30.8.10

As séries

Já que a ideia é falar de séries, podia começar por dizer que a prova definitiva da superioridade cultural anglo-saxónica sobre os povos latinos seria a predominância das séries televisivas sobre as soap operas (novelas), mas isso seria um disparate. Hoje, as séries são moda - talvez já o sejam há largos anos, mas não como hoje, em que toda a gente (excepto os e as irredutíveis das novelas) as acompanha, compra em dvd, comenta, etc. E é provavel, que a prazo, venham a ser mais relevantes que o cinema. Não me surpreende. No que perde em impacto visual, uma série televisiva ganha em potencial de desenvolvimento de argumento e de personagens - o que, feitas as contas, acaba por ser uma vantagem. Conheço vários exemplos de filmes fracos que poderiam ter dado óptimas séries, mas não é disso que quero falar hoje. Não que saiba do que quero falar hoje, as manhãs de Segunda-feira são terríveis, sobretudo quando se dormem apenas quatro horas, resultado da reposição de Dexter na Fox, do calor e dos mosquitos (por esta ordem). Enfim, séries, falemos de séries. O que chateia nas séries é que as mesmas fórmulas acabam por ser repetidas ininterruptamente. Basta ver a praga CSI: de uma série original mais ou menos interessante - há policiais muito melhores - resultaram dois spin-offs sofríveis. E há toda uma constelação de séries policiais do género, muito sci-fi contemporânea para muito pouco interesse (NCIS, por exemplo). Nesse sentido, as séries policiais que ficam a ganhar são aquelas que, passe a expressão, se deixam de merdas (Southland), que apostam na tal sci-fi contemporânea mas dando-lhe uma volta (Bones), ou aquelas que quebram o cânone e mostram a coisa pelo outro lado, apesar de continuarem dentro do registo (Dexter), ou até mesmo aquelas que pegam no tema a partir de uma perspectiva completamente diferente (Lie to Me). O resto é palha. Mas as séries de investigação criminal são a moda de hoje. Nos anos 90, eram as séries de advogados, lembram-se? Desde a razoavelmente cómica Ally McBeal à soporífera JAG, não faltavam séries de advogados - e nenhuma particularmente interessante, agora que penso nisso. Também se tentou surfar a onda X-Files, o que resultou na interessante Millenium, e, mais recentemente, na também interessante Fringe (sobretudo por causa da actriz principal, confesso). E, claro, há as séries médicas, que desde a clássica E.R. (e das suas muitas cópias) já conheceram muitas formas, desde a mistura com policial de Third Watch à soap opera incursion de Grey's Anatomy à pretensão nonsense (falhada, já agora) de Scrubs - mas a única série médica realmente boa é House. E se repararmos bem, aquilo que une as séries realmente boas - House, Dexter, Bones, X-Files, Millennium - são as personagens. Não há outro médico com o carisma odiável de Greg House (o Dr. Romano, de E.R., era um menino de coro ao pé dele), como não há ou haverá dupla como a formada por Fox Mulder e Dana Scully, como não há equipa de investigadores criminais como a de Brennan e Booth (e todos o outros), ou lone wolfs como Frank Black, ou serial killers simpáticos como Dexter, ou investigadores distraidamente atentos como Cal Lightman. E não há não só porque falta imaginação para conceber personagens deste calibre, mas também - e sobretudo - porque actores como Hugh Laurie, David Duchovny, Gillian Anderson, Michael C. Hall, Tim Roth, Emily Deschanel, David Boreanaz e Lance Henriksen não são fáceis de arranjar. Enfim, quem quiser fazer o pleno e ver uma série onde todos os actures são superlativos, pode ver Firefly, que tem a vantagem de ser a melhor série da década que passou, apesar de ter sido interrompida e ter apenas catorze episódios. Mas quem não gostar de sci-fi pode sempre optar por séries mais descomprometidas mas também muito boas - e mais difíceis de categorizar -, como Six Feet Under, Californication, Castle ou Mad Men. Agora que penso nisso - este texto vai saindo à medida que o vou pensando, juro -, acho que estas três séries até cabem precisamente na mesma categoria, apesar de nem todas poderem ter uma actriz como a Christina Hendricks. A ver se vejo mais alguns episódios para confirmar.
Ia acabar o texto aqui mesmo, mas lembrei-me de que não mencionei as comédias. As comédias são o drama das séries televisivas actualmente, isto porque para além de The Big Bang Theory não há nada de jeito actualmente (que eu saiba). Sim, eu sei, tenho imensos amigos devotos de How I Met Your Mother, mas por favor, a série é engraçadita, sim, mas algo sobrevalorizada. Vá lá que arranjamos dvds de coisas antigas e boas, como Flying Circus, Allo Allo ou, com jeitinho, Red Dwarf (a sério, isto arranja-se em dvd?). Também não mencionei uma coisa chamada Heroes ou o fenómeno Lost, por dois motivos: Heroes é uma série falhada - não aprendeu nada nem com os super-heróis clássicos, nem com correntes opostas, como Watchmen; e Lost é uma série que se baseia numa premissa muito interessante para se perder dentro do seu próprio labirinto (e dentro do seu próprio hype), e que por isso se tornou desinteressante.

