31.7.10
30.7.10
Sublinhar o Delito
1. "A verdade vem sempre ao de cima", diz-nos Sócrates. Certamente... Basta aliás estar atento às notícias da sucessiva incapacidade da justiça para punir criminosos reconhecidos como Valentim Loureiro, Pinto da Costa ou Isaltino Morais, entre outros. Significa isto que Sócrates é culpado de um acto ilícito? Não. Tal como não significa que é inocente de qualquer acto ilícito apenas porque o Ministério Público foi incapaz de apresentar prova ou porque o tribunal assim o determinou.
2. Pode então perguntar-se: "Mas pairará sempre sobre Sócrates um manto de suspeição, apenas porque os seus opositores o desejam?". Ao que respondo: da minha parte, seguramente. Não devido ao Caso Freeport, mas pela extraordinária capacidade do primeiro-ministro em cultivar amizades com patifes de toda a espécie e em se meter em todo o tipo de trafulhices (particularmente as de "menor porte") - da Licenciatura às casas da Guarda.
3. Sobre o processo em causa, continuam por responder algumas questões de somenos importância: como diabo se constrói um monstro urbanístico daquele género numa área protegida? Quem o autorizou e porquê? E a troco de quê?
4. Registe-se a reacção histérica à Esquerda. Os Abrantes foram ao baú resgatar umas capas de jornais supostamente "caluniosas" (como adoram a palavra), suplicando pela imolação dos jornalistas que não obedeceram aos pedidos caridosos de Lopes da Mota & Ca. Tiago Barbosa Ribeiro (não confundir com o excelente autor do "Kontratempos", que emigrou para parte incerta) pede mesmo o julgamento dos jornalistas envolvidos. E João Galamba, citando José Albergaria, exige um pedido de desculpas de uma data de gente, incluindo os bloggers do "Delito de Opinião". Da minha parte, pedirei desculpa com a máxima prontidão, assim que Sócrates também pedir desculpa por ter mentido sobre os números do défice, o não-aumento de impostos e o grau de endividamento nacional. Palavra de honra."
#1. Folgo em saber que ou (i) José Gomes André tem poderes mágicos de adivinhação e sonha com o processo Freeport; ou (ii) conduz uma investigação paralela à do MP e chega a conclusões a que mais ninguém conseguiu chegar; ou (iii) imagina isto tudo porque o que gosta é de foguetório.
Se não significa que seja culpado, significa inevitavelmente que é inocente. Obviamente. A não ser que José Gomes André ache que haver ou não tribunais é a mesma coisa. Se quando alguém é acusado de cometer um ilícito e quem acusa não o consegue sustentadamente demonstrar, então esse alguém é inocente. Ponto. Assim não sendo, ninguém é inocente. Porque mesmo quem nunca foi indiciado de cometer ilicitude, poderá sê-lo. E sendo-o, ou (i) será condenado, e - justamente - é-o de facto; ou (ii) é absolvido/o-caso-é-arquivado-por-falta-de-provas, e, para JGA, não é inocente porque o que aconteceu foi que o MP e os Tribunais não conseguiram demonstrar a autoria do ilícito. Isto é, se eu acusar JGA de ter cometido um ilícito, ele nunca será inocente em nenhum dos três casos possíveis apresentados anteriormente.
#2. Com tanta "trafulhice" existente, estranho que ainda não tenha movido acções judiciais para que ela - a trafulhice - seja punida.
#4. Não me recordo do Primeiro-Ministro ter mentido sobre valor algum. Por insistir na mentira de que José Sócrates mentiu, não consegue que a sua mentira se torne verdade.
jtf
29.7.10
O prazer egoísta
A Teoria Evolucionista do Prazer
A evolução
john
Adenda: gostava muito era de ser capaz de escrever críticas assim.
28.7.10
The Dispossessed
PT
27.7.10
Só neste País é que se diz Só neste País
Excepcionalmente, ganham os subúrbios
john
Cinebox
25.7.10
Menos com menos não dá mais
23.7.10
O melhor filme deste ano...
john
Cinismo de sexta-feira de manhã
Vejamos, como exemplo, Luís Encarnação, porta-voz da Associação de Estudantes da Escola Secundária Gil Vicente, em Lisboa, que por sua vez é co-representante da Delegação Nacional de Associações de Estudantes do Básico e do Secundário. Na peça do Público sobre o novo estatuto do aluno, Luís afirma que aquele vai afastar os alunos da escola. E dá exemplos:
[link]"Quer um exemplo? O novo estatuto prevê que os alunos tenham de pagar o material que estragam. Isto é pedagógico? Não é. Se um aluno partir um vidro e for obrigado a pagá-lo, no dia seguinte parte outro e dois dias depois outro ainda. Porque a obrigação da escola não é castigá-lo, mas explicar-lhe por que é que não deve andar a partir vidros".
