31.7.08

O estado da maisoumenos Arte #2

DISCOS
Le scaphandre et le papillon OST, 2007 (10/10)
The flying club cup, Beirut, 2007 (9.5/10)

FILMES
Recordações da casa amarela, João César Monteiro, 1989 (10/10)

SÉRIES DE TV
Grey's anatomy, Shonda Rhimes, 2005-???? (8/10)

LIVROS
Uma casa na escuridão, José Luís Peixoto, 2002 (8.5/10)
Fazes-me falta, Inês Pedrosa, 2002 (7.5/10)
A eternidade e o desejo, Inês Pedrosa, 2007 (7/10)


pf

Ontem. Take 7.


jtf

29.7.08

é para termos a certeza de que o 'país real' não se esgota no programa "a liga dos últimos"

isto é o nosso país no seu melhor: um tipo foi condenado a cinco anos e meio de prisão efectiva por disparar sobre uma vizinha. curiosamente, ele não queria acertar na vizinha, mas num outro vizinho, que acreditava ser homossexual e andar a sodomizar o seu gato (por outras palavras, o tipo acreditava que o vizinho andava a ir ao cu ao tareco). se a história já de si é caricata, não menos caricata é a seguinte declaração do juiz-presidente:

"dar um tiro em alguém por ser homossexual e por supostamente ter tido relações sexuais com um gato que ajudou a resgatar, e por isso o animal ter ficado paneleiro, é talvez o motivo mais torpe que eu já vi na minha vida."

no meio desta confusão toda, fica a questão: e o gato, foi mesmo sodomizado? onde está a associação animal quando é necessária? é que os touros podem ser esfaqueados na arena, mas ao menos ainda podem cobrir umas vacas nos entretantos, e não me parece que os cavalos - ou os toureiros - vão lá molhar o pincel.

jc

26.7.08

da varanda da casa onde moro vêem-se as coisas mais estranhas. são agora três e meia da manhã, mais coisa menos coisa, e enquanto acabo o cigarro, o whisky, e a música de radiohead que estou a ouvir vejo um mercedes parar no estacionamento do outro lado da rua. do carro, preto como a noite, sai um tipo que se dirige ao canteiro mais próximo do passeio, como se procurasse algo. e procura - o que quer que seja, mas que serve o seu propósito. dirige-se a um smart branco que está estacionado dois lugares ao lado e, metodicamente, esvazia-lhe os dois pneus da frente. deita fora o objecto que apanhou no canteiro (presumivelmente um pau de pequenas dimensões, eventualmente um fragmento de arame), entra no mercedes preto e vai-se embora, sem notar na minha presença (até consigo tirar a matrícula do carro e tudo, vejam lá).

curioso, isto.

jc

25.7.08

Contexto

Que tempinho de merda. Numa altura em que todos os dias está sol um dia assim fica fora do contexto. É como tu passares a usar um piercing no umbigo. Ou até passares a fumar e a dizer "curto bués de Tokyo Hotel". Não faz sentido nenhum.

jtf

24.7.08

Moleskine #3

Dorme, Clara; deixa-me entrar nos teus sonhos, enxotar esses fantasmas que te desassossegam, varrer esses homens que não são dignos de beijar a fímbria do lençol onde os teus pés espreitam. O teu cabelo desmanchado sobre a almofada, subindo, de sonho em sonho, um feixe de raios de sol espreguiçando-se nas árvores da madrugada. A curva do pescoço, a curva do seio descoberto, a curva do joelho que destapas, quero que o lume dos meus olhos derreta a porta do teu coração, quero que os meus olhos acendam os teus, dou-te os meus olhos, e dentro deles o rio da minha sede, um rio curvo, cheio, como o teu corpo, cegaria para todo o sempre por ti, Clara, para ficar às escuras dentro de ti.