john

Segunda oportunidade

Ontem à noite (ou hoje de madrugada) dei por mim coladinho à televisão a ver uma reposição da série Dexter, na Fox. Pareceu-me muito melhor do que a primeira vez que a tinha visto. Talvez seja altura de dar outra oportunidade ao serial killer.

john

27.8.10

A dar música (não só portuguesa)

A propósito de algumas perguntas que uma leitora me deixou no post abaixo.

Não tenho opinião sobre os "novos artistas portugueses", porque deles conheço muito pouco (eufemismo; não conheço praticamente nada). Não tenho qualquer problema com a música cantada em português; dá-se é o acaso de as bandas portuguesas de que mais gosto cantarem em inglês. A verdade é que a música portuguesa me diz muito pouco - mais uma vez, não por ser portuguesa, mas por puro acaso. Não lhe ligo - com a música funciono mais ou menos assim. Até ao dia em que ouço uma música que me chama a atenção. Depois ouço tudo de uma vez. Ou ouço metade, vá, e com o passar do tempo vou ouvindo mais e perguntando-me "como é que esta música me escapou antes?"

Enfim, não sei ao certo quem são os "novos artistas portugueses". Mencionei Os Golpes porque os vi num concerto, e achei-os interessantes (e tenho ouvido uma música engraçada deles na rádio). Ouvi uma ou duas coisas de B Fachada e achei terrível, demasiado mau para ser verdade. O resto, tem-me passado ao lado como a praia.

No resto, eu tenho o hábito de ouvir música sobretudo para trás. Se excluírmos o último ano, em que realmente não andei tão atrasado quanto isso - mantive-me dentro dos limites temporais dos últimos cinco anos, vá lá, e andei (ando) a ouvir Arcade Fire, Florence + The Machine, The National, Klaxons, The Temper Trap -, tenho passado a maior parte do tempo a ouvir clássicos. Antes desta fase mais indie, passe a expressão, andava a ouvir Joy Division, Magazine, The Doors, Hendrix, CCR, The Sex Pistols, The Smiths - enfim, coisas muito anteriores ao meu nascimento, excepto talvez os The Smiths. Antes disso, tive uma fase metal, e antes dessa fase metal, tive uma fase "nu metal", adolescente portanto, que começou com Linkin Park e acabou comigo a descobrir os Muse (não são metal, mas são muito bons). E neste ano fiz uma pausa revivalista para regressar aos anos 90 e ouvir The Cranberries e Soundgarden. A única banda a manter-se constante desde esses distantes anos 90 até agora foi Radiohead.

Lamento não poder dizer mais sobre a música portuguesa, mas a verdade é que me passa muito ao lado. Não confunda isto com snobismo. É mesmo distracção.

john

26.8.10

Este post tem pelo menos três anos de atraso

Mas os dois últimos episódios da quarta temporada de House estão indiscutivelmente entre as melhores coisas que já foram feitas em televisão.

john

24.8.10

Páscoa

Conheço muito benfiquista que já anda com ganas de crucificar Jesus. Faz sentido. Se o Natal pode ser quando um homem quiser, não vejo motivo para que não se arranje uma Sexta-feira Santa entretanto.

john

20.8.10

Regresso acidentado

Dois dias volvidos, e após ter preenchido muitos formulários, sou obrigado a "regressar" ao Jardim a partir de outra conta de correio electrónico. A verdade é que, de todas as empresas online que conheço, a Google será, de longe, aquela que tem pior serviço de assistência aos utilizadores - quase tão mau como o INEM nas emergências médicas nacionais, mais divertida em brincar às "twenty questions" do que em procurar resolver os problemas dos utilizadores - o que, no meu caso, nem seria algo tão complicado quanto isso, foi apenas um hack. Enfim, o que importa é estar aqui novamente. Quanto ao resto, logo se arranjará solução, se solução houver, claro.
john

18.8.10

O elogio à coerência

Diria que um dos motivos que tornam o comunismo tão difícil de condenar por parte da maioria das pessoas é o facto de, aparentemente, assentar toda a ideologia em "boas intenções" (não assenta coisa alguma, toda a ideologia é mal intencionada desde a primeira linha, mas deixemos a falácia para outro dia). É também por isso que se torna quase frequente ouvir, a propósito de acérrimos militantes comunistas, "não concordo com as ideias dele, mas gabo-lhe a coerência". Não percebo como é possível gabar a coerência de alguém que está apenas coerentemente errado; ou, dito de outra forma, como gabar algo como a teimosia de persistir num equívoco?

