31.5.10
Aconteceu hoje: fui bem atendido na repartição de Finanças da Loja do Cidadão dos Restauradores. "Bem atentido" significa que o funcionário foi educado, simpático, nunca mostrou o ar de enfado habitual, esclareceu todas as minhas dúvidas e - imagine-se! - ainda foi capaz de mostrar muito bom humor. E isto ao final do dia (sete e um quarto). Pensei em escrever ao Presidente da República, que o senhor merece uma comenda pelo 10 de Junho, mas dada a raridade do caso, pergunto-me se não devia antes escrever à Quercus, pois se há alguma coisa em vias de extinção neste país são os funcionários simpáticos em repartições públicas.
john
28.5.10
O Poder #2
Ontem no Corredor do Poder, a meio de um destilar panfletário, infantil e birrento, Sérgio Sousa Pinto pergunta incessantemente a Ana Drago:
- Qual é a visão estratégica para o futuro do País que o Bloco de Esquerda e a deputada Ana Drago têm a apresentar aos Portugueses?
Perguntou várias vezes para indiferença da criatura. Obviamente que continuou indiferente, tentando ganhar tempo para dizer algo. Ao que respondeu:
- Passar a taxar as transferências para o offshore da Madeira.
E é assim. A visão estratégica do BE e da deputadinha Ana Drago é o offshore da Madeira.
O BE está para a vida política portuguesa como os cartoons do Luís Afonso para o Público.
Esqueçam, o Luís Afonso é muito melhor.
jtf
- Qual é a visão estratégica para o futuro do País que o Bloco de Esquerda e a deputada Ana Drago têm a apresentar aos Portugueses?
Perguntou várias vezes para indiferença da criatura. Obviamente que continuou indiferente, tentando ganhar tempo para dizer algo. Ao que respondeu:
- Passar a taxar as transferências para o offshore da Madeira.
E é assim. A visão estratégica do BE e da deputadinha Ana Drago é o offshore da Madeira.
O BE está para a vida política portuguesa como os cartoons do Luís Afonso para o Público.
Esqueçam, o Luís Afonso é muito melhor.
jtf
27.5.10
Hype
Mas para que fique claro, eu não tenho nada contra o hype na música (expressão horrível, eu não tenho nada; as duplas negativas matam-me). Rigorosamente nada. Nem noutras coisas, aliás, apesar de, confesso, me fazer alguma confusão na literatura, mas creio que isso se deve ao facto de os meus géneros literários preferidos serem normalmente ignorados ou, pior, considerados coisas de nerds. Enfim, adiante. Hype. Não costuma interferir muito com os meus gostos, nem de uma forma ou de outra. Aquelas pessoas - todos os caros leitores certamente conhecerão alguém assim - gosta muito de uma banda mais ou menos obscura até que, num instante, algo acontece, essa banda explode (passe a expressão), e toda a gente fica a conhecer a sua música. Pior: toda a gente fica a gostar da música dessa banda, as rádios começam a passar o último single a cada duas horas, deixam de dar concertos a cada ano bissexto na Aula Magna, que é uma sala catita e muito boa, mas pequena, ou no Festival Sudoeste, que parece ser assim um bocado alternativo, para começarem a actuar no Pavilhão Atlântico em anos ímpares, e no Rock in Rio em anos pares. Por acaso, mas mesmo só por acaso (juro), o exemplo encaixa praticamente na perfeição nos Muse, uma das minhas bandas de eleição, que, imagine-se, cometeram o pecado de ceder os direitos de algumas das suas músicas à banda sonora de um filme tão merdoso como Twilight*, coisa que fez o Pavilhão Atlântico em Novembro registar a maior concentração possível de pitas por metro quadrado sem os Tokio Hotel por perto. Isto mata qualquer pseudo-alternativo, para