(in A eternidade e o desejo, Inês Pedrosa, 2007)

pf

Prefácio

"O artista é o criador de coisas belas.
O objectivo da arte é revelar a arte e ocultar o artista.
O crítico é aquele que sabe traduzir de outro modo ou para um novo material a sua impressão das coisas belas.
A mais elevada, tal como a mais rasteira, forma de crítica é um modo de autobiografia.
Os que encontram significações torpes nas coisas belas são corruptos sem sedução, o que é um defeito.
Os que encontram significações belas nas coisas belas são os cultos. Para esses há esperança.
Eleitos são aqueles para quem as coisas belas apenas significam Beleza.
Um livro moral ou imoral é coisa que não existe. Os livros são bem escritos ou mal escritos. E é tudo.
A aversão do século XIX pelo Realismo é a fúria de Caliban ao ver a sua cara no espelho.
A aversão do século XIX pelo Romantismo é a raiva de Caliban por não ver a sua cara ao espelho.
A vida moral do homem faz parte dos temas tratados pelo artista, mas a moralidade da arte consiste no uso perfeito de um meio imperfeito. Nenhum artista quer demonstrar alguma coisa. Até as verdades podem ser demonstradas.
Nenhum artista tem simpatias éticas. Uma simpatia ética num artista é um maneirismo de estilo imperdoável.
Um artista nunca é mórbido. O artista pode exprimir tudo.
O pensamento e a linguagem são para o artista instrumentos de arte.
O vício e a virtude são para o artista matéria de arte.
Sob o ponto de vista da forma, a arte do músico é o modelo de todas as artes. Sob o ponto de vista do sentimento, é a profissão de actor o modelo.
Toda a arte é, ao mesmo tempo, superfície e símbolo. Os que penetram para além da superfície, fazem-no a expensas suas. Os que lêem o símbolo, fazem-no a expensas suas.
O que a arte realmente espelha é o espectador, não a vida.
A diversidade de opiniões sobre uma obra de arte revela que a obra é nova, complexa e vital.
Quando os críticos divergem, o artista está em consonância consigo mesmo.
Podemos perdoar a um homem que faça alguma coisa útil, contanto que a não admire. A única justificação para uma coisa inútil é que ela seja profundamente admirada.
Toda a arte é completamente inútil."



Prefácio de “ O Retrato de Dorian Gray “ , de Oscar Wilde
Edição Biblioteca Visão, 2000


E por aqui me fico,
por muito tempo.


fs

Joanna #1


A voz que flui e ao mesmo tempo intriga. A originalidade comovente da arpa. Sensualidade. Acordes que sabem a pêssego. Literalmente.

jtf

22.7.08

God on stage


jtf

21.7.08


pf

Caixa da música #4

porque tens ainda medo de morrer?


(
Ninguém é quem queria ser
, Manuel Cruz, 2008)

pf

Falar com imagens #2


(amanhã não é um bom dia para parar)




fs

18.7.08

A propósito do Padrinho

Coppola e Puzo combinaram que, na triologia, o aparecimento de laranjas antecipava uma morte ou um atentado.
É muita fruta.

pf

Hallelujah


jtf

Elogio ao amor

Your part time lover and a full time friend,
The monkey on the back is the latest trend,
Don't see what anyone can see,
In anyone else,
But you

Here is a church and here is a steeple,
We sure are cute for two ugly people,
Don't see what anyone can see,
In anyone else,
But you

We both have shiny happy fits of rage,
I want more fans, you want more stage,
Don't see what anyone can see,
In anyone else,
But you

I'm always tryin to keep it real,
Now I'm in love with how you feel,
I don't see what anyone can see,
In anyone else,
But you

I kiss you on the brain in the shadow of the train,
I kiss you all starry eyed,
My body swings from side to side,
I don't see what anyone can see,
In anyone else,
But you

The pebbles forgive me,
The trees forgive me,
So why can't,
You forgive me?
I don't see what anyone can see,
In anyone else,
But you

Du du du du du du dudu
Du du du du du du dudu
I don't see what anyone can see,
In anyone else,
But you.


(Anyone else but you, The Moldy Peaches)

pf

Justiça divina


jtf

Um post sobre futebol


pf

17.7.08

Nova espécie


Ao que parece a selecção natural vai favorecer o surgimento de uma nova espécie, em quase tudo semelhante a nós, meros Homo Sapiens Sapiens, mas com novas características anatómicas que a vão tornar a mais bem adaptada a este século XXI tão conturbado. De seu nome Homo Sapiens Ipodiens, os indivíduos apresentam umas estruturas biológicas, normalmente brancas, ligadas aos ouvidos. Além disso, pensa-se que possuem um órgão exterior, ainda não bem estudado devido ao facto de permanecer muitas vezes oculto no bolso das calças, onde o ser costuma mexer com os dedos conseguindo mudar a mensagem que é enviada para os ouvidos, num processo eléctrico ainda não descodificado.
Quanto ao seu habitat, são avistados frequentemente em transportes públicos (metro, autocarro,...), em espaços verdes e alguns mais atrevidos em salas de aula, palestras e supermercados.
De personalidade calma, são muito recatados e pouco ou nada recorrem à comunicação oral, exibindo , por vezes, uns espasmos na cabeça que se julga estarem associados ao estímulo eléctrico que passa nos fios brancos.
No fundo, são os alicerces da nova civilização que aí vem.