john

The city will burn

"If you were in Darkness, what would you want more than anything else - what would it be that every instinct would call for?"
"Why, light, I suppose."
"And how would you get light?"
Theremon pointed to the switch on the wall. "I'd turn it on."
Sheerin said, "Where will light come from, when the generators stop? You'd be out on the street in the Darkness. And you want light. So you burn something. Ever see a forest fire? Ever go camping and cook a stew over a wood fire? Heat isn't the only thing burning wood gives off, you know. It gives off light, and people are very aware of that. And when it's dark they want light, and they're going to get it."
"So they'll burn logs," Theremon said without much conviction.
"They'll burn whatever they can get. They've got to have light. They've got to burn something, and wood won't be handy, not on city streets. So they'll burn whatever is nearest. A pile of newspapers? Why not? What about the newsstands that the papers on sale are stacked up in? Burn them too! Burn clothing. Burn books. Burn roof-shingles. Burn anything. The people will have their light - and every center of habitation goes up in flames! There is the end of the world you used to live in."

Isaac Asimov and Robert Silverberg, Nightfall - Se isto não é uma extraordinária introdução a um livro, então eu não sei o que será.

john

17.8.10

17


The Modern Lovers, Hospital

john

16.8.10

16


Magazine, A Song From Under the Floorboards

john

Definições, cognomes e outras nomenclaturas

O Miguel Relvas é aquilo que em literatura se costuma designar, uma besta.

jtf

15.8.10

15


Leonard Cohen, First We Take Manhattan

john

14.8.10

14


Led Zeppelin, Stairway to Heaven

john

13.8.10

13


Klaxons, Golden Skans

john

12.8.10

12


Keane, Everybody's Changing

john

É assim "uma espécie de 'O Sexo e a Cidade' para homens"

Esta é a frase com que Stallone descreve o filme The Expendables, realizado e protagonizado pelo próprio, e onde contracena com praticamente todas as action figures dos anos 80 e 90. Faltam algumas, sim - Van Damme, Chuck Norris, Kurt "Snake Plissken" Russel, Steven "Chef" Seagal, e talvez mais um ou dois -, mas estão lá Stallone, Mickey Rourke, Dolph Lundgren, Jet Li, e até Arnold Schwarzenegger e Bruce Willis com papéis secundários. Enfim, testosterona, balas e explosões - não se espera dali o filme do ano, mas pode-se muito bem esperarum filme bastante divertido e agradável de ver no grande écrã. Logo o saberei.

Só é uma pena que a jornalista do i responsável por esta peça sobre o filme seja, sem querer ser mauzinho, ignorante. Não por culpa dela, concedo - acredito que o género acção e os comics não sejam muito a sua praia; mas em caso de dúvida, é mais prático perder dois minutos na Wikipedia do que saltar para conclusões - que, normalmente, estão erradas. "The Avengers", filme actualmente em produção, baseado num comic homónimo da Marvel, não é um sinal de falta de imaginação de Hollywood por juntar uma série de super-heróis na mesma película; é apenas a adaptação de um comic que, veja lá, juntava uma série de super-heróis nas suas vinhetas. A saber: Ant-Man, Wasp, Thor, Iron Man, The Hulk - e, mais tarde, o Capitão América. Que tenha de ser eu, que nem aprecio a Marvel, a apanhar estas coisas é que me surpreende. Se calhar era boa ideia a menina jornalista sair de "O Sexo e a Cidade" por um bocadinho.

john

11.8.10

11


Joy Division, She's Lost Control

john

Frases curtas #1

O Ribeiro e Castro está completamente senil. (Resquícios da entrevista ao Mário Crespo - ele próprio o ser mais senil da vida pública portuguesa).

jtf

Alguém me faz o favor

de calar a Ana Gomes.
Obrigado.

jtf

10.8.10

10


Jimi Hendrix, Little Wing

john

É ver no Google

Há poucas coisas tão boas como conversar. Uma conversa pode ser divertida. Pode ser séria. Pode ser depressiva (acontece, por vezes). Pode ser aborrecida. Mas pode ser - diria que o é, quase sempre - lúdica. Aprendemos a conversar. A colocar questões. A ouvir e a dar respostas. Gosto de conversar. Gosto de aprender com o que os outros - amigos, conhecidos, estranhos - têm para me dizer. Mas é um hábito que, ao que parece, pode estar em vias de extinção. É tão mais fácil, à primeira pergunta, dizer "vais ao Google e procuras por X". É a solução fácil, bem sei. E preguiçosa, também. O Google, com a sua facilidade de utilização e com a sua capacidade de encontrar milhões de resultados para uma simples busca, já arruinou o prazer da investigação, e com a serendipidade ela associada - não, na Internet não é a mesma coisa; e com esta tendência, deveras irritante aliás, de responder a qualquer pergunta com um seco "vê no Google" arruma-se também a um canto o prazer de conversar, de explicar algo, de trocar ideias. Não é necessário trocar ideias quando as ideias estão todas à distância de dois cliques.