quem a música só é boa se apenas meia dúzia de caramelos a ouvir, para passar a ser uma merda quando surge em letras garrafais em toda a parte, e em anúncios publicitários e o diabo a quatro. Até há sempre uma boa desculpa: tornaram-se "comerciais" (alguém me defina o conceito "música comercial", por favor), o último álbum não era grande coisa (por acaso é muito bom, mas não insisto), os antigos é que eram bons (e foram, mas há que evoluir). Enfim, há sempre uma boa desculpa. Para mim, o sucesso - e o hype - de uma banda é irrelevante, sobretudo quando é merecido (no exemplo que mencionei, é inteiramente merecido, e quem não acreditar vá amanhã à Bela Vista confirmar). Não gosto de Muse, ou de outra banda qualquer, por outras pessoas gostarem, como não me aquece nem me arrefece que mais trinta milhões de pessoas também gostem de ouvir a música que eu ouço todos os dias. Da mesma forma, quando não gosto de uma banda - acontece frequentemente - é simplesmente porque não gosto, e se por acaso essa banda está em hype (como os "the xx", por exemplo - ou, para dar um exemplo caseiro, o tal "b fachada"), bom, não faço particular gosto em ser do contra, mas terei de discordar da maioria. Enfim, acontece, não vem daqui mal nenhum ao mundo.
john
*procurem na internet a banda sonora do último filme da série Twilight. É muito boa (sem ironia, é mesmo).
26.5.10
Fandom
Uma dúvida, que provavelmente me vai sair cara: em termos práticos (e não em termos estéticos), qual é mesmo a diferença entre as mulheres que se produzem todas para ir à estreia, ou ante-estreia (com sorte) do novo filme de O Sexo e a Cidade, e os tipos que se vestem de Mr. Spock ou de Luke Skywalker para irem ver a reposição de um Star Trek ou Star Wars?
john
O superlativo absoluto sintético
Talvez seja do dia vagamente aborrecido que tive, que nem o vinho do Cartaxo salvou. Mas acabo de ouvir o álbum homónimo dos "the xx", que muitos disseram ter sido a revelação de 2009 (terá certamente sido o hype de 2009, mas isso é outra história). E a verdade é que achei aborrecidíssimo. Assim, em superlativo absoluto sintético: aborrecidíssimo. Mas também é verdade que nem tudo me entra no ouvido à primeira (salvo seja), pelo que daqui a três meses volto a tentar. Com sorte (muita sorte), ainda os vejo no Alive, e pode ser que isso ajude. Ou talvez não, logo se vê.
john
25.5.10
21.5.10
Portugalidade
O país já está naquela portugalidade de tentar-fugir-ao-pagamento-de-impostos. É o primeiro sinal - talvez o mais importante - que não somos um país. Somos dez milhões de países. E todos eles pobres e subnutridos. Acho que a razão é a falta de educação. A falta de leitura. Somos burros. Endividamo-nos sem pesar todos os factores. Somamos e multiplicamos mal. Resquícios das calculadoras que fazem tudo. Somos burros. Não discutimos o que interessa para passarmos horas a discutir inutilidades. Carros. Casas. Blackberys. Merdices. Estamos em crise mas está tudo pronto para ir para as Maldivas. Esquecer a crise, dizem. Somos burros. E já estamos mergulhados na chicoespertice de fugir à tributação do subsídio de férias. Ainda ninguém percebeu para que serve um Estado. Ainda ninguém percebeu para que serve Portugal. Ainda ninguém percebeu para que serve pagar impostos. Somos burros e assim haveremos de morrer. De morrer.
jtf
jtf
João,
esta é para ti:
[Blitz] Em dias de Rock in Rio, a crise fica em casa. O festival começa hoje
60 mil pessoas esperadas hoje no Parque da Bela Vista. Lotação quase esgotada nos cinco dias do festival.