(com todo o respeito pelas espécies mencionadas e por todos aqueles que acharem este texto a coisa mais ridícula e mais repugnante alguma vez escrita, o que é muito provável.)


fs

Fanzone #2


Moleskine
(pronuncia-se /mɔleˈskine/) é uma marca de cadernos de notas produzida pela empresa italiana Moleskine SRL. Embora o nome aluda ao tecido de mesmo nome, moleskin, o caderno não é produzido ou revestido com ele, e sim com uma capa dura de cartão envolvida por material impermeável. Outras características que a distinguem são cantos arredondados, uma tira de elástico para mantê-la fechada (ou aberta em determinada página) e uma lombada costurada que permite que ela permaneça chata (a 180 graus) enquanto aberta. A folha de rosto vem impressa para que o seu proprietário possa escrever os seus dados pessoais, assim como estipular um valor de recompensa caso alguém a encontre perdida.

A Moleskine voltou à moda em nossos dias após as descrições feitas pelo escritor Bruce Chatwin dos cadernos de notas que usou. A sua versão actual, entretanto, não é uma descendente directa da Moleskine original. Chatwin usou cadernos de notas similares constantemente durante as suas viagens e escreveu brilhantemente acerca deles. O seu suprimento de cadernos, entretanto, cessou em 1986, quando a papelaria que lhos fornecia, na Rue de l’Ancienne Comédie, em Paris, informou-o de que o último fabricante de moleskines, uma pequena empresa familiar estabelecida em Tours, descontinuara a sua produção naquele ano, após o falecimento de seu proprietário.

(in wikipédia)

jtf

talvez não seja má ideia manter o tabuleiro do 'monopoly' por perto

obviamente, a tese do texto que a carmex destaca aqui é verdadeira - e não são necessários grandes estudos científicos para compreender isso, de tão óbvio que é. uma relação amorosa não vive de ar. podemos apaixonar-nos e não saber porque nos apaixonamos (porque amo a sofia e não a sara?). mas quando uma relação tem início, ela vai necessitar de muito mais do que amor para ser bem sucedida. sim, o amor é a centelha que faz tudo começar, e será (quase) sempre o sal da relação. mas não é suficiente. uma relação amorosa exige cuidado, paciência, dedicação, compreensão, sacrifício - e tudo isto de ambas as partes, e da forma mais equilibrada que for possível.

claro que as carreiras profissionais têm grande importância. sempre tiveram, atrevo-me a dizer. mas, honestamente, não que satisfação poderá o nosso sucesso, a nossa realização pessoal trazer-nos, se não tivermos com quem partilhar esse sucesso, essa realização. e não, isso não se partilha com os amigos. com os amigos, celebra-se, paga-se-lhes uma rodada de cervejas no bar do costume no dia em que o nosso livro começa a vender ou quando finalmente chegamos àquele cargo que tanto ambicionámos. talvez duas rodadas de cerveja, dependendo das vendas ou do aumento salarial. mas apenas isso: uma celebração. mas partilhar o nosso sucesso, a nossa realização, é muito mais do que uma celebração ruidosa - é um reconhecimento que apenas pode vir da pessoa que nos ama, e que nós amamos. sem essa pessoa, fica a celebração - e nada mais.

jc

obliterar

sim, joão, a palavra obliterar é utilizada fora do contexto dos transportes públicos. eu, por exemplo, utilizo-a com frequência moderada nos meus escritos (não nos escritos que publico em blogues, entenda-se). de acordo com o dicionário online da priberam, temos:

obliterar, v. tr, v. refl., do latim obliterare, apagar, fazer desaparecer pouco a pouco, entre outros significados.

normalmente, utilizo-a com esta conotação, ou aproximando o seu significado do conceito de "destruir". não perguntes porquê. mas acho que gosto da palavra, e dos sons que ela inclui.

já agora, se interessar (e eu sei que não interessa), a primeira vez que li essa palavra foi numa carta de magic: the gathering, há anos incontáveis.

quanto à tua questão sobre o gps e os luxos, há alguns meses que dou por mim a pensar o mesmo a propósito do iphone.

jc

Gps

O grande problema das sociedades modernas é o de não conseguir sustentar luxos a que habituou o corpo. Ninguém está disposto a abdicar das coisas que foi conquistando. Para que raio serve um gps num gajo que sai de casa para o trabalho e do trabalho para casa?
Já agora: a palavra obliterar é usada fora do universo do metro?

jtf

16.7.08

Unplugged #1


jtf

por acaso, veio mesmo a calhar...