Ora bem. O Luís, ilustre membro das "gerações futuras", apesar de já ser presente, ainda vive com a cabeça sei lá onde. Deve ser das hormonas. Espero que seja das hormonas. O Luís não sabe, mas a obrigação da escola não é explicar a um aluno por que é que não deve andar a partir vidros. É ensinar-lhe, sei lá, Português, Matemática, História, e mais algumas disciplinas (áreas-projecto, cidadanias e educações sexuais são dispensáveis). Mais: o Luís ainda tem de aprender que as acções têm consequências, e que na vida real, quem parte um vidro, paga o vidro. Como, sei lá, quem rouba, vai para a prisão, a menos que se seja o Ricardo Rodrigues. Talvez o paizinho e a mãezinha lhe possam ensinar isto, já que os professores devem preocupar-se mais com, sei lá, sintaxe, equações ou os Descobrimentos. Adiante, que há mais pérolas:
[link]Luís Encarnação concorda com a distinção entre faltas justificadas e injustificadas mas não aceita que, ultrapassado o limite, o aluno seja sujeito "a um único plano individual de trabalho e não a todos quantos necessitar". Também contesta a possibilidade de suspensão por um dia dos estudantes sem abertura de processo disciplinar, em situações excepcionais, um "factor de exclusão" que diz ser "contraditório" com os deveres da escola de "educar e integrar".
Voltamos à história das responsabilidades. O Luís pode baldar-se quando quiser. Pode faltar às aulas para ir beber moscatel no bar mais próximo. Mas se o fizer, ter um "plano individual de trabalho" à sua disposição já é mais do que merece - ter "todos quantos necessitar" é simplesmente idiota. É institucionalizar a "balda". É dizer aos alunos: façam o que quiserem, que quando for altura disso, cá se arranja maneira de vos safar. Ah, e podem ir partindo vidros entretanto. Como é bom de ver, estas declarações - nas quais só faltou o protesto contra os exames nacionais, essa "tortura" - comprovam uma tese já antiga: por norma, durante o ensino básico e secundário, as associações de estudantes não são compostas pelos melhores alunos, mas por os mais imbecis.
john
Por favor, alguém me explique
john
João, responder-te-ia assim:

É verdade que Portugal cresceu de 85 a 95. Mas também é verdade que tem um dos seus picos mais baixos, a meio de 93. Por isso, fico sempre nervoso quando se toma CS como um mito de genialidade económica. Assim não é. Nem quem veio a seguir destruiu a excelente governação de 85-95, nem a própria governação foi excelente. De todo.
22.7.10
21.7.10
Coisas #1
É preciso ter lata
jtf
20.7.10
Compensações
john
19.7.10
A banalidade
john
16.7.10
15.7.10
Leituras
Ah e tal #2
jtf
O Estado da Nação #1
14.7.10
Ah e tal
13.7.10
Inconsciência
12.7.10
8.7.10
Cautela e caldos de galinha
E ainda vai haver Arcade Fire este ano - aqui ou na Galiza, em Setembro. Oh well.
john
Adenda: como já toda a gente saberá, o concerto em Lisboa terá lugar a 18 de Novembro, no Pavilhão Atlântico. Os bilhetes para a plateia em pé custam 34 euros.