A crise não parece afectar os bolsos dos portugueses quando se trata de festivais de música. O maior festival de música do mundo, que vai já na 25ª edição desde o seu início no Rio de Janeiro, em 1985, começa já hoje e, segundo o jornal Correio da Manhã, três dos cinco dias do evento têm lotação quase esgotada (ou seja, venderam-se 70% dos bilhetes).
Os dias em que se espera maior enchente nesta edição são o de 27 de Maio com os Muse como cabeças de cartaz, dia 29, com Miley Cyrus no dia dedicado à família, e hoje mesmo, com 60 mil pessoas esperadas para ver começar o primeiro dia do Rock in Rio Lisboa. (...)
Mas, vá lá, nota-se um bocadinho da crise. Em 2008, no dia em que actuaram os Muse, creio que os bilhetes esgotaram mesmo.
john
[Blitz] Em dias de Rock in Rio, a crise fica em casa. O festival começa hoje
60 mil pessoas esperadas hoje no Parque da Bela Vista. Lotação quase esgotada nos cinco dias do festival.
A crise não parece afectar os bolsos dos portugueses quando se trata de festivais de música. O maior festival de música do mundo, que vai já na 25ª edição desde o seu início no Rio de Janeiro, em 1985, começa já hoje e, segundo o jornal Correio da Manhã, três dos cinco dias do evento têm lotação quase esgotada (ou seja, venderam-se 70% dos bilhetes).
Os dias em que se espera maior enchente nesta edição são o de 27 de Maio com os Muse como cabeças de cartaz, dia 29, com Miley Cyrus no dia dedicado à família, e hoje mesmo, com 60 mil pessoas esperadas para ver começar o primeiro dia do Rock in Rio Lisboa. (...)
Mas, vá lá, nota-se um bocadinho da crise. Em 2008, no dia em que actuaram os Muse, creio que os bilhetes esgotaram mesmo.
john
20.5.10
Se eu pudesse voltar atrás*
*Respondo-te aqui, também de forma aleatória:
1. Jamais teria estudado Jornalismo. Talvez Psicologia. Talvez coisa nenhuma; boa ideia teria sido ir para uma escola de Hotelaria e tornar-me num chef, agora que penso nisso. Não só tinha sustento e emprego devidamente pago, como ainda tinha uma arma de sedução muito boa. Anyway: Jornalismo, jamé.
2. Teria tirado a carta de condução no primeiro ano que passei em Lisboa (mas ainda vou a tempo, eu sei);
3. Não teria abdicado de alguns valores que defendia, e que eram mais importantes do que quaisquer outros;
4. Não teria dado a segunda oportunidade a uma pessoa;
5. Teria colocado um fim a duas falsas amizades há muito, muito tempo;
6. Teria lutado mais por outra pessoa;
7. Teria dado um tiro nos colhões de um certo colega de universidade (também ainda vou a tempo);
8. Não teria desistido de escrever;
9. Não teria partilhado casa com algumas pessoas com quem vivi;
10. Teria feito o possível e o impossível para não ficar a saber algumas coisas que não me diziam respeito e que acabaram por me causar alguns dissabores;
11. Não teria mentido a uma pessoa a quem jamais deveria ter de mentir;
12. Não teria hesitado face a uma determinada pessoa;
13. Teria aprendido, desse por onde desse, a ser mais extrovertido e mais auto-confiante;
14. Teria aprendido a nadar (é tarde de mais);
15. Teria aprendido a falar e a escrever francês, fazendo para isso o mesmo esforço que fiz para aprender a falar e a escrever correctamente inglês;
16. Jamais teria abdicado do meu espaço individual por quem quer que fosse.
17. Talvez nunca tivesse começado a fumar. Talvez.
E é isto, de forma resumida.
john
1. Jamais teria estudado Jornalismo. Talvez Psicologia. Talvez coisa nenhuma; boa ideia teria sido ir para uma escola de Hotelaria e tornar-me num chef, agora que penso nisso. Não só tinha sustento e emprego devidamente pago, como ainda tinha uma arma de sedução muito boa. Anyway: Jornalismo, jamé.
