31.7.10

Playlist

A Fine Frenzy, Bomb in a Birdcage - Electric Twist
Arcade Fire, The Suburbs - The Suburbs
Au Revoir Simone, The Bird of Music - Night Majestic
Blasted Mechanism, Sound in Light - Battle of Tribes
Creedence Clearwater Revival, Bayou Country - Bad Moon Rising
The Doors, The Doors - Break on Through
Florence + The Machine, Lungs - The Dog Days Are Over
Holly Miranda, The Magicians Private Library - Waves
Interpol, Turn On the Bright Lights - Obstacle 1
Jimi Hendrix, Axis: Bold as Love - Little Wing
Joy Division, Unknown Pleasures - She's Lost Control
Keane, Everybody's Changing
Klaxons, Myths of the Near Future - Golden Skans
Led Zeppelin, Led Zeppelin IV - Stairway to Heaven
Leonard Cohen, I'm Your Man - First We Take Manhattan
Magazine, The Correct Use of Soap - A Song From Under the Floorboards
The Modern Lovers, The Modern Lovers - Hospital
Morphine, Cure for Pain - I'm Free Now
Muse, Absolution - Apocalypse Please
The National, High Violet - Bloodbuzz Ohio
Oasis, Definitely Maybe - Supersonic
Okkervil River, Down the River of Golden Dreams - It Ends With a Fall
The Pains of Being Pure at Heart, The Pains of Being Pure at Heart - Contender
P.J. Harvey, Stories From the City, Stories From the Sea - Good Fortune
Radiohead, Amnesiac - You and Whose Army?
The Sex Pistols, Nevermind the Bollocks, It's the Sex Pistols - Anarchy in the U.K.
The Temper Trap, Conditions
Them Crooked Vultures, Them Crooked Vultures - Dead End Friends
Urge Overkill - Girl, You'll Be a Woman Soon
Vampire Weekend, Vampire Weekend - Cousins
The White Stripes, Elephant - I Just Don't Know What to Do With Myself

Playlist para Agosto.

john

30.7.10

Sublinhar o Delito

por José Gomes André | 29.07.10 |

1. "A verdade vem sempre ao de cima", diz-nos Sócrates. Certamente... Basta aliás estar atento às notícias da sucessiva incapacidade da justiça para punir criminosos reconhecidos como Valentim Loureiro, Pinto da Costa ou Isaltino Morais, entre outros. Significa isto que Sócrates é culpado de um acto ilícito? Não. Tal como não significa que é inocente de qualquer acto ilícito apenas porque o Ministério Público foi incapaz de apresentar prova ou porque o tribunal assim o determinou.


2. Pode então perguntar-se: "Mas pairará sempre sobre Sócrates um manto de suspeição, apenas porque os seus opositores o desejam?". Ao que respondo: da minha parte, seguramente. Não devido ao Caso Freeport, mas pela extraordinária capacidade do primeiro-ministro em cultivar amizades com patifes de toda a espécie e em se meter em todo o tipo de trafulhices (particularmente as de "menor porte") - da Licenciatura às casas da Guarda.


3. Sobre o processo em causa, continuam por responder algumas questões de somenos importância: como diabo se constrói um monstro urbanístico daquele género numa área protegida? Quem o autorizou e porquê? E a troco de quê?


4. Registe-se a reacção histérica à Esquerda. Os Abrantes foram ao baú resgatar umas capas de jornais supostamente "caluniosas" (como adoram a palavra), suplicando pela imolação dos jornalistas que não obedeceram aos pedidos caridosos de Lopes da Mota & Ca. Tiago Barbosa Ribeiro (não confundir com o excelente autor do "Kontratempos", que emigrou para parte incerta) pede mesmo o julgamento dos jornalistas envolvidos. E João Galamba, citando José Albergaria, exige um pedido de desculpas de uma data de gente, incluindo os bloggers do "Delito de Opinião". Da minha parte, pedirei desculpa com a máxima prontidão, assim que Sócrates também pedir desculpa por ter mentido sobre os números do défice, o não-aumento de impostos e o grau de endividamento nacional. Palavra de honra."


#1. Folgo em saber que ou (i) José Gomes André tem poderes mágicos de adivinhação e sonha com o processo Freeport; ou (ii) conduz uma investigação paralela à do MP e chega a conclusões a que mais ninguém conseguiu chegar; ou (iii) imagina isto tudo porque o que gosta é de foguetório.

Se não significa que seja culpado, significa inevitavelmente que é inocente. Obviamente. A não ser que José Gomes André ache que haver ou não tribunais é a mesma coisa. Se quando alguém é acusado de cometer um ilícito e quem acusa não o consegue sustentadamente demonstrar, então esse alguém é inocente. Ponto. Assim não sendo, ninguém é inocente. Porque mesmo quem nunca foi indiciado de cometer ilicitude, poderá sê-lo. E sendo-o, ou (i) será condenado, e - justamente - é-o de facto; ou (ii) é absolvido/o-caso-é-arquivado-por-falta-de-provas, e, para JGA, não é inocente porque o que aconteceu foi que o MP e os Tribunais não conseguiram demonstrar a autoria do ilícito. Isto é, se eu acusar JGA de ter cometido um ilícito, ele nunca será inocente em nenhum dos três casos possíveis apresentados anteriormente.