... este texto publicado por paulo ferreira no blogue câmara de comuns sobre a energia nuclear. digo que veio a calhar porque durante o fim de semana apanhei uma pequena notícia sobre um protesto ambientalista em paris, onde um grupinho decidiu enfeitar a torre eiffel com as estrelas do símbolo da união europeia e uma enorme bandeira com o emblema da radioactividade. ao que parece, o protesto era contra a aposta na energia nuclear.

eu gosto do ambientalista típico. a sério. a sua incoerência é capaz de me fazer sair de casa de manhã a rir. bem sei que estou a cair num estereótipo, e que o que não falta por aí são ambientalistas responsáveis, que desprezam acções "terroristas" ao bom estilo da greenpeace (que de pacíficas não têm nada) e que são capazes de defender ideias para o ambiente que realmente fazem sentido e que não excluem os seres humanos; infelizmente, esses pouco tempo de antena têm nos meios de comunicação mundiais. mas, dizia eu, gosto da incoerência do ambientalista típico. basicamente, protestam contra a utilização "abusiva" que as sociedades ocidentais fazem dos combustíveis fósseis (por acaso nem são só as sociedades ocidentais). paralelamente, apressam-se a excluir a energia nuclear da lista de alternativas energéticas - evocando o já estafado acontecimento de chernobyl a 26 de abril de 1986.

esquece-se, claro, de algumas coisas. como, por exemplo, de que a tecnologia actual não permite que as energias renováveis - como a solar, a eólica, a energia das marés, por exemplo - sejam economicamente viáveis, ou capazes de substituir completamente o petróleo e o carvão. também parecem mais ou menos desatentos à enorme barracada que, ao que parece, a história dos bio-combustíveis foi. e, quando evocam a tragédia de chernobyl, esquecem-se de uma quantidade enorme de detalhes. neste ponto, relembro um documentário a que assisti há tempos na televisão (cujo nome agora me escapa, assim como o canal em que foi transmitido; mas acho que foi no discovery), em que o grupo de cientistas de várias nacionalidades se deslocou às ruínas de chernobyl - uma área que ainda apresenta índices de radiação consideravelmente elevados. e um dos cientistas, creio que canadiano, a dada altura disse que um desastre daquelas proporções era praticamente impensável numa central nuclear moderna, com toda a tecnologia de segurança que já existe.

goste-se ou não, a verdade é que actualmente a energia nuclear é a única com capacidade para reduzir a dependência de muitos países face aos combustíveis fósseis. excluí-la à partida do debate e das opções possíveis baseando-se apenas num incidente que ocorreu há vinte e dois anos numa central nuclear que, de acordo com algumas teorias, tinha várias falhas de concepção e de segurança é, no mínimo, uma atitude ignorante e irresponsável.

... mas toda a gente já sabe que o ambientalista típico gostaria muito, mas mesmo muito, de nos mandar de volta para as cavernas.

jc

Moleskine #2

LASZLO DE ALMÁSY: That place at the base of a woman's throat. You know, the hollow here. Does it have an official name?


(
The English Patient, Anthony Minghella, 1996)

pf

Handycam #2




pf

Cinemas em riade #2

(Le Scaphandre et le papillon, Julian Schnabel, 2007)
((visto de dentro))


pf

15.7.08

Dicionário #3

Bélgica; substantivo feminino, país bilingue dividido essencialmente entre Valónia (francófona) e Flandres (flamenca), país-que-não-Portugal-onde-me-sinto-em-casa, país-onde-tudo-funciona-com-ou-sem-governo.