2. Teria tirado a carta de condução no primeiro ano que passei em Lisboa (mas ainda vou a tempo, eu sei);
3. Não teria abdicado de alguns valores que defendia, e que eram mais importantes do que quaisquer outros;
4. Não teria dado a segunda oportunidade a uma pessoa;
5. Teria colocado um fim a duas falsas amizades há muito, muito tempo;
6. Teria lutado mais por outra pessoa;
7. Teria dado um tiro nos colhões de um certo colega de universidade (também ainda vou a tempo);
8. Não teria desistido de escrever;
9. Não teria partilhado casa com algumas pessoas com quem vivi;
10. Teria feito o possível e o impossível para não ficar a saber algumas coisas que não me diziam respeito e que acabaram por me causar alguns dissabores;
11. Não teria mentido a uma pessoa a quem jamais deveria ter de mentir;
12. Não teria hesitado face a uma determinada pessoa;
13. Teria aprendido, desse por onde desse, a ser mais extrovertido e mais auto-confiante;
14. Teria aprendido a nadar (é tarde de mais);
15. Teria aprendido a falar e a escrever francês, fazendo para isso o mesmo esforço que fiz para aprender a falar e a escrever correctamente inglês;
16. Jamais teria abdicado do meu espaço individual por quem quer que fosse.
17. Talvez nunca tivesse começado a fumar. Talvez.
E é isto, de forma resumida.
john
Pergunta que deveria ter sido feita a Passos Coelho e não foi #1
Se os problemas do país são estruturais. Têm muitos anos, dizem. E não são de ontem, nem o país mudou nos últimos anos. Como é que a responsabilidade pela sua não-resolução é apenas do governo que entrou em funções em 2005? Se os problemas são estruturais e têm décadas, como é que o psd explica que tenha estado quase quinze anos no governo nas duas últimas décadas e os problemas estruturais continuem? Como é que o psd explica que usa o argumento da estruturalidade dos problemas e ao mesmo tempo esquece-se que era governo na altura que aponta como a origem deles mesmos? Sendo que nessa altura, provavelmente, a margem-de-manobra para os corrigir era bastante maior?
jtf
jtf
19.5.10
O Poder
#1 quem assistiu à declaração do Presidente da República, não pode ter ignorado o ridículo a que a figura se presta. Convém relembrar que o PR falou solenemente ao país (em directo para todos os telejornais) sobre apenas 3 assuntos durante quase 5 anos de mandato: (i) esse verdadeiro assunto de estado e que preocupa o dia-a-dia de qualquer português, que é o estatuto dos Açores; (ii) a mais insólita declaração de um chefe de estado de sempre, que foi o caso das escutas em Belém (até parecia monty phyton); e (iii) esta declaração sobre o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo.
#2 Não discuto as convicções pessoais do PR. No entanto, implicitamente, passaram-se três mensagens absolutamente reprováveis: (i) Cavaco Silva, ao dizer que discorda do teor do documento está a dizer que não concorda com o enquadramento que a Constituição da República configura para este assunto; (ii) mais, ao explicitar publicamente a sua convicção pessoal sobre o assunto, está a representar mal a população portuguesa, representando apenas os eleitores conservadores que o elegeram e pensando já nas próximas eleições presidenciais; (iii) quando diz que promulga a lei apenas porque o país vive uma situação económico-financeira exigente (convém dizer que nem eu nem ninguém percebe a relação entre vetar o diploma e a situação financeira do país), está a dizer que vetá-la-ia caso vivêssemos tempos de expansão. Se fosse esse o caso, ao vetar a lei, estaria não só a contrariar o Tribunal Constitucional, como a maioria parlamentar que aprovou a lei. Assim, impera fazer perceber ao PR que o poder legislativo é do Parlamento, não da Presidência. E ter um Presidente da República que não percebe a distribuição dos poderes, é o primeiro passo para o caos.