#2. Com tanta "trafulhice" existente, estranho que ainda não tenha movido acções judiciais para que ela - a trafulhice - seja punida.


#4. Não me recordo do Primeiro-Ministro ter mentido sobre valor algum. Por insistir na mentira de que José Sócrates mentiu, não consegue que a sua mentira se torne verdade.


jtf

29.7.10

O prazer egoísta

João: são diferentes experiências, ou diferentes formas de experimentar. O meu caso é o inverso: quando ouço uma música de que gosto, ou leio um livro que se torna indispensável, ou vejo um filme que me fascina, gosto de partilhar. Não por procurar uma "caução", digamos assim, ao meu gosto. Mas o meu prazer egoísta - eu percebo muito bem os prazeres egoístas, acredita - advém, não sem ironia, dessa partilha. De proporcionar a pessoas que me são próximas a mesma descoberta que eu tive - por vezes, a mesma epifânia, se quiseres. Foi o motivo que me levou a sugerir a metade dos meus amigos que lessem The Catcher in the Rye, de Salinger (fica a sugestão): um livro extraordinário que me marcou como poucos, apesar de o ter lido fora da "idade recomendada", se tal coisa existe. O mesmo motivo leva-me sempre, invariavelmente, a recomendar a amigos meus que ouçam Radiohead, Arcade Fire, Joy Division, Magazine, enfim, qualquer banda de que gosto mesmo muito. Ou que leiam, sei lá, Tolkien, Joan Vinge, Philip K. Dick ou Herbert - se bem que tenha que confessar que neste campo a minha taxa de sucesso é praticamente nula, sobretudo entre o sexo oposto (tema a que um dia espero poder dedicar-me). Não me incomoda absolutamente nada que quem me rodeia não goste, ou até que despreze os meus gostos; mas retiro muito prazer quando aquilo que lhes mostro os encanta tanto quanto a mim. Como se essa partilha estabelecesse um laço entre nós, sei lá. É difícil de explicar.

Como disse acima, o teu "prazer egoísta" eu compreendo muito bem. O que eu não consigo compreender é o deixar de gostar de algo que antes se gostava muito apenas e só porque mais de X pessoas também gostam. A minha crítica vai somente até aí - e, sobretudo, a quem tende a desvalorizar algo apenas e só por esse motivo. Acontece muito na música, quando uma banda indie se torna mainstream, ou no cinema, na oposição entre cinema independente/de autor e o conceito de blockbuster. Não consigo conceber que a qualidade de algo dependa não do objecto em si, mas de quem o experimenta. A Mona Lisa há-de ser sempre um quadro genial e fascinante, independentemente dos milhares (milhões?) de pessoas que, anualmente, a vêem ao vivo no Louvre.

john

A Teoria Evolucionista do Prazer

João, sinceramente a minha opinião sobre o The Suburbs é basicamente decalcada da tua. Acho-o um corpo uno, que só funciona se ouvido de fio a pavio. Não funciona por hits - em minha opinião, ainda bem. Acontece-me o mesmo com Ok Computer - para mim "o" album. Ou mesmo com os inefáveis Boxer e Aligator. Para não falar de todos os albuns do Cohen. A complexidade criativa que reunir uma mão cheia de canções que verticalmente se encaixam uma após uma transporta, é que faz da música o máximo da expressão humana contemporânea. Cohen, Arcade, National ou Radiohead são o expoente disso.

Divirjo de ti quando aludes a uma das questões que mais me intriga quando me debruço sobre os movimentos artísticos e a sua complexidade e interacção. A questão que se prende com isto: está o prazer individual dependente do número de pessoas com as quais é partilhado. Eu acho que sim. Ou pelo menos, sinto que sim. Acontece-me na literatura com particular proeminência. Há uma espécie de ciúme infantil nisto. Mas sinto-o, e assumo-o. Honestamente. Chego ao patamar esquizofrénico de esconder descobertas musicais, literárias, cinematográficas para que o meu prazer não se espalhe. Não se propague e me deixe sozinho, ciumento do meu tesouro. É uma questão da ordem das emoções que nenhuma racionalidade cartesiana poderá algum dia explicar.