(roubado daqui
)

jtf

Dicionário #2

Portugal; substantivo masculino, evolução de Portucale, perigosa combinação entre megalomania e humildade.

jtf

Sentimentos #1


jtf

14.7.08

Eu vou


jtf

O estado da maisoumenos Arte #1

DISCOS
Með suð í eyrum við spilum, Sigur Rós, 2008 (9/10)
Vampire Weekend, Vampire Weekend, 2007 (7.5/10)
Comme Si De Rien n'Etait, Carla Bruni, 2008 (7/10)

FILMES
Delicatessen, Jean-Pierre Jeunet, 1991 (8.5/10)
Trois Couleurs: Blue, Krzysztof Kieslowki, 1993 (8.5/10)
Coffee and Cigarrettes, Jim Jarmusch, 2003 (7/10)


pf

Cinemas em riade #1

(Delicatessen, de Jean-Pierre Jeunet)

pf

everyone everything everywhere ends


jtf

O estado da Arte #4

Livros
|***1/2|
Senhor Fantasma, Pedro Mexia

Discos
|*****|*
Paolo Conte, The Best of (1996)

Cinema
|*****|

The Savages, Tamara Jenkins
|*****|
Control, Anton-Corbijn


jtf

A vidinha #8


pf

Caixa da música #3.1

(desculpa a preferência)

pf

13.7.08

Caixa da música #3

In the deepest ocean
The bottom of the sea
Your eyes
They turn me
Why should I stay here?
Why should I stay?



I'm a weird fish.

fs

12.7.08



pf

11.7.08

terá saramago "raiva contra a máquina"?

no concerto de ontem dos rage against the machine (do qual já falei aqui) houve um momento curioso: quando, a seguir ao encore, o vocalista zack de la rocha dedicou uma música a... josé saramago.

fiquei curioso por saber se o nosso nóbel terá, entre a sua colecção de álbuns, o battle of los angeles ou o renegades. mais do que isso, até: em que parte do moshpit estaria saramago, aos saltos, a gritar fuck you, i won't do what you tell me?

jc

Fanzone #1


jtf

E dura, dura, dura

O programa chama-se O Corredor do Poder e dá semanalmente à quinta-feira, na rtp1, com um painel de representantes dos partidos com maior assento parlamentar - os cinco do costume. Discute-se, dizem eles, a actualidade política. Quando a disposição o permite costumo ver (sou um indivíduo de ouvir política e não de falar política). Na semana passada, a certa altura, a apresentadora/moderadora questionava Marcos Perestrello (ps) sobre quais as características que distinguem Sócrates dos líderes da oposição. Este referiu, mais ou menos nestas palavras, que "o primeiro-ministro distancia-se dos outros políticos, fundamentalmente, por ser um homem com bastante energia". Nuno Melo (pp), claro está, em surdina e como voz de fundo, naquele tom arrogante e inutilmente superior, mas com alguma piada : "pois é, é um ministro duracell".


E eu não pude deixar de constatar que, afinal, neste programa que por vezes cai no ambiente ruidoso de escola primária, se discute a actualidade. Política não sei se será, mas enfim, como sou um puro relativista a coisa passa-me ao lado.



fs

10.7.08

a guida afugenta os leitores?

gerou-se na blogosfera uma polémica (mais uma) curiosa, desta vez a propósito da revista ler e da escolha de margarida rebelo pinto para a capa e para a entrevista alargada da última edição. é engraçado como uma escritora que tantos consideram má (não é a minha avaliação, que não interessa aqui para o caso, mas sim a dedução que faço pelos comentários no blogue da revista) consegue suscitar tamanhas paixões e tantos ódios desmesurados (quem é que dizia "falem bem ou mal de mim, mas falem"?). a polémica foi amplificada ainda mais, ao que parece, pelas anteriores edições da revista entretanto ressuscitada por francisco josé viegas, onde figuraram na capa e na grande entrevista o nosso eterno nobelizável, lobo antunes, e o nosso nobelizado, saramago. boas entrevistas, já agora, ainda que duvide que alguma delas tenha acrescentado grande coisa aos leitores de ambos os autores (categorias na qual não encaixo, sem desmérito para ambos os escritores: a partir do pouco que já li percebi que são muito bons. simplesmente não me cativaram ainda).