jtf
#2 Não discuto as convicções pessoais do PR. No entanto, implicitamente, passaram-se três mensagens absolutamente reprováveis: (i) Cavaco Silva, ao dizer que discorda do teor do documento está a dizer que não concorda com o enquadramento que a Constituição da República configura para este assunto; (ii) mais, ao explicitar publicamente a sua convicção pessoal sobre o assunto, está a representar mal a população portuguesa, representando apenas os eleitores conservadores que o elegeram e pensando já nas próximas eleições presidenciais; (iii) quando diz que promulga a lei apenas porque o país vive uma situação económico-financeira exigente (convém dizer que nem eu nem ninguém percebe a relação entre vetar o diploma e a situação financeira do país), está a dizer que vetá-la-ia caso vivêssemos tempos de expansão. Se fosse esse o caso, ao vetar a lei, estaria não só a contrariar o Tribunal Constitucional, como a maioria parlamentar que aprovou a lei. Assim, impera fazer perceber ao PR que o poder legislativo é do Parlamento, não da Presidência. E ter um Presidente da República que não percebe a distribuição dos poderes, é o primeiro passo para o caos.
jtf
18.5.10
A verdade e a mentira
Eu já sabia que noventa e nove por cento dos grupos no Facebook são merda em estado líquido, mas algum dia teria de falar disso aqui. Hoje tropecei num - salvo seja - que achei particularmente engraçado: "Pessoas que preferem verdades duras a mentiras ou silêncios piedosos!" Assim, com ponto de exclamação e tudo, que pessoas "honestas" e "sinceras" não temem a mentira e muito menos o ridículo. O grupo já conta com quase cinco mil e trezentas pessoas. Sim, 5300 (estou a arrendondar). Pobres almas. Que lhes fosse concedida uma semana de vida sem mentiras, só com a verdade absoluta, nua, pura e dura; uma semana de vida sincera e honesta, num preto-e-branco frio, sem cinzentos ou rasgos de outra cor; uma semana de vida sem recurso a uma palavra inconsequente que fosse. Finda essa semana, os que não tivessem aberto os pulsos a golpes de lâmina estariam a mamar anti-depressivos, em fila à porta do gabinete de psiquiatria mais próximo. É fascinante a confusão que grassa naquelas cinco mil e trezentas cabecinhas: que a sociedade é possível sem a mentira, que a sinceridade é sinónimo de dizer tudo aquilo que aprouver, que a honestidade para com os outros é possível sem a honestidade para connosco em primeiro lugar. Não é; se eles o soubessem, eles que também mentem, eles que também pintam a realidade com aguarelas baratas, eles que também andam em elipses sem fim a contornar um assunto, eles que também escolhem a piedade, e não a crueldade, não andariam a apregoar uma virtude que não possuem, pois tal virtude não é sequer humana. Haja as redes sociais para dar voz ao ridículo.
john
john
17.5.10
Aqui
Portugal até é um bom país. Bom clima e tal. Boa comida. Pasteis de belém. O Benfica. Um fado ou outro. Boas praias e bom peixe. Bacalhau e queijo da serra. O único problema é que tem muitos portugueses.
jtf
jtf
É uma má fachada
A coisa mais interessante que me aconteceu neste fim-de-semana foi uma revelação: tal como eu, as minhas duas melhores amigas também acham que "B Fachada" está assim entre o ligeiramente aborrecido e o mauzinho. Obrigado, meninas. Eu começava a pensar que o defeito era mesmo meu.
john
john
16.5.10
Se querem tanto acalmar os mercados,

tomem um pouco de alprazolam, nos seus vários nomes comerciais: Xanax, Xanor, Alprax, Niravam, e deixem a vida respirar por um instante.