jtf

A evolução

Este post certeiro do Tiago Cavaco (o de 27 de Julho, que pelos vistos o blogue já não permite o link a posts; entretanto, aguardo pela crítica completa ao álbum) fez-me pensar num tema já antigo. Em conversas com algumas pessoas, e após leitura atenta de fóruns onde se encontra muito mais joio do que trigo (como os desta revista), fico com a sensação de que muitas vezes os auto-proclamados "fãs" (palavra horrível) de uma banda preferem que ela se mantenha igual a si mesma, a fazer exactamente a mesma coisa álbum após álbum, a vê-la evoluir em algum sentido. Os Muse, reflexo perfeito daquela ideia pseudo-alternativa de "muita gente ouve por isso já não gosto", são disto um óptimo exemplo: se ouvirmos os álbuns cronologicamente, do Showbiz ao Resistance, notamos que eles evoluíram, que cresceram como banda. É verdade que (para mim) atingiram o pico com Absolution, e não menos verdade é que nem toda a gente tem de gostar da evolução (por acaso gostei muito do último álbum). Mas se eles continuassem a produzir, a cada dois anos, um Origin of Symmetry, tornava-se aborrecido. Uma banda tem de evoluir, tem de arriscar. Se os Radiohead tivessem permanecidos agarrados à sonoridade (extraordinária) de um The Bends ou de um OK Computer, teriam sido irrelevantes nesta década; ao invés, mudaram radicalmente de rumo, produziram "o" álbum da década - Kid A, para os distraídos - e, pasme-se, não perderam a sua identidade. Muito pelo contrário: reafirmaram essa mesma identidade, sendo capazes de a renovarem a cada álbum. É verdade que, como disse há dias em conversa com o nosso João, estranhei a primeira vez que ouvi The Suburbs. Havia ali qualquer coisa diferente. Qualquer coisa que foi crescendo a cada vez que o álbum passava inteirinho no meu leitor de mp3. Talvez não tenha nenhuma música imponente como a Wake Up ou tocante como a In the Backseat; talvez nenhuma música do álbum me venha a dizer tanto como a No Cars Go; talvez - e esta é a única crítica negativa que faço ao álbum - lhe falte uma presença mais constante da voz da Régine (de que gosto muito); mas nota-se que os Arcade Fire evoluíram, que arriscaram, que não ficaram presos à sonoridade que deixou meio mundo de boca aberta com Funeral (eu muito atrasado, claro), e que procuraram inovar sem se perder - ouve-se a Empty Room, a Sprawl II (Mountains Beyond Mountains), a Month of May e mesmo o single de abertura, The Suburbs, e percebe-se isso mesmo. O álbum tem músicas suficientemente poderosas para agarrarem quem ouve - mesmo quem, como eu, estranha à primeira (e, enfim, se apaixona à segunda). Globalmente, impressiona-me mais que Neon Bible. Ao vivo - aguardamos Novembro para a prova dos nove -, deve ser extraordinário.

john

Adenda: gostava muito era de ser capaz de escrever críticas assim.

28.7.10

The Dispossessed

There was a wall. It did not look important. It was built of uncut rocks roughly mortared; an adult could look right over it, and even a child could climb it. Where it crossed the roadway, instead of having a gate it degenerated into mere geometry, a line, an idea of boundary. But the idea was real. It was important. For seven generations there had been nothing in the world more important than that wall.
Like all walls, it was ambiguous, two-faced. What was inside it and what was outside it depended upon which side of it you were on.

Ursula Le Guin, The Dispossessed

Promete, e muito, a avaliar por estes dois primeiros parágrafos - um dos mais curiosos inícios de livro que já tive oportunidade de ler.

john

PT

#1 Se fosse melhor estar na Oi e não na Vivo, a Telefónica quereria estar na Oi e não na Vivo;

#2 Se fosse melhor ter 23,38% da Oi por 3,65 mil milhões do que comprar 29% da Vivo por 7,5 mil milhões, a Telefónica já o teria feito.

jtf

27.7.10

Milagre

Encontrei uma peixeira do Bolhão que é mais histérica do que a Ana Drago.

jtf

Só neste País é que se diz Só neste País

Só neste País é que uma nulidade como o Nuno Melo é tido como "excelente deputado" e "uma-espécie-de-cristiano-ronaldo-das-comissões-de-inquérito". Quando no fundo é isto: .

jtf

Excepcionalmente, ganham os subúrbios

Já tinha avisado: High Violet é um grande disco, os The National estão melhores do que nunca, a Bloodbuzz Ohio dá vontade de ouvir em loop, e eu, já agora, continuo com muita pena de não os ter visto no SBSR (voltem depressa, por favor). Mas têm azar, coitados: o timing é péssimo, e ainda não é desta que Matt Berninger e os seus amigos levam a taça de melhor álbum do ano. À segunda música, os subúrbios já ganharam.
(E sim, sei que só sai para a semana. O mundo moderno tem destas coisas.)

john

Cinebox

No Sábado: The Ghost Writer, 4 estrelas;
Ontem: The Inception, 1,5 estrelas - é possível que seja um bom filme de ficção cientifica, mas o género não me agrada e não tenho capacidade para avalia-lo;
Ainda esta semana: Partir, (a preencher).

jtf

25.7.10

Menos com menos não dá mais

Kruzes Canhoto, em comentário a este post:

E esqueceu-se o Luís de mencionar que, com este regime, um rico pode partir mais vidros do que um pobre. O que é uma chatice.

É, de facto, uma chatice. Como é uma chatice um pobre ter de recorrer ao Serviço Nacional de Saúde e esperar sete horas numa sala de espera por causa de um traumatismo craniano, enquanto um rico vai a um hospital privado e tratam dele como deve ser. Como é uma chatice um rico poder ir ao supermercado e comprar um vinho de 50 euros para acompanhar o jantar, enquanto o pobre, se tiver sorte, compra um Porta da Ravessa Tinto. Como é uma chatice um rico andar em Lisboa com um Mercedes e um pobre não conseguir ir além do passe mais básico Carris+Metro. Podia continuar, mas, muito francamente, estou a divagar. O que está em causa não é um miúdo rico poder pagar um vidro e um pobre não. O que está em causa é, sim, haver uma punição para quem parte um vidro, seja rico ou pobre. Disparate seria não haver punição, como defendia o Luís. Pior ainda seria haver punição para um rico e não para um pobre, sendo a declaração de IRS o único critério a prevalecer. Isso não seria justiça, nem nada que se lhe assemelhasse.