margarida rebelo pinto é literatura light? sim, creio que sim. é coisa levezinha, que dá para ler na praia entre dois mergulhos (pelo menos o não há coincidências; sim, já li o livro, e não o enterrei na areia porque era da minha namorada). já teve polémicas diversas, sobretudo aquela do auto-plágio (que deu um momento memorável na entrevista da ler). mas isso, por si só, não faz de margarida rebelo pinto qualquer outra coisa - ela é escritora. mais do que isso: tem uma importância considerável no mercado editorial português. basta ver os números. como tal, uma revista como a ler não a pode ignorar, por o preconceito tradicional dos portugueses - que lêem, mas negam que lêem e dizem mal à boca cheia. sim, sei que andar no metro em hora de ponta com uma revista que tem na capa saramago ou lobo antunes dá outro nível que a margarida rebelo pinto não dá. mas também não me parece que dan brown seja alguma coisa por aí além, e no entanto durante os meses em que o hype durou não havia ninguém no metro e nos autocarros da carris que não exibisse orgulhosamente o código da vinci ou o anjos e demónios debaixo do braço, juntamente com jornal público e um ou dois gratuitos surripiados pelo caminho.

se, conforme foi dito, repetido e regurgitado nas caixas de comentários do blogue da revista ler, a presença de margarida rebelo pinto na capa afugentar leitores, isso deve-se meramente a preconceito, elitismo e a uma atitude snobe (é assim que se escreve? estes neologismos....). não, não sou leitor da senhora, nem tenciono sê-lo. mas não tenho pachorra para elitismos.

e, de resto, há falhas bem mais graves a apontar à ler. em primeiro lugar, a ausência de artigos sobre poesia. e depois o facto de ser talvez demasiado mainstream. já que a onda é de reclamação, então aproveito este humilde espaço para dizer que muito me agradaria que, num destes meses, a ler tivesse na capa:

christopher tolkien, com uma entrevista sobre o legado literário do seu pai.

j.k.rowling, que é mais gira do que margarida rebelo pinto (podia dar uma capa muito boa), tem uma obra assinalável, vendeu mais sozinha do que saramago e lobo antunes (e a margarida) juntos algum dia venderão, e que até já viveu em portugal.

philip pullman, que escreveu uma obra de fantasia assombrosa (his dark materials: the northern lights, the subtle knife e the amber spyglass; traduzidos pela presença).

joan d. vinge, autora de ficção científica largamente ignorada por cá (aliás, a ficção científica em geral é ignorada por estas bandas), vencedora de dois prémios hugo e finalista em várias edições do hugo e do nébula, com duas séries de histórias notáveis. mais: ao que consta, joan vinge já esteve em portugal, e gostou tanto do sítio que deu destaque às fotos que por cá tirou na sua antiga página pessoal.

e, se não for pedir muito, gostaria imenso de um artigo assim alargado que desmistificasse os estereótipos em redor da literatura de fantasia e ficção científica que, para quem não sabe, não se limitam a eragon ou a harry potter, nem são coisas de nerds com óculos de fundo de garrafa, cuja relação mais próxima que tiveram com uma rapariga foi através de um monitor de computador em sites pornográficos de qualidade duvidosa e que não vão para conferências sobre ficção científica vestidos de luke skywalker, morpheus ou mister spock.

jc

9.7.08

O poder da arte

(White Centre - Yellow, Pink and Lavender on Rose, Rothko)


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7.7.08

A mão #1

Se ao menos a gente pudesse viver com as coisas mais simples em vez de recordar as complicadas. Voltar à pobreza do elementar: luz, água, pedra. O avô de alguém que me é querido dizia de uma pessoa boa É bom como o pão e ao lado disto que maior elogio se pode fazer? A nossa língua torna-se maravilhosa com palavras como estas É bom como o pão e lembro-me das mulheres que beijavam o pão duro antes de o deitar fora, da minha avó que se horrorizava ao ver um pão ao contrário: punha-o logo direito a pedir desculpa em silêncio, movendo a boca. Sempre me senti bem nas padarias: o cheiro, o lume, os padeiros enfarinhados que eu achava, acho ainda, serem anjos que se transviaram, de braços cobertos por uma poeira celeste. Tudo neles era branco até as sobrancelhas, as pestanas. O olhar branco também. Os gestos. Não olhos cegos, olhos brancos. E eu à porta a espantar-me. O eco das vozes nos tijolos, dos passos, da lenha no forno. Bom como o pão: ora toma, António. Aprende a escrever à maneira. O facto é que me interessa muito mais um padeiro que um economista. Ou um gestor.