fvs
fvs
14.5.10
A playlist
Há dias pensava nisso, e até tinha começado a escrever este post, mas entretanto a preguiça tomou conta de mim. Enfim, aqui vai: é de facto verdade que a minha "colecção digital de música" (doravante designada por playlist para simplificar e para dar sentido ao título) é a única coisa organizada na minha vida. Muito bem organizada, convém sublinhar: um directório geral, vários sub-directrórios com os nomes das bandas, ordenados alfabeticamente; vários sub-sub-directórios por álbum, ordenados pelo ano de lançamento. Dentro da pasta de cada álbum, estão as músicas, ordenadas pela ordem do disco. Tudo isto vai assim organizadinho para o winamp (tirando um ou dois erros que não consigo solucionar, e que validam a tese de que nenhuma arrumação é perfeita). É bonito. Dá um ar arrumadinho à coisa. Não condiz é com o resto: um ambiente de trabalho com tantos ícones que mal se vê o wallpaper, pastas designadas por "tralha" para onde, a cada três meses, se esvazia o caos do ambiente de trabalho, para o ciclo recomeçar. Se passar para o quarto no geral, o cenário é ainda mais desolador - o quarto não está desarrumado, o quarto é desarrumado. E a vida pessoal...
john
john
11.5.10
SCV could go, sir.
Reparo que o "papamóvel" tem a matrícula SCV-1. Ora um SCV, como se sabe (e quem não sabe fica a saber), é isto:
O que me leva a concluir que também Bento XVI joga Starcraft. E com Terran, ainda por cima. Já temos, eu e ele, uma coisa em comum: ambos estamos à espera de dia 27 de Julho, data de lançamento do muito aguardado Starcraft II. Apesar de eu, pessoalmente, preferir os Protoss.(e pronto, com isto ganho o prémio de post mais geek de sempre do Jardim. É a vida)
john
8.5.10
6.5.10
Showbiz
Os Muse, que dia 27 voltam a Portugal para um concerto no Rock in Rio Lisboa (que chatice ser neste festival), colocaram em votação, para cada cidade onde irão actuar, algumas das suas músicas. A ideia é descobrir quais as músicas que o seu público mais quer ouvir. E comprometeram-se a tocar pelo menos uma das cinco músicas mais votadas para cada concerto. Cá para Lisboa, o top 5 ficou na seguinte ordem:
1º: Citizen Erased (Origin of Symmetry, 2001), 4,9%
2º: Bliss (Origin of Symmetry, 2001), 4,8%
3º: Showbiz (Showbiz, 1999), 3,9%
4º: Butterflies and Hurricanes (Absolution, 2003), 3,8%
5º: Assassin (Black Holes and Revelations, 2006), 3,7%
Dito de outra forma, pela primeira vez em muito tempo, existe uma hipótese de eles tocarem, num concerto cá em Portugal, a minha música preferida (Showbiz). O que é mau. Assim não consigo poupar nada.
john
1º: Citizen Erased (Origin of Symmetry, 2001), 4,9%
2º: Bliss (Origin of Symmetry, 2001), 4,8%
3º: Showbiz (Showbiz, 1999), 3,9%
4º: Butterflies and Hurricanes (Absolution, 2003), 3,8%
5º: Assassin (Black Holes and Revelations, 2006), 3,7%
Dito de outra forma, pela primeira vez em muito tempo, existe uma hipótese de eles tocarem, num concerto cá em Portugal, a minha música preferida (Showbiz). O que é mau. Assim não consigo poupar nada.
john
O larápio (IV)
Eu até continuava aqui com as piadas secas, que ainda me estou a rir das imagens e o tema deu-me inspiração para o resto da noite; mas o Lourenço, no Aparelho de Estado, já resumiu a coisa na perfeição. Realmente, é um gesto técnico perfeito. Alguém aproveite o talento do senhor deputado.
john
O larápio (III)
Em todo o caso, tenho de agradecer ao senhor deputado. Em sete anos de bloga, ainda não tinha utilizado a palavra "larápio". É uma bonita palavra, não é?