É verdade que quem é rico pode dar-se a luxos com os quais quem é pobre nem sequer sonha. Essa é, aliás, uma definição possível de se ser rico. Sempre foi assim. Sempre será assim. Não há outra forma. É injusto que assim seja? Talvez. Mas enquanto ricos e pobres pagarem da mesma forma pelos erros que cometem, então ainda resta um módico de justiça do qual convém não nos esquecermos. Pode-se argumentar que não pagam da mesma forma, pois quem tem dinheiro tem possibilidades de "se safar". Mas corrigir isso com discriminação seria apenas juntar mais um erro à equação - e como as regras da matemática não se aplicam à vida social, menos com menos não dá mais.

john

23.7.10

O melhor filme deste ano...

... é, na verdade, um videojogo. A conferir no trailer abaixo (sugestão: vejam em alta resolução e full screen):


john

Cinismo de sexta-feira de manhã

Fala-se muito nas gerações futuras, que pagarão a crise, que não terão reformas, coiso e tal. Mas há algum motivo para ter fé, um bocadinho só de fé, nas tais "gerações futuras"?

Vejamos, como exemplo, Luís Encarnação, porta-voz da Associação de Estudantes da Escola Secundária Gil Vicente, em Lisboa, que por sua vez é co-representante da Delegação Nacional de Associações de Estudantes do Básico e do Secundário. Na peça do Público sobre o novo estatuto do aluno, Luís afirma que aquele vai afastar os alunos da escola. E dá exemplos:

[link]"Quer um exemplo? O novo estatuto prevê que os alunos tenham de pagar o material que estragam. Isto é pedagógico? Não é. Se um aluno partir um vidro e for obrigado a pagá-lo, no dia seguinte parte outro e dois dias depois outro ainda. Porque a obrigação da escola não é castigá-lo, mas explicar-lhe por que é que não deve andar a partir vidros".

Ora bem. O Luís, ilustre membro das "gerações futuras", apesar de já ser presente, ainda vive com a cabeça sei lá onde. Deve ser das hormonas. Espero que seja das hormonas. O Luís não sabe, mas a obrigação da escola não é explicar a um aluno por que é que não deve andar a partir vidros. É ensinar-lhe, sei lá, Português, Matemática, História, e mais algumas disciplinas (áreas-projecto, cidadanias e educações sexuais são dispensáveis). Mais: o Luís ainda tem de aprender que as acções têm consequências, e que na vida real, quem parte um vidro, paga o vidro. Como, sei lá, quem rouba, vai para a prisão, a menos que se seja o Ricardo Rodrigues. Talvez o paizinho e a mãezinha lhe possam ensinar isto, já que os professores devem preocupar-se mais com, sei lá, sintaxe, equações ou os Descobrimentos. Adiante, que há mais pérolas:

[link]Luís Encarnação concorda com a distinção entre faltas justificadas e injustificadas mas não aceita que, ultrapassado o limite, o aluno seja sujeito "a um único plano individual de trabalho e não a todos quantos necessitar". Também contesta a possibilidade de suspensão por um dia dos estudantes sem abertura de processo disciplinar, em situações excepcionais, um "factor de exclusão" que diz ser "contraditório" com os deveres da escola de "educar e integrar".

Voltamos à história das responsabilidades. O Luís pode baldar-se quando quiser. Pode faltar às aulas para ir beber moscatel no bar mais próximo. Mas se o fizer, ter um "plano individual de trabalho" à sua disposição já é mais do que merece - ter "todos quantos necessitar" é simplesmente idiota. É institucionalizar a "balda". É dizer aos alunos: façam o que quiserem, que quando for altura disso, cá se arranja maneira de vos safar. Ah, e podem ir partindo vidros entretanto. Como é bom de ver, estas declarações - nas quais só faltou o protesto contra os exames nacionais, essa "tortura" - comprovam uma tese já antiga: por norma, durante o ensino básico e secundário, as associações de estudantes não são compostas pelos melhores alunos, mas por os mais imbecis.

john

Por favor, alguém me explique

como é que a abertura dos hipermercados aos domingos e feriados prejudica o comércio "tradicional", quanto este nunca está aberto aos domingos e feriados. Haja paciência.

john

João, responder-te-ia assim:


É verdade que Portugal cresceu de 85 a 95. Mas também é verdade que tem um dos seus picos mais baixos, a meio de 93. Por isso, fico sempre nervoso quando se toma CS como um mito de genialidade económica. Assim não é. Nem quem veio a seguir destruiu a excelente governação de 85-95, nem a própria governação foi excelente. De todo.

