados - e a esse aviso segue-se um período de reflexão. podem dizer-me que o fornecimento destas informações faz sentido. não faz sentido, em primeiro lugar, esse fornecimento ser escrito. e em segundo lugar, o desejo de informação deve partir de quem quer fazer o piercing. aqueles que, em estabelecimentos adequados, fazem piercings (como chamar-lhes? piercingadores? piercingueiros?), devem saber tudo o que houver para saber sobre a matéria, para esclarecer o cliente caso este coloque questões, tal como devem estar preparados para dar alguns conselhos sobre o piercing. credo, mas o estado agora quer ser pai de todos?
nesta linha de racionício, qualquer dia não posso comprar um enchido num talho sem o talhante me informar por escrito do perigo que o consumo daquele chouriço pode ter para o meu colesterol e quejandos, submentendo a minha compra a um período de reflexão para poder ler o papel e ponderar devidamente a minha decisão. isto, claro, se tiver a sorte de continuar a poder comprar e consumir enchidos. com a guerra à obesidade e a doenças como colesterol declarada entretanto, não sei bem quanto tempo falta até começarem a proibir certos tipos de comida, nomeadamente a tradicional. para nosso bem, note-se.
jc
* perdoem-me os colegas de blogue pelo calão, mas não resisti. é do adiantado da hora.
** para prevenir algum flaming: não sou contra a proibição de fumar em espaços abertos ao público (conceito diferente de espaço público); apenas considero que a decisão sobre a proibição cabe, única e exclusivamente, ao proprietário do estabelecimento - mas já falei longamente sobre o assunto neste blogue. quando falo em discriminação, porém, não falo da lei, ou de não poder fumar num restaurante: falo do gozo mundano que pequenos tiranetes afirmam retirar da visão de fumadores a apanhar frio na rua, por exemplo. falo das restrições no acesso a emprego a fumadores, já implementadas, entre outras organizações, pela organização mundial de saúde. coisas assim, desculpadas pelos burocratas e pelos fundamentalistas de ralé como "é para o vosso bem". quem decide o que é bom para mim serei eu e mais ninguém, que diabo.
e se me permitem, um bocadinho de publicidade
a uma amiga minha, a ana rita rodrigues, pessoa que hei-de invejar até ao fim dos meus dias (pecado que só não me levará ao inferno porque, de acordo com os novos pecados da igreja católica, poluir é bilhete de primeira classe para as caldeiras do satanás, e como todos sabem, eu sou muito amigo do ambiente - e consegui dizer isto sem me rir, ena). adiante. a ana rita tem dedicado uma parte consideravel do seu tempo a viajar, e a sua última aventura levou-a à índia e ao nepal. como a rapariga não só é viajada como também tem um daqueles talentos para a fotografia, fatalmente passou uma boa parte da viagem de máquina em punho a tirar fotografias a tudo o que mexia e que não mexia.
algumas dessas fotografias podem ser vistas nos blogues cujos links deixei acima, mas as melhores encontram-se de momento em exposição na fábrica braço de prata. apareçam, se puderem - verão que vale a pena.
jc
nota: não sei se é necessário pagar alguma coisa para ver a exposição, mas em breve ficarei a saber isso também.
coisas que eu não percebo
existe realmente necessidade de um acordo ortográfico entre portugal e o brasil?
jc
mal parado
há coisas que podem ser mal feitas, é verdade. mas como pode um caso estar mal parado? é que o acto de estar parado (sem entrar em grandes considerações semânticas) não tem propriamente um meio termo: um objecto ou está parado, ou não está parado. mesmo que estacionem o carro numa ladeira e se esqueçam de puxar o travão de mão, ele não fica "mal parado". o carro fica parado até a gravidade - essa marota - cumprir o seu papel e levar o carro a deslizar até à traseira do próximo carro. ou até a um candeeiro. ou até a..... enfim, a fazer merda. ou seja, há dois momentos: o carro estar parado, e o carro não estar parado, por obra e graça da gravidade. em nenhum dos dois ele fica "mal parado".
há expressões populares que são quase tão estúpidas como a minha incapacidade em concluir na próxima meia hora um texto que era para ontem. curiosamente, é bem mais fácil escrever sobre o meu caso mal parado aqui no blogue do que desenvolver o dito texto. alguém me diga quando eu puder colocar como profissão, para efeitos de irs, "blogger".
jc
12.3.08
o batráquio
gostava de saber - mesmo - porque tantos blogues conhecidos cá na nossa praça estão a migrar compulsivamente para a plataforma do sapo.
podia entrar aqui em grandes considerações acerca de o sapo, o bicharoco esguio e traquina que aparece nas publicidades, não ser na verdade um sapo, e nem sequer uma rã - mas uma rela (e sim, para um campónio como eu, que até aos dezoito anos viu mais sapos do que pessoas, que já teve rãs em casa e que já andou a passear no campo com uma rela colada na testa*, isto é de extrema importância). não o farei, porém (ena, e agora senti-me quase como o santana lopes, mas mais sério), uma vez que uma parte significativa da população de lisboa seria incapaz de compreender a diferença (sem ofensa), uma vez que é de senso comum que marketing e realidade são muitas vezes conceitos a jogar em lados opostos do campo, e porque acho que este texto se está a esticar nos parênteses**. como tal, e em bom do rigor sem prejudicar a marca ou a ciência, designaremos a coisa por a plataforma do batráquio.