john
O larápio (II)
Eu, que até sou jornalista (mais ou menos), não tenho um gravador. Ricardo Rodrigues é deputado, e ficou com dois. Agora percebo porque sou jornalista e não político: não possuo aquela destreza de mãos.
john
O larápio
Roubar dois gravadores a jornalistas é para meninos. Eu queria ver Ricardo Rodrigues ser realmente afoito e tentar roubar um telemóvel a uma turma do nono ano.
john
5.5.10
A secretaria
Leio por ai, em jeito de brincadeira, a possibilidade de o Futebol Clube do Porto tentar "emendar" o resultado do campeonato na "secretaria". Isto, repito, é uma brincadeira; mas agora a sério, ainda ninguém pensou em quem é que o Belenenses irá tramar na "secretaria" este ano para se manter na primeira liga?
john
espelhos e reflexos #33
Foi quase como um fogo-de-artifício nos olhos. Depois dos conjugados, das interacções intensas entre alguns, algumas moléculas ligantes a outras que, na saciedade, não hesitavam em corresponder. Foi um tempo de querer ficar parado no meio de quatro páginas de linhas e escrever todas as respostas do corpo que se defende. Mas foi quase como um fogo-de-artifício. Uns amigos banhados a ouro enquanto se percorriam as ruelas e as suas calçadas. Um barulho colectivo no ar. E não eram animais, não não eram. Encarreirados alguns como carneirinhos lá bem que iam a trotar na cadência do seu passo de tanta humilhação para vestir de negro. Os outros, já de negro talvez incorporando conscientemente o luto da sua estupidez, iam gritando para os carneirinhos. Estávamos também vestidos de negro para celebrar a comunidade que somos e novo advento que seremos. E não, não era ódio o que os nossos olhos viam. Um fogo-de-artifício, tenho a certeza. Espanta-nos a humildade de reconhecer de que ninguém é como nós, ninguém está dentro deste texto, isto não é ninguém. Uma luz no fundo daquele palco também não era nossa, mas o fogo-de-artifício nos nossos olhos era tal que se nos revelassem a verdade não acreditaríamos. O esbracejar dos dois bêbados que nos acompanhavam na dança, sem nos conhecer, era mais sincero do que os olhinhos das três raparigas bem apresentadas no grupo em frente e, a julgar pela indumentária, bem intencionadas em nos entreter. O álcool trazia-lhes, aos dois bêbados de braços irrequietos, a mesma estupidez de tantos, mas enquanto o faziam tinham mais ingenuidade do que os olhares das raparigas. O recinto é assim uma espécie de cuba para onde todos fomos deitados e onde cada alucinação não trará mais nitidez. Mas era, sim, um fogo-de-artifício nos olhos. E nunca tivemos de necessidade de perguntar: o que fazer agora? Até mesmo que os pés colados por aquela cevada fermentada e, a espaços, algum absinto que não se acomodou no antro pilórico de alguém, não nos paravam. Gritámos muito, quase sempre sem nos ouvirmos. Deu para ler nos lábios de um rapaz de óculos com armação escura a declaração de amor a uma rapariga tão platónica como as tragédias gregas. A rapariga não percebeu, o rapaz de óculos com armação escura não repetiu. Via-se que tinha um fogo-de-artifício nos olhos. Acabámos por acordar de manhã a trautear melodias que a noite jamais nos trouxera na euforia de clarabóias nocturnas. Rimos durante uma hora pois nada de melhor tínhamos para fazer. Notava-se tanto que ainda andávamos com um fogo-de-artifício nos olhos.