Isto da economia é uma coisa bastante interactiva - se é que não é só isso. Mas já não é pouco. O crescimento económico de um país está dependente dos seus mercados comprarem os produtos que fazemos. Naturalmente nos anos 85-95 toda a europa estava eufórica e comprava tudo o que era vinho do porto e calçado. Assim é "fácil" crescer. Difícil é crescer quando ninguém tem dinheiro para comprar. Por isso é que comparações estritas são inúteis. E Cavaco está longe de ser um génio. Mesmo em Economia.

jtf

22.7.10

Pensem muito bem antes de votar Passos Coelho


jtf

21.7.10

Coisas #1

“Cultura não pode ser uma entidade abstracta de elites, pensada para um nicho populacional e desagregada do interesse transversal de toda a população".
Nilza Mouzinho de Sena, vice-presidente do PSD, PÚBLICO,

Tenho medo.

jtf

É preciso ter lata

Um recomenda uma descida nos salários de 30% e recebe uma pensão obscena do BdP. O outro, propõe substituir justa causa por causa atendível - o que é o mesmo que dizer, selva - e recebeu 10 milhões para sair do banco onde estava e recebe mais de 500 mil todos os anos até ao fim da vida.

jtf

20.7.10

Compensações

Enfim, entristece-me pensar que perdi um grande concerto dos The National no SBSR (João, quantas horas estiveste na fila para chegar ao festival?) e de Florence + The Machine no Alive!, mas nem tudo é mau neste mês de Julho: já se garantiu a presença em Arcade Fire em Novembro (e desta vez espero que não haja gripes a ensombrar os meus planos), e a partir de dia 27 posso voltar a jogar computador. Entretanto, tenho pão alentejano em casa para pelo menos duas semanas. Boa vida também é isto.

john

19.7.10

A banalidade

Não entendo o fascínio feminino mais ou menos histérico e generalizado pela Carrie Bradshaw, personagem da série O Sexo e a Cidade. Até porque Carrie é, de longe (de muito longe), a personagem menos interessante (e menos bonita, elegante, atraente, enfim, escolham o adjectivo) da série - saiu-lhe na rifa o papel de narradora, e por isso pode dar-se ao luxo de fazer os seus comentários pseudo-witty sobre tudo e mais alguma coisa. Mas, por favor - a senhora é uma banalidade em trapinhos da moda. Cada vez que a vejo lembro-me de uma outra escritora, esta bem real e cá do burgo, igualmente hábil e debitar umas banalidades e colocar uns livros nos tops de vendas. Curioso, isto.

john

Real Empire

jtf

16.7.10

apontar com o dedo o centro da terra.

15.7.10

Leituras

Quando o tema é leitura, há sempre quem diga que é necessário ler "os clássicos". Isto, por acaso, lembra-me um belo debate aqui do Jardim, que começou no tema dos "artistas independentes" e acabou nos cânones artísticos, ou coisa que lhe valha. Há que ler os "clássicos", não é? Seja: findo Dune - e que clássico! -, em Agosto, se a loja do costume não falhar, o tempo vai ser dedicado a Robert A. Heinlein (Starship Troopers) e a Isaac Asimov (Nightfall). Até lá, e já que é de "clássicos" que estamos a falar, acho que ainda tenho algures uns contos de Bram Stoker para ler.

john

Ah e tal #2

Adoro este país. É tudo branco e preto. Competente e incompetente. Realista e em estado de negação. Responsável e irreponsável. Há umas pessoas que sabem qual a solução para tudo, e outras não percebem nada e não enfrentam as dificuldades. Deus e o Diabo. Somos ridículos.

jtf


























jtf

O Estado da Nação #1

O psd de Passos Coelho é um alguidar de generalidades, de banalidades, de intenções. Reformar o Estado; diminuir a despesa pública; apoiar as empresas; apostar no emprego; ter uma estratégia etc etc. Mas afinal o que é isto? Só vos digo três coisas: Miguel Relvas, Miguel Macedo e Marco António Costa. Obrigado.

jtf

14.7.10

Portugal seria tão melhor #4

Portugal seria tão melhor sem a Constança Cunha e Sá.

jtf

Ah e tal

Já repararam que em Portugal começa-se sempre uma intervenção num debate por: Eu concordo consigo, mas tal e tal. Engraçado é que quase sempre não concordam nada.

jtf

13.7.10

Inconsciência

Só de pensar que podemos ter Marco António Costa como número dois (ou três) do Governo tenho medo. Acho que a malta que escolhe Passos Coelho nas sondagens ainda não tem bem consciência do dramático que isto é.

jtf

12.7.10

Tragam-me água benta, por favor

Quem é que foi a besta da M80 que desenterrou o cd dos Hanson?

john

8.7.10

Cautela e caldos de galinha

O caldo de galinha, ou a canja, vá, já marchou ao almoço, com o limão da praxe, e estava uma delícia. Quanto à cautela, bom, hoje, e por cautela, vou manter o meu leitor de mp3 a passar ininterruptamente Radiohead, banda muito boa que eu queria muito ver mas que vai para sete ou oito anos que não aparece por cá para um daqueles concertos inesquecíveis. É que tenho um palpite: se a playlist chegar a Florence, eu acabo por queimar cinquenta euros num bilhete para a ir ver hoje ao Alive, e isso não me dava jeito nenhum agora - sim, sei que não resistirei. Até porque ainda há The National para a semana, e há um leitor de mp3 a precisar urgentemente de substituição. Aliás, esse é o meu grande dilema neste exacto momento: gasto quarenta euros para a semana (ou cinquenta hoje) para passar uma noite - uma noite apenas - a ouvir música, ou gasto esse dinheiro num leitor de mp3, que me permitirá ouvir música onde e quando quiser, sem estar a ganhar calos nos dedos por ter de segurar a entrada dos auscultadores numa posição específica e, já agora, algo dolorosa?