Merdices
Ciência
7.7.10
6.7.10
Diz que é uma onda de calor
john
5.7.10
Combustões espontâneas
A televisão também ajudou: no Sábado, o Hollywood brindou-me com o Escape from L.A., um filme pior do que aquilo que eu me lembrava, apesar de até simpatizar com o muito wooden Snake Plissken, o pior papel de sempre do Kurt Russel. E no Domingo, a SIC passou Twilight. Do primeiro, o que se pode dizer? Desde o surf num tsunami, com salto para um carro a alta velocidade incluído, aos vôos de asa delta a disparar metralhadora, enfim, é tudo muito, muito cheesy. E o segundo, que tem levado adolescentes (e não só, o que é assustador) de todo o mundo a vários graus de histeria, é um filme terrível. Nada de que eu não suspeitasse já. Está muito mal escrito, tem um enredo duvidoso (estou a ser simpático), cenas inexplicadas - e inexplicáveis (por que raio apenas podem os "vampiros" jogar baseball durante uma trovoada?) -, e um casting terrível, terrível, uma autêntica praga bíblica. Robert Pattinson e Kristen Stewart seriam incapazes de representar para salvarem as próprias vidas - o rapaz, esteja feliz, contente ou zangado, parece uma tábua, consegue fazer do Keanu Reeves um Kevin Spacey, quase; enquanto ela faz questão de manter um ar de enjôo permanente, talvez pensando que os "vampiros" se mantém à distância se ela estiver sempre na iminência de lhes vomitar os sapatos. E constantemente aborrecida, depressiva, enfim, é mais secante do que o dia de hoje na Amareleja. E tanto o moço como a moça são monocórdicos, enfadonhos, profundamente aborrecidos. Há uma crítica no imdb.com muito boa, por acaso ao segundo filme (dizem que é ainda pior), que tem como título "acting so wooden I got splinters". É mais ou menos isto, sim. Com a agravante de em todo o filme só haver uma miúda realmente gira e com estilo, a Ashley Greene, e que, coitada, não consegue salvar a coisa. O resto, enfim, é o que se sabe, e um devoto do género fantasia a sério, nunca poderia gostar dos "vampiros" de Stephenie Meyer - sobretudo quando eles estão no Secundário, quer dizer. Um dia destes vou ler os livros, se por acaso me sobrarem células cerebrais vivas quando ver o filme sequela (sim, vou ver).
john
4.7.10
Finalmente

john
2.7.10
1.7.10
Micro-assuntos internos #8, discos e outras coisas
2. O blogue, já terão reparado, está mais ou menos em modo hiperactivo. E, já agora, as caixas de comentários estão liberalizadas.
3. Alguma dúvida, sigam a nossa indicação (e do Cristiano Ronaldo) e falem com o Carlos Queirós. Tenham é calma, que ainda enervam o homem e ele troca o Hugo Almeida pelo Danny e temos a paella entornada.
john
O escândalo?
john
O mundo dos equívocos #2
O mundo dos equívocos
Isto dos estrangeirismos dá cabo de mim
john
A Independência #11

#1 A minha conclusão era sarcástica. No resto, sim, diria que em termos gerais estou de acordo.
#2 É evidente que num programa escolar há um cânone ao qual não consegues escapar. Por isso referi aqueles autores - são decisivos, escuso de explicar porquê. No resto, e mais uma vez, estamos de acordo.
#2.1 O modelo que referes tornaria tudo mais transparente. Aliás, e fora da Cultura, uma das coisas de que o Estado português mais necessita... é transparência.
#3 Estranho, de facto. Mas pode ter várias explicações. Pode ser incompetente. Ou pode ser difícil de "domar". A primeira é uma qualidade, a segunda é um defeito. A primeira é muito bem vista em Portugal. A segunda, não. Isto, obviamente, é apenas uma hipótese.
#3.1/#5 Depende. Dou-te um exemplo, fora do cinema. Há uma editora muito interessante que será porventura a única editora em Portugal a fazer edições decentes de Fantasia e Sci-fi - traduziram nomes como Douglas Adams, George Martin, Lovecraft, entre muitos outros. Estes géneros não são auto-suficientes para uma editora. Sabes qual foi o truque? Conseguiram o exclusivo de uma autora best-seller que escreve muito, e vende como pãezinhos quentes. Os lucros das vendas dela permitem pagar a restante extravagância. Provavelmente não terão grandes margens. Mas ao menos permitem aos leitores de SF&F portugueses lerem algumas grandes obras do género na sua própria língua, com boas traduções. Se um Call Girl for um êxito de bilheteira, óptimo. Isso pode dar dinheiro aos produtores para, noutra ocasião, fazerem um filme mais arriscado. Pensa em Hollywood, na satânica Hollywood - com todo o "lixo" que manda, tem entre as suas fitas algumas das mais belas obras do cinema de sempre. Talvez se forem feitos muitos Call Girl, o Estado possa canalizar esses subsídios para outros produtores e realizadores? Nota que continuo a não apoiar isso, apesar de o Estado ter todo o meu apoio se quiser subsidiar a Soraia Chaves.
#4 Como te disses, conheces melhor a área do que eu. Muito melhor. Eu simplesmente tenho por hábito suspeitar, e muito, de tudo onde o Estado mete o dedo.
#6 Tem sido discutível, e muito bem. Mas isto só vai acabar com uma cerveja num final de tarde, sabes disso.
john