fs
fs
Labels: espelhos e reflexos
4.5.10
Fora de tempo
Toda a gente sabe - ou, pelo menos, toda a gente que me conhece um pouco, pessoalmente ou pelo blogue - que eu raramente estou a par das novidades musicais, e que tenho a tendência para descobrir a música do momento quando o momento já lá vai. Claro que há excepções, ou pelo menos desculpas: em 2008 descobri Magazine, por exemplo, mas os Magazine lançaram o seu último disco três anos antes de eu ter nascido, o que, a meu ver, acaba por me ilibar um pouco. Mas uma coisa é uma coisa, e outra coisa é outra coisa, como diz um amigo; e a verdade é que quando toda a gente fala de uma banda que se está a ouvir, que passa constantemente na rádio, etc, eu simplesmente não ligo; mais tarde (anos mais tarde), ouço uma música e dou por mim a pensar foda-se, como é que eu não ouvi isto antes? Enfim, vejamos a cronologia: 2006 é pré-história. 2007 não foi o ano em que descobri Radiohead (não se assustem, estes eu já conhecia há muito tempo), mas foi o ano em que um amigo me emprestou a discografia completa, o que me fez render completamente ao Thom Yorke e aos outros quatro rapazes que compõem a melhor banda do mundo. 2008 foi o ano em que descobri os Joy Division, banda antiga, eu sei, mas serve para o exemplo. 2009 foi o ano em que eu descobri Arcade Fire, dois anos depois de Neon Bible, cinco anos depois de Funeral, e após vários anos a ignorar olimpicamente três pessoas que muito estimo a dizerem-me em modo repeat quão bons eles eram; isto, por si só, é prova suficiente da minha capacidade de abstracção da realidade, ou talvez de outra coisa com um nome não tão catita, e que por isso não vou pronunciar neste blogue. Pois bem, estamos no mês cinco de 2010, um ano rico: já descobri Florence and the Machine, já redescobri The White Stripes, Led Zeppelin, The Cure; mas, após a minha insónia matinal, que me fez acordar às seis da manhã e ligar as torrents, posso dizer com certeza que, a menos que algo absolutamente extraordinário aconteça, algo mais imprevisível que a aterragem de uma nave alienígena na Tapada da Ajuda ou a vinda dos Atoms for Peace a Portugal, a minha descoberta musical para este ano será The National. Com uma ligeira diferença aqui: estes eu já vi ao vivo, no Optimus Alive! 2008, num concerto que à época me pareceu fraquinho, e que me terá provavelmente afastado da banda durante este tempo todo, apesar das palavras insistentes do Lourenço. Enfim, não vou chegar ao grau de "conversão" do João Bonifácio, que afirma, sem mencionar o Belenenses, que "High Violet" vai fazer dos National a maior banda do mundo ; isso é difícil, pois o título está com os Radiohead pelo menos desde o Kid A, e continuará com eles enquanto eles durarem; mas, sim senhor, dou a mão à palmatória (salvo seja), os rapazes são bons, muito bons. O High Violet, que descarreguei esta manhã em cinco minutos (precisei de quinze para ter todos os álbuns excepto o primeiro*), está mesmo mesmo muito bom. Ouçam a Afraid of Everyone: é um hino.
john
*Não consegui descarregar o primeiro álbum porque não o consegui encontrar. Buscas por "The National" levam-me a centenas de documentários da National Geographic, e o raio do álbum dos The National é homónimo. Isto não é um pedido de ajuda, apesar de aceitar qualquer dica com muito gosto.
john
*Não consegui descarregar o primeiro álbum porque não o consegui encontrar. Buscas por "The National" levam-me a centenas de documentários da National Geographic, e o raio do álbum dos The National é homónimo. Isto não é um pedido de ajuda, apesar de aceitar qualquer dica com muito gosto.
3.5.10
Economia?
João, deixo-te aqui um gráfico bem mais interessante:

E agora vou almoçar, a pensar na ironia que é o grande herói do comunismo ter virado ícone capitalista para adolescente burguês usar ao peito. Quem disse que a justiça era cega?
john
john