(e se este fosse um blogue mais frequentado apareceria aqui alguém ainda mais campónio do que eu, com um canudo em biologia por cima, a anular a minha tese em 350 caracteres - a vantagem de ser ser praticamente desconhecido é que o disparate está, a bem dizer, liberalizado)
ora esta minha interrogação tem um motivo. pergunto-me, então, o que tem o batráquio de especial? responder-me-ão os fãs que para o saber, teria de experimentar criar um blogue na plataforma do batráquio. ora sucede que já o fiz - há muito tempo atrás, note-se, mas foi feito. o meu primeiro blogue, que não importa aqui mencionar (porque era demasiado teen e porque já tive o bom-senso de o retirar da rede), estava alojado na barriga do batráquio. ora sucede que a dita plataforma, há quatro anos atrás, era para todos os efeitos uma merda. instável, com poucas opções, com templates pré-definidos foleiros (alguns eram um atentado à estética) e onde era muito difícil configurar um layout decente. após um verão na zambujeira do mar tendo apenas como recurso para aceder à net o computador de acesso público da junta de freguesia (pagava-se à hora), decidi mudar. porquê? porque as configurações do computador, por motivos que nunca compreendi, não permitiam actualizar o blogue. findo o verão e regressado eu a lisboa (e à minha querida ligação de banda larga), acabou o blogue no sapo, começou a minha estadia no blogger.
jurando a mim mesmo que não tornaria a entrar no batráquio.
não é que o tencione fazer, note-se - estou muito satisfeito com uma plataforma não-anfíbia como o blogger. mas intriga-me o facto de tantos blogues famosos se estarem a mudar. terá o batráquio melhorado assim tanto a sua plataforma? será agora realmente uma super-plataforma? elucidem-me.
jc
*disclaimer: nenhum sapo e nenhuma rã ou rela foi magoada por mim, directa ou indirectamente, no decorrer dos meus 22 anos de existência. quando digo que tive uma rela colada na testa - o que foi verdade, e muito divertido (e nojento para a maior parte das raparigas que conheço, incluíndo a minha namorada - atenção, rapazes, uma rela colada na testa não resulta para engate, provavelmente nem com as meninas de biologia da faculdade de ciências. um golden retriever com poucos meses, ou um bebé (se conseguirem arranjar um emprestado) são incomparavelmente mais eficazes) - quero apenas dizer que não colei o dito batráquio (a rela, não a plataforma do sapo) com super cola na minha testa. as relas têm pequenas ventosas na extremidade dos dedos das suas quatro patinhas, pelo que se colam praticamente a qualquer coisa.
**número total de parênteses: 22.
10.3.08
somos todos parvos, mesmo os gajos que compram no media markt
e digo isto por causa da expressão meteorológica popular "chuva molha-parvos". para abreviar, cmp. ora a cmp é aquele chuvisco quase imperceptível quando de manhã olhamos pela janela, e ainda quase imperceptível quando saímos à rua. é aquela chuvinha que raramente nos faz abrir o guarda-chuva - ou que nem nos faz levar o guarda-chuva quando saímos.
muito bem. da próxima vez que alguém apelidar tal chuvinha de "molha parvos", desafiarei essa pessoa para caminhar desde a estação de metro do rato até ao mercado de campo de ourique. e para, quando chegar cá acima, tocar na sua roupa (ou tentar ver através dos óculos), e dizer-me se a chuvinha continua apenas a molhar parvos.
jc
8.3.08
Contradição no Dia de Defesa Nacional
Ontem, sete de Março, fui-me apresentar ao Dia de Defesa Nacional na Base Aérea de Ovar (agora para os jovens de dezoito anos não há a chamada inspecção, apenas devemos comparecer num determinado dia ao qual somos convocados para passar junto das Forças Armadas, ouvindo palestras que apelam à nossa cidadania em prol do país e que incentivam ao ingresso na vida militar, vendo equipamento e outras instalações para no final do dia recebermos a cédula militar).
Pouco antes do almoço foi-nos anunciado que, por ser tempo de Quaresma e também sexta-feira, não iríamos comer carne mas sim bacalhau à zé do pipo (bacalhau, esse, que estava um mimo). Até aqui tudo normal, mas depois de visionarmos um filme do rambo à português, fomos presenteados ao lanche com nada mais nada menos do que um belo pão com chourição. E a isto, meus caros, é o que eu chamo de contradição no Dia de Defesa Nacional.
Pouco antes do almoço foi-nos anunciado que, por ser tempo de Quaresma e também sexta-feira, não iríamos comer carne mas sim bacalhau à zé do pipo (bacalhau, esse, que estava um mimo). Até aqui tudo normal, mas depois de visionarmos um filme do rambo à português, fomos presenteados ao lanche com nada mais nada menos do que um belo pão com chourição. E a isto, meus caros, é o que eu chamo de contradição no Dia de Defesa Nacional.
F.S.