john

Cry more

Após tantos anos, há poucas coisas no mundo do desporto que me dêem tanto gozo como ver (ler) adeptos do Futebol Clube do Porto a queixarem-se das arbitragens, e de as equipas adversárias serem muito agressivas. Isto, atenção, não quer dizer que eu goste de ver o Benfica a jogar à Porto (i.e., noventa minutos de porrada, entre outras "situações"), pois não gosto nem um bocadinho disso; mas não deixa de ser irónico ver um clube que, ao longo dos anos, contou com rapaziada como Fernando Couto, Jorge Costa, Paulinho Santos (lembram-se dele?), ou, mais recentemente, Bruno Alves - entre outros, muitos outros - para fazer tudo dentro das quatro linhas menos jogar à bola (e a bola), sempre com a conivência dos senhores de preto, vir agora chorar em tudo quando é sítio, reclamando cartão amarelo para fulano e cartão vermelho para sicrano. Como se diz na gíria do online gaming, less qq.

john

9.8.10

09


Interpol, Obstacle 1

john

O Andrézinho

"É um grito de revolta de um clube que - se não me engano - leva dez taças contra um clube que leva uma."

Alguém me consegue explicar esta frase?

jtf

Intenções

O tipo de "jornalismo" que o Público anda a fazer é a maior causa do nosso subdesenvolvimento.

jtf

8.8.10

08


Holly Miranda, Waves

john

7.8.10

07


Florence + The Machine, The Dog Days Are Over

john

6.8.10

06


The Doors, Break on Through

john

5.8.10

05


Creedence Clearwater Revival, Bad Moon Rising

john

Status quo #2

João, quando se recebe uma carta que nos trata por "Caro Amigo", o "caro" é dirigido a quem recebe. Dificilmente se consegue controlar a avaliação pecuniária que os outros fazem da nossa amizade. Aí, não percebo a ligação entre receber dinheiro dos amigos e adjectivar de "cara" a amizade que alguém tem por nós. A única coisa que eu percebo é que ainda ninguém deu a importância devida à vergonha que é aquele despacho. Estou farto que investiguem as influências políticas que o Governo faz aqui e ali, e se esqueçam por completo das influências políticas dos restantes partidos na comunicação social e na justiça. Porque toda a gente sabe que este país é limitado e desinformado. A ideia está montada à volta da culpabilidade de Sócrates/Silva Pereira neste caso. Enquanto que o que se passou foi que alguém (na melhor das hipóteses, o Ministério Público) tinha uma história que gostava muito que fosse verdade. Acontece que depois a realidade não os ajudou. E não conseguiram nada que a sustentasse, sem que para isso não tivessem que passar pela vergonha da inconsistência no tribunal. Basta ouvir o Mário Crespo para sentir o veneno a jorrar pelos lábios abaixo, como que pensando Que merda, que pena isto não ser verdade. É uma vergonha. E faz-se isto impunemente. Ninguém retira carteiras profissionais a ninguém. Um bom teste sociológico é ouvir um Opinião Pública sobre este tema para comprovar que para toda a gente Sócrates é culpado. Sejamos sérios: culpado de quê? Este caso é demasiado grave e só quando os dez milhões se virem envolvidos em processos judiciais é que vão perceber a verdadeira gravidade disto.

jtf

Status quo meets silly season

Já eu, por outro lado, não tenho amigos caros. Nem baratos. Até à data, nenhum amigo me cobrou dinheiro. Mas já me queimei com alguns, agora que penso nisso.

(não tem nada a ver, pois não? bem sei, bem sei)

john

Status quo

Uma das perguntas que não-foram-feitas-mas-afinal-foram-feitas-para-queimar-alguém-já-que-não-conseguem-verdadeiramente-queimar foi: Acha normal receber cartas que se dirijam a si tratando-o por "Caro Amigo"?

jtf

4.8.10

04


Blasted Mechanism, Battle of Tribes

john

3.8.10

03


Au Revoir Simone, Night Majestic

john

Micro-assuntos internos #10

Camarada João, não devíamos acrescentar um álbum novo ali ao lado?

john

2.8.10

02


Arcade Fire, The Suburbs

john

João, um dia destes temos de experimentar isto, quando houver loja ali no Residence ao lado do H3

1.8.10

01


A Fine Frenzy, Electric Twist

john