E ainda vai haver Arcade Fire este ano - aqui ou na Galiza, em Setembro. Oh well.

john

Adenda: como já toda a gente saberá, o concerto em Lisboa terá lugar a 18 de Novembro, no Pavilhão Atlântico. Os bilhetes para a plateia em pé custam 34 euros.

Merdices

Adoro estas pessoas que têm a capacidade de tornar problemas com causas complexas em merdices de solução fácil.

jtf

Ciência

Após aturados estudos, é oficial. Não foi encontrado qualquer vestígio de vida na cabeça do Pedro Passos Coelho.

jtf

7.7.10

Nunca mais acaba

o Mundial, para deixar de ouvir o Luis Freitas Lobo.

jtf

6.7.10

Diz que é uma onda de calor

Quarenta graus e ainda ninguém falou no aquecimento global? Estou a estranhar.

john

5.7.10

Combustões espontâneas

Num fim-de-semana próprio para combustões espontâneas, decidi dedicar o meu tempo, ou perder o meu tempo, vá, entendam como quiserem, a ver filmes maus. Quer dizer, não só maus - ainda vi Le Cinquième Élément, que é muito, muito bom -, mas na sua maioria foram maus. Há um certo encanto nos filmes maus. Uma certa piada. É feio rir dos outros, eu sei, mas quando vemos o trailer do filme Pocket Ninjas, é impossível não rir, sobretudo após quatro shots de Moskovskaya geladinha. Sabem o que é quando um filme é tão mau, mas tão mau, que se torna bom? Pronto, é o Pocket Ninjas. Ou outro ainda melhor, pior, decidam: Mega Shark versus Giant Octopus. Este é uma pérola no género disaster/monster movie, ainda pior que a última versão de Godzilla, apesar de proporcionar mais gargalhadas. Não que o filme se pretenda cómico, entenda-se; mas porque o enredo é tão mau, e os actores são tão maus, e os efeitos especiais são, enfim, tão maus, que é impossível não rir quando se vê um tubarão do tamanho de um submarino nuclear (maior?) saltar a dez quilómetros de altitude e abocanhar um avião comercial. O polvo gigante, enfim, é uma pena: um tentáculo daquilo dava sustento a todos os vendedores de polvo frito do país, ou dava para fazer "o maior arroz de polvo do mundo" em cima da terceira ponte sobre o Tejo, quando esta estiver feita, claro.
A televisão também ajudou: no Sábado, o Hollywood brindou-me com o Escape from L.A., um filme pior do que aquilo que eu me lembrava, apesar de até simpatizar com o muito wooden Snake Plissken, o pior papel de sempre do Kurt Russel. E no Domingo, a SIC passou Twilight. Do primeiro, o que se pode dizer? Desde o surf num tsunami, com salto para um carro a alta velocidade incluído, aos vôos de asa delta a disparar metralhadora, enfim, é tudo muito, muito cheesy. E o segundo, que tem levado adolescentes (e não só, o que é assustador) de todo o mundo a vários graus de histeria, é um filme terrível. Nada de que eu não suspeitasse já. Está muito mal escrito, tem um enredo duvidoso (estou a ser simpático), cenas inexplicadas - e inexplicáveis (por que raio apenas podem os "vampiros" jogar baseball durante uma trovoada?) -, e um casting terrível, terrível, uma autêntica praga bíblica. Robert Pattinson e Kristen Stewart seriam incapazes de representar para salvarem as próprias vidas - o rapaz, esteja feliz, contente ou zangado, parece uma tábua, consegue fazer do Keanu Reeves um Kevin Spacey, quase; enquanto ela faz questão de manter um ar de enjôo permanente, talvez pensando que os "vampiros" se mantém à distância se ela estiver sempre na iminência de lhes vomitar os sapatos. E constantemente aborrecida, depressiva, enfim, é mais secante do que o dia de hoje na Amareleja. E tanto o moço como a moça são monocórdicos, enfadonhos, profundamente aborrecidos. Há uma crítica no imdb.com muito boa, por acaso ao segundo filme (dizem que é ainda pior), que tem como título "acting so wooden I got splinters". É mais ou menos isto, sim. Com a agravante de em todo o filme só haver uma miúda realmente gira e com estilo, a Ashley Greene, e que, coitada, não consegue salvar a coisa. O resto, enfim, é o que se sabe, e um devoto do género fantasia a sério, nunca poderia gostar dos "vampiros" de Stephenie Meyer - sobretudo quando eles estão no Secundário, quer dizer. Um dia destes vou ler os livros, se por acaso me sobrarem células cerebrais vivas quando ver o filme sequela (sim, vou ver).

john

4.7.10

Ligações

Ao Albergue Espanhol e ao Eu quero é ser rica. Ali do lado direito.

john

Finalmente

Este filme - o melhor filme de ficção científica europeu? - estreou há treze anos. Só o vi ontem. Sim, eu sei. Um disparate.

john

2.7.10

Eu tinha vergonha

jtf

1.7.10

Micro-assuntos internos #9, discos e outras coisas

Acrescentei, também, uma secção de 35 mm.