É-me fácil concordar com as últimas duas frases. Subitamente faz todo o sentido. Não sei bem porquê. Deve ser pela simples razão que tudo o que sai daquela mão é digno da minha concordância. Ou talvez não seja só isso. Talvez.

jtf

5.7.08

Fotogramosfera #1

Chamemos-lhe apenas o Lado lunar.


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4.7.08

Caixa da música #2



Super Bock ou Aquarius. Convenciam-me à mesma.


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2.7.08




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Nostalgia #1

Tão longe. As costas escondendo Viseu e o retrovisor baço avisando-nos que ficou para trás. O horizonte uniforme, as gaivotas curiosas, o cheiro a mar, as salinas nos dois lados da estrada, sal sal e sal. Aveiro. A caravana esbranquiçada no fundo do parque de campismo, turistas estrangeiros: alemães e ingleses certamente, turcos ou russos ou ucranianos porque a língua é mistério. Praia. Pegadas deixadas como fósseis ao longo da costa, conchas, algas, búzios onde o mar não sopra mas antes murmúrios inquietos. Uma confissão. Uma negação. Livro para devorar placidamente, alguém que se desencontrou em babilónia, insónias, muitos desamparos, pais e filhos e o estado novo. Um pouco de tudo. Um autor. Caderno preto barato. Caneta barata. Caligrafia horrível desde criança e tentativa de manipular as palavras. A noite piegas e uma esplanada fustigada pelo vento. Música. Frio. Um grupo de rapazes desconhecidos ao longe acompanhado por uma grade de cervejas. Caravana. Cama improvisada no chão. Risos e eternidade. Praia da Barra, dois mil e sete. Talvez voltar. Tão perto.



fs

e eu também já fui loiro, afinal de contas*

mas sinto-me mais ou menos como a rapariga loira numa mais-do-que-batida piada de loiras (passe a redundância, as piadas de loiras estão todas brutalmente batidas - como, aliás, praticamente todas as piadas sobre todos os estereótipos possíveis, creio). mas enfim, a piada (fraquinha, bem sei) fala de uma loira que, ao caminhar na rua, repara numa casca de banana caída no passeio - e compreende que, mantendo a casca de banana a sua imobilidade e a loira a sua trajectória, pisar a casca será mais ou menos inevitável. então a loira exclama para si "bolas! lá vou eu escorregar e cair!". pois é precisamente assim que me sinto - e não sou loiro*, como a rapariga da (péssima) anedota. mas há armadilhas em que caímos de forma consciente, e cascas de banana que não evitamos pisar, mesmo sabendo que a queda subsequente irá deixar mazelas consideráveis.

*quem me conhece, com a minha desgrenhada (há quem diga que é "encaracolada" - puro wishful thinking) juba castanha-escura, provavelmente não me conseguirá imaginar em versão loira, mas é verdade: em pequenino, o meu cabelo era liso (com alguns arrufos, claro) e loiro. mesmo. depois passou para o dark side, e eu com ele - ou vice-versa. a amnésia infantil (definida por freud) arruinou a memória de tão singular transformação.

jc

Os Descobrimentos #2.1


jtf

1.7.08

Azzuri #2



Caminhos, lugares, flores azuis, sonhos, música. Du-du-du-du-du, ci-bum-ci-bum-bum.


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espargos?

via blogue atlântico: phoenix analisou uma amostra do solo de marte e achou-o parecido com o da terra. as reacções são bombásticas. “e o tipo de solo que poderíamos encontrar no nosso quintal”, declarou, em conferência de imprensa, samuel kouvanes, responsável pelo instrumento da sonda que acaba de realizar a primeira análise química ao solo de marte. “os espargos até se davam provavelmente muito bem com um solo desses”.

espargos? foda-se, espargos? os gajos da nasa fazem aterrar em marte uma sonda com mais engenhocas que todas as temporadas do macguyver juntas e a primeira coisa relevante que descobrem é que podiam plantar espargos no solo marciano? que diabo, é isto que é uma pesquisa científica de qualidade? e que tal começarem a ver se dá antes para plantar vinha ou cannabis? ou se marte já tem zonas para fumadores e não-fumadores - ou, alternativamente, se não há risco de encontrar por lá a asae. ou se já existem tascas de qualidade?

agora, espargos? haja pachorra. com esta passam para astronautas vegetarianos, só pode.

jc

Banda sonora.




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