jtf

Micro-assuntos internos #8, discos e outras coisas

1. O camarada João teve a boa ideia de acrescentar, ali ao lado, um "gira discos" e uma secção de leituras, ou, se preferirem, dos livros que andamos a ler. É verdade que as leituras saíram um tanto ou quanto negras, mas não julguemos os livros pela capa. Já no gira-discos estão dois álbuns muito bons: Boxer, dos The National (2007), e Lungs, de Florence + The Machine, provavelmente o meu álbum do ano passado, apesar de só o ter descoberto este ano. Já os The National, coitados, têm azar: Boxer teria sido o álbum de 2007 caso, no mesmo ano, os Arcade Fire não tivessem lançado o enorme Neon Bible e os Radiohead não tivessem lançado o indescritível In Rainbows. Este ano, saiu o High Violet, um álbum muito, muito bom. Azar: dia 2 de Agosto sai o novo álbum dos Arcade Fire, The Suburbs, e os Radiohead já prometeram álbum novo, em princípio até ao final deste ano. Se isto não é perseguição, não sei o que é.

2. O blogue, já terão reparado, está mais ou menos em modo hiperactivo. E, já agora, as caixas de comentários estão liberalizadas.

3. Alguma dúvida, sigam a nossa indicação (e do Cristiano Ronaldo) e falem com o Carlos Queirós. Tenham é calma, que ainda enervam o homem e ele troca o Hugo Almeida pelo Danny e temos a paella entornada.

john

O escândalo?

Já te expliquei isso uma vez, João. Lembra-te disto: quando o Humberto Coelho treinou a Selecção em 2000, usava bigode. Scolari usava bigode. Oliveira usava bigode, mas ao Oliveira não há bigode que o salve. Queirós não usa bigode. O escândalo é isto mesmo: o traço mais característico do português, mais ainda que a unhaca do dedo mindinho, a camisa aberta até ao umbigo e o palito ao canto da boca, é o bigode. Não pode ser a "selecção de todos nós" se o treinador não tem bigode. Se isto não é escândalo, não sei o que é - o que é a incapacidade de o Ronaldo jogar bem na Selecção ao pé disto? Por isso, e ao contrário do que as pessoas pensam, nós não temos dois anos para arranjar um defesa direito e um ponta de lança. Temos, sim, dois anos para ver se o Queirós percebe esta evidência e deixa crescer o bigode. Isto é que importa.

john

O mundo dos equívocos #2

Factos:
# 1 A selecção Portuguesa esteve presente em cinco fases finais de campeonatos do Mundo;
# 2 Empatou com a Costa do Marfim, marcou sete golos à Coreia do Norte; não sofreu nenhum golo;
# 3 Empatou 0-0 com o nº 1 do ranking mundial da FIFA e penta-campeão do Mundo; e
# 4 Perdeu 1-0 com o nº 2 do ranking mundial da FIFA, provavelmente a melhor equipa do Mundo e actual campeão da Europa.
Expliquem-me lá onde é que está o escândalo?

jtf

O mundo dos equívocos

Gostava que o psd me explique uma coisa: acham que era do interesse nacional que o negócio PT/Telefónica não se realizasse e ao mesmo tempo dizem que não usariam a obscena golden-share. Então, como se defende o interesse nacional? Não se defende?

jtf

Isto dos estrangeirismos dá cabo de mim

Portugal é um país tão pornográfico que eu não sei se, na PT, um estado tem uma golden share ou um golden shower.

john

A Independência #11

Falaremos com o Carlos Queiroz mais tarde. Justify Full
#1 A minha conclusão era sarcástica. No resto, sim, diria que em termos gerais estou de acordo.

#2 É evidente que num programa escolar há um cânone ao qual não consegues escapar. Por isso referi aqueles autores - são decisivos, escuso de explicar porquê. No resto, e mais uma vez, estamos de acordo.

#2.1 O modelo que referes tornaria tudo mais transparente. Aliás, e fora da Cultura, uma das coisas de que o Estado português mais necessita... é transparência.

#3 Estranho, de facto. Mas pode ter várias explicações. Pode ser incompetente. Ou pode ser difícil de "domar". A primeira é uma qualidade, a segunda é um defeito. A primeira é muito bem vista em Portugal. A segunda, não. Isto, obviamente, é apenas uma hipótese.

#3.1/#5 Depende. Dou-te um exemplo, fora do cinema. Há uma editora muito interessante que será porventura a única editora em Portugal a fazer edições decentes de Fantasia e Sci-fi - traduziram nomes como Douglas Adams, George Martin, Lovecraft, entre muitos outros. Estes géneros não são auto-suficientes para uma editora. Sabes qual foi o truque? Conseguiram o exclusivo de uma autora best-seller que escreve muito, e vende como pãezinhos quentes. Os lucros das vendas dela permitem pagar a restante extravagância. Provavelmente não terão grandes margens. Mas ao menos permitem aos leitores de SF&F portugueses lerem algumas grandes obras do género na sua própria língua, com boas traduções. Se um Call Girl for um êxito de bilheteira, óptimo. Isso pode dar dinheiro aos produtores para, noutra ocasião, fazerem um filme mais arriscado. Pensa em Hollywood, na satânica Hollywood - com todo o "lixo" que manda, tem entre as suas fitas algumas das mais belas obras do cinema de sempre. Talvez se forem feitos muitos Call Girl, o Estado possa canalizar esses subsídios para outros produtores e realizadores? Nota que continuo a não apoiar isso, apesar de o Estado ter todo o meu apoio se quiser subsidiar a Soraia Chaves.

#4 Como te disses, conheces melhor a área do que eu. Muito melhor. Eu simplesmente tenho por hábito suspeitar, e muito, de tudo onde o Estado mete o dedo.

#6 Tem sido discutível, e muito bem. Mas isto só vai acabar com uma cerveja num final de tarde, sabes disso.

john

A independência #10

João,

com sub-alíneas e tudo.

# 1 Discordo da tua conclusão. Até porque se são sortudos, os sortudos vão variando, já que os criadores “independentes” que vão sendo subsidiados variam de ano para ano. Mas para além disso, acho que não deveriam ser apoiados ad hoc. Dever-se-ia sim construir uma rede de instituições de referência espalhadas pelo país que pudessem apoiar as criações locais. À semelhança do que acontece com o Teatro Viriato de Viseu, em que o MC e a Câmara Municipal conseguiram juntamente com o mecenas construir um Teatro que protagoniza o apoio à criação local e à exportação de produções, com a Companhia Paulo Ribeiro. O mesmo acontece, - apesar de ser de forma diferente - com o Trigo Limpo Teatro Acert de Tondela. Isto é dizer que, no meu entendimento, só seremos um estado verdadeiramente civilizado e desenvolvido quando encararmos esta necessidade como primordial. Até lá, o dinheiro gasto em cultura será sempre considerado um luxo. É um erro.

# 2 Não julgo que o Estado tenha que pensar fora do cânone. É evidente que as escolhas são sempre escolhas. E não é verdade que se apoie exclusivamente as obras canónicas. Basta ver que Carlos Fragateiro já foi director do TNDM II.
# 2.1 Quando dizes que há quatro autores que obrigatoriamente temos que incluir nos programas, estás a fazer uma escolha. E sublinho o obrigatoriamente. Tudo isso é discutível. Eu concordo contigo, mas isso não implica que não seja discutível. Escolher Eça ou Camilo, ou Camilo ou Aquilino. Sendo tudo isto discutível, eu também acho obrigatório que Gil Vicente, Camões, Eça e Pessoa sejam obrigatórios. É nesta indiscutibilidade discutível que se constrói a escolha. E o cânone.
Eu também acredito em programas mais liberais. Acredito mesmo. Aliás, é isso que defendo para a cultura. O poder político - o ministério e/ou autoridades locais que financiam as instituições - têm o poder de nomear programadores que façam essa escolha e a assumam como sua. Assumindo as escolhas que fazem mediante o conceito que têm do que deve ser um Teatro Nacional ou um filme ou uma exposição. Para a escolha dos programadores dever-se-ia (i) abrir um concurso público e (ii) os mandatos deveriam ser limitados no tempo [(ii) é o que acontece, (i) ainda não]. Assim, ao longo do tempo - e naturalmente - todos os géneros seriam apoiados. Parecer-me-ia a forma mais lógica do Estado encarar a cultura.
# 2.2 No post anterior ensaiei uma definição do que faz Shakespeare mais "cultura" do que Um Violino no Telhado. Obviamente que é apenas uma tentativa. Por complexidade quis dizer mais do que a mera complexidade da mensagem. A mensagem poderá ser simples, suscitando interpretações complexas pela parte do receptor.

# 3 Dalila Rodrigues foi directora do Museu Grão-Vasco de Viseu antes de ir para o MNAA. No MNAA aconteceu o que aconteceu. Visto de fora também não acho bem. Depois disso dirigiu a Casa das Histórias Paula Rêgo e foi também afastada. Seguidamente para a Casa da Música. E agora está na editora Babel como Coordenadora Científica das Edições de Arte. Estranho, não é?
# 3.1 O cinema que interessa não vive sem ser apoiado. Isso é utópico. Se deixarmos que apenas exista cinema português que gere bilheteira para pagar o custo, teremos apenas Call Girls e Crimes do Padre Amaro. O cinema que não tem público suficiente para se pagar a ele próprio é precisamente aquele que deve ser apoiado, sendo bom. A produção artística mais importante é (quase) sempre a que hoje tem menos público, e amanhã a que terá mais. Pensemos em Manoel de Oliveira e João César Monteiro. Volto a dizer que ninguém exige que uma Universidade ou um Hospital se paguem a si próprios.

# 4 Os critérios são relativamente transparentes. Acompanho relativamente bem as programações e acho que o são. No entanto, estou aberto a exemplos que me provem o contrário.

# 5 Eu não desvalorizo nada o papel do Entretenimento/Comercial. Apenas acho que a única preocupação desse género é a atracção de público, e isso garante-lhes a sobrevivência. Nunca aí houve a preocupação de garantir as obrigações que a lei exige aos Teatros Nacionais, por exemplo. Isto é, o género Entretenimento deve - sem dúvida - continuar a existir mas, uma vez que por motivos comerciais já existe (porque dá dinheiro), não tem que ser um Teatro Nacional a produzi-lo. A preocupação terá que ser outra.

# 6 Eu continuo a achar que não impõe. Mas tudo isto é discutível. Tudo.

jtf